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Famílias têm 30 dias para deixar favela

Ministério Público dá prazo para desocupação de área enquanto Prefeitura ainda procura alternativa para moradores que deixarem o local

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 O Ministério Público deu aval para que a favela da Vila Itália seja desocupada dentro de 30 dias, enquanto isso, a Prefeitura afirma que ainda não foi notificada do prazo e que continua os levantamentos para definir ações necessárias para oferecer alternativa aos moradores.Promotor que deu aval para a desocupação, Sérgio Clementino ressaltou, no entanto, que espera “uma prévia e exaustiva tentativa de saída pacífica dos ocupantes” antes do apoio policial.Segundo ele, há necessidade de o município disponibilizar albergues provisórios com capacidade e qualidade mínimas suficientes para atender os futuros desabrigados.

O parecer do MP foi emitido por solicitação judicial dentro da ação da Prefeitura que pede a reintegração de posse do assentamento.Entretanto, o promotor determina que “o uso da força física seja realizado somente em caso de extremado e último caso, depois de esgotadas todas as tentativas de saída pacífica”. O MP defende ainda que a Prefeitura de Rio Preto avise os moradores que vivem na favela sobre a desocupação. O prazo é de até 30 dias para que todos os moradores deixem o local. De acordo com levantamento da Prefeitura, moram na favela Vila Itália cerca de 500 pessoas, abrigadas em pelo menos 200 barracos.

 

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Quando a comunidade surgiu, havia dez barracos e, em um curto espaço de tempo, o número subiu vertiginosamente. A maioria das famílias que vivem ali é natural de outras regiões e veio para o interior do Estado de São Paulo em busca de emprego e melhor qualidade de vida. Entretanto, eles alegam que encontram imóveis com aluguéis caros e o desemprego.

Basta uma volta pela favela para encontrar moradias construídas de pedaços de madeiras e tijolos com telhas de amianto. O banheiro, como na maioria das favelas brasileiras, é uma fossa construída manualmente.

A catadora de recicláveis Marinalva Barros da Silva, de 57 anos, vive com a filha e uma neta de 6 anos, em um barraco de pouco mais cinco metros quadrados construído na favela.A única divisória de seu lar, com piso de chão batido, é um guarda-roupa. “É tudo junto. Sala, cozinha e guarda-roupa. É tudo uma coisa só”, conta.

A história é semelhante a de Maria Aparecida Mantovani Garcia, de 51 anos, que vive em um barraco com três filhos e o marido. Ela afirma não ter alternativa à favela.“Vão tirar a gente daqui, e aí? Para onde vamos? Estamos aqui hoje, não é por que queremos, e sim por falta de opção. É a nossa realidade. Vivemos com uma matemática simples, ou usamos nosso dinheiro para pagar o aluguel garantindo uma moradia, mas ficamos sem comer. Ou compramos alimentos e ficamos em um barraco”, afirma ela.

Outro lado

Procurada pela Gazeta, a Prefeitura informou apenas que ainda não foi notificada sobre o prazo para a desocupação e que continua estudando alternativas para as famílias.

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