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Moradores da Favela Vila Itália entram em confronto com a PM durante manifestação

A manifestação fechou as duas pistas do viaduto que liga as avenidas Fortunato Ernesto Vetorasso e João Bernardino Seixas Ribeiro, uma das principais vias da Zona Norte. Três pessoas foram detidas

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Moradores da favela Vila Itália entraram em confronto com policiais militares na manhã desta quarta-feira, dia 5, durante um protesto realizado contra a posição da Prefeitura de Rio Preto de retirar os barracos sem uma alternativa de moradia. Durante a manifestação uma das principais via da zona norte foi fechada e o trânsito foi interrompido. Três pessoas foram detidas.

De acordo com informações, cerca de 150 moradores se reuniram próximo ao pontilhão que liga as avenidas Fortunato Ernesto Vetorasso e João Bernardino Seixas Ribeiro. O grupo interrompeu o trânsito e fechou a pista nos dois sentidos, ateando fogo em pneus e entulhos.

A Polícia Militar foi chamada e durante uma tentativa de liberação das vias, foi necessário o uso de bombas de gás, como explica o Aspirante Oficial da PM, Vítor Souza.

“Foi fechada toda via, quando a primeira viatura chegou ao local foi feita a tentativa de contato com os manifestantes, mas não houve contato. Eles se recusavam a conversar com a PM e começaram a ofendê-los. Foi solicitado apoio e com a chegada de reforço foram lançadas algumas granadas d efeito moral” explica.

Souza também explicou que ninguém se apresentou como líder ou porta voz dos manifestantes, mas PM conseguiu identificar alguns articuladores. Foi feita mais uma tentativa de contato com o grupo, que se recusava a dialogar.

“Logo após lançar as granadas, houve uma dispersão por parte do grupo. Com menos pessoas na via tentamos um segundo contato, mas sem êxito. Foram usadas mais algumas granadas e os manifestantes foram para baixo do viaduto. Nos aproximamos de um destes articuladores e pedimos seus documentos, mas ele tentou desvencilha-se, momento em que veio uma mulher em minha direção  e desferiu um soco contra meu rosto. Ela ainda tentou morder outro PM enquanto era detida” afirma.

Além da mulher, outros dois homens também foram levados para a Central de Flagrantes. “Quando conduzíamos a mulher para viatura, outros manifestantes começaram vir em nossa direção com paus e pedras. Momento que detivemos outros dois homens” conta o PM.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e apagou as chamas nos objetos que estavam sobre a pista. Agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) também estiveram no local para redirecionar o trânsito.

O protesto seria contra a Prefeitura de Rio Preto de retirar os moradores da favela. Eles alegam que não estão sendo oferecidas alternativas de moradia.

Em nota, a Prefeitura informou que, de acordo com dados da Pesquisa Socioeconômica realizada este ano pelas Secretarias de Habitação, Assistência Social e Educação, que foram entregues à Justiça e à Defensoria Pública, destacamos alguns números :

2/3 dos moradores da Favela (75%) vieram de fora de Rio Preto e metade deles de outros estados. E só 12% deles declararam  morar na cidade. Ainda de acordo com estudo 33% dos assentados declararam morar sozinhas e 45% deles não tem filhos.

Mais de 52%, ou seja, mais da metade dos moradores afirmam que estão trabalhando de forma formal ou informal e possui renda. Mais de 50%  nunca teria procurado os programas sociais como o ‘Bolsa Família’.

Ainda de acordo com a nota da prefeitura, 75% dos moradores que vivem na favela Vila Itália não estão inscritos em nenhum programa habitacional. E pelo menos 15 famílias que ali estão foram contempladas em programas habitacionais no passado, mas hoje não possui mais o imóvel.

Já a Secretaria da Habitação informa que não pode passar os ocupantes desse espaço – que é em parte público e em parte particular e de interesse ambiental –  na frente das outras pessoas que estão devidamente cadastradas nos Programas Habitacionais do Município e do Governo Federal, como o Minha Casa, Minha Vida.

De acordo com as regras do próprio Governo Federal, para serem contemplados os moradores deverão atender os critérios dos Programas Habitacionais da Caixa Econômica Federal e ainda comprovar residência em Rio Preto há mais de 3 anos.

A Prefeitura também alega que está dando total assistência à todas as crianças, idosos, gestantes e pessoas com deficiências que moram no local ocupado. E que a solução do problema é complexa e o município não tem recursos para pagar aluguel social a aproximadamente 200 famílias.

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