Autoconhecimento

Sorte ou Azar?

A virada de um ano para o outro é um marco para a grande maioria das pessoas. Psiquicamente falando o ritual da passa­gem de ano nos leva a acreditar que tudo será diferente

O final do ano está chegando e a expectativa em relação ao próximo ano é enorme. A virada de um ano para o outro é um marco para a grande maioria das pessoas. Psiquicamente falando o ritual da passa­gem de ano nos leva a acreditar que tudo será diferente.

É a hora que todo mundo já começa a se preparar para o grande evento do dia 31 para o dia 1. Roupa amarela, calcinha vermelha, tre­vo de quatro folhas, arroz com lentilha e muito mais. Seja o que for, se acredito que vai me trazer sorte, já serve.

Aliás, sorte é uma palavra interessante. Segundo o dicionário, sor­te é uma força invencível a que se atribuem o rumo e os diversos acontecimentos da vida. Alguma força que está em algum lugar e que escolhe se a minha vida vai dar certo ou não. Será que é isso mesmo?

Vejo todos os dias muita gente reclamando da vida. Aliás, me pa­rece que é o que as pessoas mais fazem. Reclamam o tempo todo, de tudo. A nossa sociedade se transformou já há algum tempo uma so­ciedade que só reclama. A vida tem sim seus altos e baixos, mas será que reclamar o tempo todo ajuda em alguma coisa?

E o pior de tudo é que a maioria das pessoas que reclamam não fazer absolutamente nada para mudar a situação em que está. Está infeliz no trabalho, mas não tem coragem suficiente para se especia­lizar e correr atrás de um emprego melhor. Está infeliz no casamento, mas não faz nada para ser um companheiro melhor e tentar mudar a situação ou finalmente pedir o divórcio para acabar de vez com a história.

A pessoa reclama que ninguém respeita ninguém, mas ela mesma para em filha dupla para pegar os filhos na escola. Reclama que o ser humano está acabando com o meio ambiente, mas joga a latinha de refrigerante ou o papel amassado pela janela do carro. Reclama que os políticos são corruptos, mas faz gato na tv a cabo ou mexe nos fios para pagar menos energia elétrica. Fala do bandido que rouba, mas não devolve o troco quando o troco vem a mais. Estamos todos ligados uns aos outros, mas muita gente ainda não se deu conta disso. Tudo o que eu faço, todas as minhas decisões, afetam direta ou indi­retamente a vida do outro. E chega uma hora que esse efeito chega até mim de novo. É um ciclo que não para.

Querem mudar a vida, mas tem preguiça de acordar cedo, tomar um banho e ir pra luta. Claro, tudo isso dá muito trabalho. É muito mais fácil encher a vasilha de pipoca, pegar um copão de Coca bem gelada e sentar na frente da televisão. Depois solta aquele arrotão que vem do fundo da alma e reclama da vida, dizendo que não tem sorte.

Até quando você vai acreditar que existe uma força maior lá em cima que está escolhendo se você será feliz ou não? Na verdade, esta força existe sim e está dentro de cada um de nós. Ela está disponível o tempo todo, mas você precisa ter coragem de acessá-la para se tornar cocriador da própria vida. Ou então, continua aí deitado com este pijama sujo de sorvete, maratonando suas séries e reclamando que nada da certo para você. A escolha é sua.

Thiago Guimarães é psicoterapeuta e autor do livro “O Segredo da Mulher Maravilha”. Atende crianças, adolescentes, adultos e ca­sais. Atua em São José do Rio Preto, São Paulo e Rio de Janeiro. É palestrante, ministra cursos, workshops e escreve sobre relaciona­mento, comportamento e bem-estar. É colaborador de programas de televisão, jornais e revistas de circulação nacional.

Por Thiago Guimarães em 28/11/2019 23:59