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Mortes por engasgamento acendem alerta de como proceder nestas situações

Em menos de uma semana, duas pessoas morreram – uma criança de 5 anos e uma mulher de 41 – engasgadas com alimentos; médicos alertam para ações rápidas que podem salvar vidas

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Uma criança e uma mulher morreram engasgadas com alimentos nesta semana em Rio Preto. As duas vítimas chegaram a receber os primeiros atendimentos de familiares, mas não resistiram. No primeiro caso, o garoto de cinco anos engasgou com um pedaço de salsicha. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Beneficência Portuguesa, já com parada cardíaca.

Na tarde do domingo, dia 11, médicos confirmaram a morte cerebral da criança. Dois dias depois, uma aposentada de 41 anos engasgou com um pedaço de carne. Familiares tentaram prestar os primeiros socorros, mas ela não resistiu e morreu antes da chegada dos socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Nos dois casos, médicos aguardam laudos necroscópicos para apontar as causas das mortes, mas nas duas situações a principal suspeita é de asfixia mecânica. O médico cardiologista e responsável pelo Laboratório de Especialidades da Funfarme, Gilmar Greque, explica o que ocorre no corpo durante um engasgamento. “Em uma situação normal, quando se faz a deglutição, a epiglote fecha a entrada da traqueia do pulmão, assim o alimento vai para esôfago. Em algumas situações, essa mucosa é alterada e a traqueia é bloqueada por algum corpo estranho –  podendo ser por alimentos, líquidos ou qualquer tipo de objeto –  dificultando ou impedindo a respiração. Em alguns casos, o engasgamento é considerado uma emergência médica, podendo até mesmo levar a pessoa à morte por asfixia”.

Existem duas situações de engasgamento: aquela que se trata de uma obstrução parcial, quando, a pessoa consegue tossir, falar e respirar, mas com ruído. É necessário auxílio e orientar a vítima a tentar tossir para expelir o corpo estranho.

O caso de maior gravidade, que pode levar a morte é quando ocorre a obstrução total. A vítima sente asfixia total, porque não existe passagem de ar. A vítima não consegue respirar e nem falar. Nesta situação é necessário agir rapidamente para a obstrução não resultar em morte.

Conhecida como manobra de Heimlich, o procedimento é uma técnica de emergência que consiste na realização de uma série de pressão sobre o diafragma da pessoa engasgada, o que provoca uma tosse forçada, que faz com que o objeto seja expelido.

“A pessoa que irá prestar o socorro deve ficar atrás da vítima e posicionar uma de suas pernas entre as pernas da pessoa socorrida, servindo de base caso ela desmaie. É necessário que se feche uma das mãos na altura do estomago e se faça o movimento para dentro e para cima. Esta pressão positiva irá expelir o objeto que está obstruindo as vias”, explica o cardiologista.

Em bebês com menos de um ano a manobra dever ser realizada de forma diferente. “O primeiro passo é colocá-lo de bruços sobre um dos braços do adulto, encaixando o queixo da criança entre dois dedos. Com a mão livre, dar tapas leves nas costas para provocar a saída do que estiver obstruindo as vias aéreas. Caso a criança continuar engasgada, vire-a com a barriga para cima e faça cinco compressões torácicas e torne a repetir o procedimento anterior”, explica a enfermeira Daniela Bortoletto da Silva.

“É importante ressaltar que durante os procedimentos, a pessoa que está prestando o socorro jamais deve tentar retirar o eventual objeto com as mãos, ao menos que se consiga vê-lo ao abrir a boca da criança, porque há o risco de acabar empurrando ainda mais para baixo”, completa o cardiologista Gilmar Greque.

Mesmo realizando os procedimentos, o socorro médico especializado deve ser acionado. “Se possível, enquanto uma pessoa está realizando as manobras de Heimlich, é indispensável que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros sejam acionados. Nestas situações, quanto mais rápido o socorro, maior é a chance de sobrevivência nos casos mais graves”, afirma Greque.

Todos os atendentes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e do Samu são altamente capacitados para instruir como agir em uma situação de engasgamento até a chegada das viaturas no local.

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