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Trânsito não tem data para implantação da Onda Verde

Promessa era que projeto de sincronização de semáforos estive em operação desde janeiro; Prefeitura alega falta de comunicadores em cruzamentos da região central

Prometida para ter sido implantada no mês de janeiro, a sincronização dos semáforos nas vias da região central de Rio Preto não tem prazo para o início do funcionamento. De acordo com a Secretaria de Trânsito “o prazo foi sendo prorrogado entre a Caixa Econômica Federal, Secretaria de Obras e empresa (Constroeste), e após a entrega, estaremos fazendo os ajustes necessários para garantir a sincronização”, diz em nota.

A pasta alega que não é possível realizar a sincronização dos aparelhos “pois não estão instalados os comunicadores, pois cada cruzamento tem um controlador e um comunicador”.

A Secretaria Municipal de Trânsito justifica a demora pelo fato de que em muitos cruzamentos os semáforos ainda não foram instalados. “Precisamos que todos os equipamentos estejam instalados, para podermos fazer a programação de tempo, e sincronizar os corredores, garantindo uma melhor fluidez”, afirma por meio de nota.

Em reportagem à Gazeta de Rio Preto, em fevereiro deste ano, o secretário de Trânsito, Amaury Hernandes, informou, por meio de nota, que o sistema não foi implantado porque “a empresa que está construindo as obras de Mobilidade Urbana, em virtude das férias coletivas dos fornecedores, não foi possível instalar todos os equipamentos, mas estamos agilizando para finalizar”.

Segundo ele, os contadores e controladores já foram instalados, mas faltam os comunicadores, que são equipamentos responsáveis pela sincronia.

A chamada onda-verde é um sistema pelo qual seria permitido ao motorista que trafega em velocidade média de 45 km/h encontrar todos os semáforos da via abertos simultaneamente. O sistema faria com que o fluxo de veículos pudesse escoar de forma inteligente pelas vias do quadrilátero central. Os nove corredores exclusivos para ônibus receberão o sincronismo nos semáforos.

A Prefeitura de Rio Preto gastou no ano passado cerca de R$ 6,4 milhões na troca e modernização de semáforos em vários pontos da cidade. Em julho de 2018 começou a substituição dos 32 aparelhos na avenida Alberto Andaló. Mas, mesmo com o fim da troca dos equipamentos, o trânsito ainda não flui como deveria o que vem causando transtornos aos motoristas, principalmente nos horários de picos. Marcelo Pinheiro de Lima, 35 anos, que trabalha com entrega de mercadorias, afirma que a falta de sincronia muitas vezes o obriga a cortar caminho pelos bairros ao redor da área central. “Como preciso fazer entregas prefiro cortar caminho do que esperar nas ruas do centro. Você anda um quarteirão e no próximo tem que parar. Incrível”, diz. Para Antônio Moraes, bancário, de 47 anos, sem sincronia o trânsito que já é lento, fica pior. “Nos horários de picos, avenidas Bady, Andaló e ruas transversais ficam intransitáveis. O acelera e para faz a gente perder a paciência. Falta planejamento”, comenta. “Não existe inteligência. Rio Preto é tão grande, desenvolvida, e não consegue resolver um problema técnico”, diz Abidael Braga, comerciante, de 51 anos.

Velho problema

Não foi por falta de tempo que o projeto onda verde tem falhado. A sincronia dos semáforos foi anunciada pela Secretaria de Trânsito em dezembro de 2011. O processo aconteceria em três etapas. A primeira seria a troca de fiação e instalação de novos controladores. Isso teve um custo de R$ 418 mil, financiados pelo Fundo Nacional de Trânsito (Funtran).

A segunda etapa, que teve início a em outubro de 2012, era a instalação da central de sincronização dos semáforos. A empresa Tesc Sistemas e Controles Ltda, de São Paulo, venceu licitação e assinou contrato no valor de R$ 560 mil para a implantação. O prazo era de 150 dias.

A terceira fase é o monitoramento via rádio para adequar a sincronia. Nesta etapa, o processo emperrou. A empresa Tesc garantiu na ocasião que o sistema estava implantado, faltando apenas a Prefeitura adicionar dados (tempo de abertura e fluxo de veículos) para acontecer a sincronia.

À época, o secretário municipal de Trânsito, Aparecido Capello, reconheceu a falta de dados e disse que contrataria mais funcionários para o serviço. A sincronização dos aparelhos teve custo superior a R$ 500 mil. Em 2012, a empresa Tesc Sistemas de Controle ganhou licitação do serviço. Entre 2011 e o 2016 recebeu R$ 508 mil da Prefeitura, segundo o Portal Transparência, mas mesmo assim o serviço ainda não foi implantado 100%.

A Secretaria de Trânsito havia informado que ao todo seriam substituídos 32 aparelhos na avenida Alberto Andaló e outros 63 na Bady Bassitt. Outros 136 semáforos veiculares seriam instalados nos outros sete corredores de ônibus. O investimento também prevê a implantação de 436 semáforos destinados aos pedestres. Ainda de acordo com a Prefeitura, o valor de cada semáforo veicular instalado é de R$ 18,7 mil, já o de pedestre o preço unitário é de aproximadamente R$ 4,7 mil.

 

Por Raphael Ferrari em 25/04/2019 às 23:59
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