Cidades

Semae faz coleta de amostra para iniciar desassoreamento da Represa Municipal

Pedido de licenciamento deve ser encaminhado em 90 dias para a Cetesb e a licitação disparada até junho; os Lagos 1 e 2 da Represa Municipal são os mais comprometidos, de acordo com o Semae

O Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) deu início a coleta de amostras do material depositado no leito dos Lagos 1 e 2 para iniciar o desassoreamento da Represa Municipal. O superintendente do Semae, Nicanor Batista, disse que o resultado da análise vai embasar o pedido de licença ambiental junto à Cetesb (Companhia Ambiental do estado de São Paulo). O pedido deve ser feito nos próximos 90 dias.

Nicanor disse ainda que a superintendência realiza outras frentes de trabalho. A obra vai durar entre 12 e 18 meses. A previsão é que ela custe R$ 24 milhões. O Semae também vai pedir licença para o local que vai receber o resíduo. “É uma obra demorada porque é preciso decantar o material” previsto, inicialmente, com uma composição de 80% de líquido”, afirma Nicanor. Após a decantação, ele será transportado para o local que ainda não foi definido. A análise e o pedido de licenciamento é uma exigência do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

No ano passado, um projeto do vereador José Carlos Marinho, PSB, exigia que o município realizasse um desassoreamento radical nos três lagos. O projeto foi retirado pelo próprio autor. Determinava, entre outras coisas, que a profundidade da Represa Municipal tivesse dois metros tanto na margem direita quanto na esquerda, e que o leito central alcançasse quatro metros. O superintendente disse que solicitou a retirada do projeto porque ele não é tecnicamente viável. “Se a gente aprofundar o leito próximo à margem em dois metros a avenida Lino Seixas (oposta à Swfit) desaparece. O último desassoreamento na Represa Municipal foi feito pelo ex-prefeito Antônio Figueiredo de Oliveira, que governou entre janeiro de 1999 a dezembro de 1991. Sem um projeto ou qualquer autorização, a obra se estendeu por quase todo o mandato e acumulou centenas de toneladas de terra e outros resíduos nas duas margens.

À época, Toninho tentou “aterrar” parte da margem da avenida Lino Seixas e provocou a queda do barranco que arrastou uma passarela para dentro do Lago 2, onde hoje é o Hospital Nossa Senhora das Graças. O preço final duplicou.

Nicanor afirmou que a obra é demorada porque tem que colocar uma barcaça com uma superestrutura para a retirada do resíduo dentro da represa. O trabalho é lento. Ela vai trabalhar durante o dia. Ele ainda não pode estimar o volume de material que será removido e nem quantos caminhões serão usados para o transporte do material. Esse cálculo será feito apenas depois dos exames e verificações técnicas que estão em andamento.

O exame do resíduo tem que ser feito para que a Cetesb tenha condições de avaliar onde e como o material poderá ser armazenado. Em ano eleitoral, a Prefeitura ou a empresa pública não pode realizar licitação dentro dos seis meses anteriores à data de votação.

A exceção é para obras que já tenham o dinheiro “provisionado”. Em caixa e destinado para aquele fim. O Semae provisionou R$ 12 milhões para gastar este ano com desassoreamento. Entre outros benefícios, vai aumentar a capacidade de captação de água para o consumo humano pela ETA (Estação de Tratamento de Água) do Palácio das Águas. Vinte e cinco por cento da água consumida em Rio Preto é captada na Represa Municipal.

Por Rubens Celso Cri em 09/01/2020 23:59
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