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Máscaras no chão, cartas na mesa

Artigo escrito por Roberto Lima

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O “semancol” do presidente Michel Temer anda cada vez mais avariado, precisando de consertos e de uma calibragem urgente. O índice de desaprovação ao seu governo está em níveis vexatórios dentro e fora do Brasil. Temer aparece numa lista da versão online da revista americana “Time” como um dos cinco líderes menos populares do mundo. A revista brinca com a situação e diz que Temer, ao lado de nomes como o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e do primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, deixa o presidente americano, Donald Trump, “bem na fita”. Se o mal fosse só para ele, sem problema algum. O duro é que a impopularidade do presidente e seu apego ao poder causam um estrago enorme para a economia e para o já combalido desenvolvimento do Brasil. A figura de Temer já é tão impopular quanto foi a de sua antecessora, às vésperas do “impeachment”. Ele, alheio a tudo, quer se defender e permanecer no cargo, mesmo que isso custe ainda mais atraso, incertezas e retrocesso em nosso caminhar como Nação saudável. Mesmo que isso custe um cenário de dúvidas e afastamento de investidores em nosso solo, mesmo que isso custe ainda mais desemprego e desequilíbrio social.  Mas esse ego inflado e alterado não é mal só dele. A soberba dos políticos brasileiros parece um câncer a corroer qualquer tentativa ou expressão de dignidade e respeito. Tanto que, dias atrás, o senador afastado Aécio Neves chegou a dizer que sua prisão seria uma “aberração”.  É de rir, de nervoso. O inverso da ética, o contrário a valores caros e de virtude ganham força, se alimentam e se fortalecem nos bastidores de uma política bandida que fincou raízes em todas as instâncias desse País. Enquanto os poderosos de sempre se agarram ao poder sem qualquer responsabilidade ou compromisso com a Nação, seus advogados, conselheiros e equipes de governo trabalham com todos os recursos para driblar, ameaçar e encerrar a Operação Lava Jato. Atiram contra ela com artilharia pesada, montam estratégias levianas, correm por atalhos obscuros e não vão descansar enquanto tudo não voltar como era antes, ou seja, bandalheira generalizada nos porões e salões do poder em Brasília e em outras capitais, Brasil afora. É preciso que cada um assuma e pague pelos seus erros, seja qual for a cor política do sangue que lhe corre nas veias. É preciso que cada um desça do pedestal da impunidade e da arrogância e tome, pelo menos uma vez, uma atitude nobre, decente e elegante em favor da comunidade brasileira tão castigada e vitima de políticos algozes. Pelo menos por uma vez, é preciso que se caiam as máscaras, que se joguem todas as cartas na mesa e que a limpeza seja pesada. O Brasil não aguenta mais desaforos, ofensas e a mão pesada de governos corruptos.  A Lava Jato, nosso fio de esperança, não pode morrer.

Roberto Lima Filho

Doutor em Ortodontia pela UFRJ.
 

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