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Crescer à base de impostos é como tentar sair de um balde puxando a alça

Quando penso em crise ou instabilidade econômica logo me vem à cabeça um cenário de pouca ou nenhuma expectativa de crescimento. Contudo, é diante deste panorama desafiador que precisamos trilhar um caminho de perspectivas e oportunidades.

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Devemos aproveitar esse cenário para repensar questões que há anos são debatidas por entidades de classe e defendidas pela população, como é o caso da redução da carga tributária, visto que somente neste ano já chegamos à marca de R$ 1,2 trilhão de impostos arrecadados, e antes mesmo do que era previsto.
 
Como presidente da Associação Paulista de Supermercados, sinto ainda mais a necessidade neste momento de reivindicar a simplificação da carga tributária brasileira e garantir um forte choque no aperfeiçoamento da gestão pública a partir de melhorias de produtividade e planejamento de gastos.
 
Altos impostos acarretam uma menor renda disponível e diminuem o poder de compra da população. Isso desencadeia um menor consumo, menor arrecadação e atinge todos os setores do comércio, entre eles o supermercadista.
 
Observo que nosso setor é afetado em qualquer cenário em que há redução de renda das famílias, uma vez que a variável mais importante para o aumento do consumo de alimentos e bebidas é a renda disponível da população.
 
Estudos da PWC, firma especializada em assessoria tributária e auditoria, apontam que as empresas brasileiras gastam em média 2.600 horas para se adequar à legislação tributária no Brasil, o que impacta diretamente na produtividade e demonstra a dificuldade para a realização de negócios no país.
 
Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), o brasileiro trabalha em média 151 dias no ano para quitar todos os tributos (impostos, taxas e contribuições, por exemplo) que incidem ao longo do ano sobre suas atividades do dia a dia. 

Para se ter uma ideia dos percentuais dos impostos de produtos de consumo básico, o açúcar tem uma carga tributária média de 32%; o arroz, 17%; o feijão, 17%; o sabonete 37% e o creme dental 34,6%.
 
Pagamos impostos altos, mas não temos o retorno em forma de bons serviços públicos à população e investimentos em infraestrutura mínimos necessários para um crescimento sustentável.
 
A discussão apartidária objetivando a melhora do país é sempre válida. Não adianta reclamar de braços cruzados. Recentemente, participei de importantes encontros com os renomados economistas e ex-ministros da Fazenda, Delfim Netto e Maílson da Nóbrega, e fatores como a carga tributária e a falta de eficiência da gestão pública foram apontados como os principais entraves para o Brasil voltar ao trilho do crescimento. Obviamente, trata-se de um assunto que preocupa o setor supermercadista.
 
Faço uso de uma frase célebre atribuída a Winston Churchill para esclarecer minha posição em defesa ao Brasil: “Uma nação que tenta prosperar à base de impostos é como um homem com os pés num balde tentando levantar-se puxando a alça”. Definitivamente é preciso repensar o que queremos para o Brasil e, principalmente, para os brasileiros.
 
Pedro Celso – Presidente da APAS

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