Autoconhecimento

Televisão e celular prejudicam desenvolvimento das crianças

O cérebro da criança não tem maturidade suficiente para lidar com o excesso de sons, cores, imagens, movimentos e passa a trabalhar em ritmo acelerado

A televisão está ligada mostrando as aventuras de uma porquinha cor de rosa que adora saltar em poças de lama. Muitas imagens, cores e sons de gargalhada. O bebê não pisca. Está em outro mundo, hipnotizado olhando para tela, enquanto a mãe tenta preparar o jantar depois de um dia cansativo de trabalho. Esta cena se repete a cada dia na casa de praticamente todas as crianças. Colocar o bebê na frente da televisão foi a forma mais prática que os pais encontraram para o bebê ficar quietinho e não dar trabalho. Hoje, além da TV, há os videogames, tablets, internet e tudo isso compactado no celular, que é de fácil manuseio e pode ser levado para todo lugar como se fosse um brinquedo.

A vida corrida do pai e da mãe faz da televisão a babá perfeita. Por conta disso, o bebê que acabou de nascer vai receber uma avalanche de tecnologia já na primeira semana de nascimento, que certamente vai se intensificar nos próximos anos. Porém, o cérebro das crianças não tem maturidade suficiente para lidar com esses excessos. Ele fica sobrecarregado tentando absorver incontáveis informações como sons, cores, imagens, movimentos e passa a trabalhar em ritmo acelerado. Enquanto isso o corpo da criança está parado, estático, falsamente relaxado. Essa disparidade causa um desequilíbrio das funções neuronais, resultando em processos igualmente instáveis: agressividade, ansiedade, irritação e agitação. Lá na frente o resultado é Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), autismo, transtorno de coordenação, atraso no desenvolvimento, fala ininteligível, dificuldades de aprendizagem, transtorno de processamento sensorial, ansiedade, depressão e distúrbios do sono.

Na área científica já temos dados suficientes que comprovam a plasticidade cerebral – uma adaptação do cérebro em relação aos estímulos recebidos. Isso significa que crianças expostas frequentemente ao excesso de tecnologia modificam o funcionamento e a estrutura das conexões mentais. Quando permitimos o uso da tecnologia em excesso, nós estamos modificando o cérebro infantil, dando a ele uma hiperestimulação desnecessária e nociva.

As crianças precisam de movimento, toque, conexão humana e exposição a natureza. Estes tipos de estímulos sensoriais garantem o desenvolvimento de competências necessárias para o crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e relações sociais saudáveis. Na primeira infância, principalmente, o papel dos pais no desenvolvimento da saúde emocional dos filhos é fundamental, pois eles são os primeiros a incentivar o desenvolvimento da autoestima, da proteção da emoção, capacidade de trabalhar perdas e frustrações e de filtrar estímulos para que eles tenham uma infância saudável. A televisão e a tela do celular não podem fazer esse papel.

O que fazer?

Crianças com menos de dois não devem usar telas ou dispositivos eletrônicos em nenhuma hipótese. Procure brincar ao lado de seus filhos e interagir com eles face a face. Evite levar esses recursos para festas, restaurantes ou ambientes em que a criança terá oportunidade de interagir com outras pessoas. Substitua jogos eletrônicos por jogos concretos, mesmo que isso dê mais trabalho. Incentive as refeições em família e amplie momentos de comunicação e interação entre vocês. Limite o uso da tecnologia por 30 a 40 minutos por dia no máximo, incluindo smartphones, TV, computadores e jogos eletrônicos. Mantenha smartphones fora dos quartos e seja você também o exemplo: Desconecte-se de vez em quando!

Por Thiago Guimarães em 30/01/2020 23:59