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Histórias que inspiram

Grupos e associações de Rio Preto e região não medem esforços para realizar trabalhos voluntários nas comunidades que atuam; bombeiros dão lição de vida ao realizar sonho de paciente da Rede de Reabilitação Lucy Montoro

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No poema “tecendo a manhã”, de João Cabral de Mello Neto, há uma reflexão sobre um gesto de solidariedade que leva a outro gesto, construindo uma corrente do bem. Em Rio Preto e região, há grupos e associações, que independentemente de religião, não medem esforços para fazer a diferença na vida de muitas famílias. Na maioria das vezes, com pouco dinheiro em caixa e reféns de doações, o time de voluntários vai à luta. Desde a venda de doces e salgados até a organização de bazares e almoços beneficentes. São homens e mulheres que ajudam pessoas que nem sequer tinham visto os rostos antes. São exemplos de solidariedade no anonimato. São inúmeras histórias. Uma em especial chamou a atenção de quem passou pela manhã de quinta-feira, dia 22, na avenida Jamil Feres Kfouri, onde ficam as instalações da Rede de Reabilitação Lucy Montoro. Um caminhão e outros dois veículos do Corpo de Bombeiros de Rio Preto estavam estacionados por lá. Nada de incêndio. Nem resgaste. Só a realização do sonho de um dos pacientes da rede de reabilitação. 

Luiz Figueiredo Neto, de 22 anos, sonhava ser bombeiro por um dia, o que nem mesmo a sua deficiência, Paraparesia (que provoca perda parcial das funções motoras dos membros inferiores ou superiores), foi capaz de impedir com a determinação dos bombeiros. Neto vestiu a farda, andou no caminhão com a sirene ligada e não conteve as gargalhadas ao disparar jatos de água em quem acompanhava desatento o seu dia traduzido por ele como “inesquecível”. (Leia mais abaixo) 

Outras dessas histórias serão contadas também durante o projeto Riopreto Shopping Solidário, que tem como principal objetivo divulgar e dar espaço para instituições que realizam trabalhados solidários nas comunidades onde atuam. O lançamento da edição 2018 do projeto foi na noite de quinta-feira, dia 22, na Praça 3 de Eventos do Riopreto Shopping. Já no domingo, dia 25, será realizada uma exposição de fotos e também a Feira Solidária. 

Lançado em 2016, o Riopreto Shopping Solidário já envolveu mais de 60 instituições de Rio Preto, Mirassol, Tanabi, Votuporanga, Fernandópolis, Valentim Gentil, Jales e Barretos. No início do ano, os produtores do projeto convidam instituições para fazerem parte da exposição de fotos, organizada pelo fotógrafo Ricardo Boni, que conta a história de cada participante para que o público possa conhecer como é possível ajudar. No decorrer do ano, todas essas instituições podem vender seus produtos e divulgar seu trabalho durante um fim de semana dentro do Riopreto Shopping e, por fim, acontece um encontro – a Feira Solidária – onde todos os participantes se reúnem para trocar experiências e arrecadar verba para os projetos desenvolvidos por eles.

Exposição e feira solidária

Na exposição deste ano no Rio Preto Shopping, o público poderá conhecer e se emocionar com o dia-a-dia das seguintes instituições: AFUPACE – Recanto da Tia Marlene (Votuporanga); AMA – Associação dos Amigos Autistas; Amigos da Hippo; Asilo São Vicente de Paulo; Associação Espírita Maria de Nazaré; AVOHB Associação dos Voluntários do Hospital de Base; Cia de Dança Procuru; Clube do Livro; Cursinho Popular Carolina Maria de Jesus; Fraterna; GEAL – Grupo Espírita André Luiz; Hospital de Amor (Hospital do Câncer de Barretos); Hospital de Amor (Hospital do Câncer de Jales); Igreja Bola de Neve – projeto social Avalanche; Instituto As Valquirias; LBV – Centro Comunitário e Educacional da Legião da Boa Vontade; Os Sonhadores (Fernandó- polis); Projeto Garotas Brilhantes; Projeto Ioiô Reciclagem de Brinquedos (Cedral); Projeto Pescar; e Raio de Luz (Tanabi). Até domingo todos podem fazer parte da Feira Solidária prestigiando os estandes das instituições que fi – zeram parte do Riopreto Shopping Solidário 2017. No local, estarão à venda produtos com renda 100% revertida para os projetos realizados pelas instituições.

O chamado para a realização de um sonho

Diferentemente do habitual, na manhã de quinta-feira, dia 22, três viaturas do Corpo de Bombeiros deixaram o quartel da Corporação na avenida dos Estudantes e, ao invés de combater chamas de um incêndio ou realizar algum tipo de resgate, os soldados tiveram uma missão totalmente diferente das que estão acostumados a atender: desta vez eles iriam realizar o sonho de um paciente da Rede de Reabilitação Lucy Montoro.

Luiz Figueiredo Neto, de 22 anos, sofre de uma deficiência chamada Paraparesia, que provoca perda parcial das funções motoras dos membros inferiores ou superiores. Devido à limitação, ele não pode ingressar à corporação, mas isto não impediu que seu sonho fosse realizado. Mesmo por um curto período de tempo, ele foi bombeiro. Quando as equipes chegaram ao Lucy Montoro, Luiz Neto, de imediato, percebeu a movimentação, mas não imagina o que estava por vir. Só percebeu mesmo quando bombeiros entraram na sala onde ele realizava terapia. Depois de uma breve conversa, recebeu o convite para fazer parte da corporação, de se tornar, pelo menos por minutos, um bombeiro. De imediato a resposta foi sim.

Luiz pode vestir a farda dos soldados durante combate a incêndios, incluindo o capacete de segurança. Por não poder se deslocar por meios próprios, “o novo integrante da corporação” foi escoltado pela guarnição até a viatura. Lá pode manusear a mangueira.

Logo no primeiro esguicho, o sorriso no rosto do jovem e os olhos lacrimejados da mãe mostravam que aquele simples jato d’água era especial, mais do que isso, era mágico. Naquele instante Luiz, era o bombeiro Neto. E então veio um novo convite, irrecusável: uma volta no caminhão da corporação. Ao afastar do hospital, as sirenes foram acionadas, o que fez brotar um enorme sorriso de Luiz, ou melhor, do bombeiro Neto. Os carros abriram caminho para aquela viatura que não atendia a um pedido de socorro, mas sim, realizava um sonho até então impossível.

(Colaborou Alex Pelicer e Luciano Moura)

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