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O que esperar do franchising mesmo com a crise vivida no Brasil?

Artigo escrito por Bruno Zanetti, CEO do Grupo ZNTT

Empreender no Brasil nunca foi tarefa das mais simples. Há quem diga que o país não sabe o que é viver sem uma crise e na pandemia o cenário que se apresentou ao povo não foi diferente. Vimos o dólar alcançar patamares de R$6 e o PIB cair mais de 4% no ano passado.

A inflação segue em alta sem uma perspectiva, ao menos no curto prazo, de melhoria. O relatório FOCUS do Banco Central mostra uma projeção de mais de 7% para o IPCA até o fim do ano. Diante disso, como o franchising tem reagido e o que os empreendedores podem fazer sobre o assunto? 

Em primeiro lugar, por estar muito atrelado ao varejo, o setor de franquias foi o que menos sofreu em 2020. Os segmentos de Casa, Construção, Saúde e Beleza, por exemplo, encerraram 2020 com crescimento de 12,8% e 3,1% respectivamente.

Por outro lado, Hotelaria e Turismo registraram os piores resultados, com queda de quase 50% em número de unidades.

Contudo, ao contrário do que este artigo sugere no início - um cenário desastroso - como em todos os outros momentos de turbulência eu diria que crises geram oportunidades, por maior que seja o clichê presente na frase.

Em geral, quando elas ocorrem, são acompanhadas de inovações e novos negócios, além de forçar a saída da zona de conforto dos empresários.

No caso das franquias, as empresas brasileiras se tornaram experts em criar modelos e produtos com custos mais baixos para facilitar o acesso de pessoas com baixo poder aquisitivo, com experimentação e testagem em altíssima velocidade devido a capilaridade das redes.

Tal estratégia é fruto de outras crises, mas pelos números da retomada do setor, tem funcionado bem. 

Segundo dados da ABF (Associação Brasileira de Franchising), no segundo trimestre de 2021, o setor apresentou recuperação em relação ao mesmo período do ano passado. O faturamento do último recorte feito pela entidade cresceu cerca de 4,4% na comparação com o período anterior. 

Quando o lockdown foi decretado em meados de março de 2020, muitas pessoas se viram de mãos atadas, com suas fontes de renda totalmente “congeladas”. Eu mesmo tive problemas, devido  as incertezas e instabilidade do mercado, porém decidi encarar de frente e colocar em prática os projetos que antes estavam “engavetados” inovando e suprindo algumas deficiências que a situação causou.

Os negócios continuaram a acontecer e muita gente começou a capturar isso. As oportunidades estavam lá, novamente.

Os números do setor mostram a força dos otimistas. O mercado de franchising, assim como todos os demais, sofreu os impactos da pandemia, mas se recuperou. Ainda que a normalização esteja longe de um desfecho, é na baixa que as aquisições devem ser feitas. Pense nisso!

Bruno Zanetti, CEO do Grupo ZNTT, de São José do Rio Preto.

Por Da Redação em 09/09/2021 23:59