Cidades

Feriado antecipado comemora Revolução em que paulistas lutaram contra o governo

Em 9 de julho de 1932 o estado de São Paulo se levantou em armas contra o presidente Getúlio Vargas, que prometeu convocar uma constituinte, mas seguia no cargo como ditador

Segunda-feira, dia 25, é feriado em todo estado de São Paulo. É um feriado sanitário, segundo o Secretário Estadual de Saúde, Dimas Covas, PSDB. Na verdade, é a antecipação do feriado estadual de 9 de julho, em que o estado de São Paulo comemora a Revolução Constitucionalista de 1932. Foi um movimento solitário.

Como o nome diz, foi uma Revolução para exigir que o presidente Getúlio Vargas cumprisse a promessa feita quando recebeu o apoio dos paulistas para derrubar a Primeira República, ou Velha República e popularmente chamada de República do Café com Leite. Vargas derrubou o 13º presidente do Brasil, Washington Luís. Júlio Prestes, eleito em 1929, seria o 14º, mas não chegou a tomar posse. A Primeira República começou em 1889 com a derrubada de D. Pedro II.   

Militar, Vargas saiu do Rio Grande do Sul, passando por Santa Catarina, Paraná e São Paulo, angariando apoios com a promessa de convocar uma eleição constituinte, promulgar uma nova Constituição, e realizar eleições livres, com todos os brasileiros votando. Antes, só votavam homens e com posses. Era o voto censitário. Como não cumpriu a promessa e não dava sinais de que o faria, São Paulo se rebelou e iniciou um movimento armado para derrubá-lo.

A Revolução havia sido articulada com Minas Gerais, Paraná e até com setores gaúchos. Mas num movimento rápido, Vargas retirou mineiros, paranaenses e gaúchos do movimento e em menos de seis meses venceu a batalha. Mas a pressão política para a convocação de uma eleição constituinte aumentou e ele a convocou, em 1934, e promulgou uma Constituição. Ela não durou muito. Em 1937 ele deu um autogolpe, decretou o fim da Constituição, fechou o Congresso, Assembleias e Câmaras, cassou governadores e prefeitos, nomeou novos governadores e intendentes, que são substitutos de prefeitos, e governou como ditador até ser derrubado em 1944. 

Rio Preto foi um dos polos mais distantes do centro do controle da Revolução Constitucionalista em 1932. Há quase 500 quilômetros de São Paulo. Mas a população civil se engajou, incluindo as mulheres. Havia postos de alistamento voluntário. Rio-pretenses lutaram nas proximidades de Fronteira, na divisa com Minas. A rua Voluntários de São Paulo é uma homenagem aos civis que se engajaram voluntariamente. O ex-deputado federal por Rio Preto, Octacílio Alves de Almeida, foi combatente e se feriu nas proximidades da divisa com o Rio de Janeiro, no Vale do Paraíba. Rio Preto mantém um monumento ao soldado constitucionalista. Inicialmente ele ficava no cemitério da Ressurreição, na Vila Ercília, e hoje está na frente do Fórum, no Centro.

A data é comemorada pelos últimos combatentes ainda vivos, que pertencem ao Movimento MMDC, um dos braços da Revolução, pela Polícia Militar, Legislativos e Executivos. A data é um feriado estadual. Na verdade, à época chamada de Força Pública, a PM foi, basicamente, o exército paulista. Os líderes foram presos e exilados. Entre eles, o General Euclides Figueiredo, pai do ex-presidente General João Figueiredo de Oliveira, último presidente da ditadura militar. Segundo Figueiredo, ele concedeu a anistia no final da ditadura justamente porque passou 9 anos no exílio com o pai e disse que sabia exatamente o tamanho do sofrimento que foi viver exilado.   

O motivo

Para vários historiadores, a Revolução de 1932 não foi um movimento espontâneo da população. Ele teria sido insuflado por grandes latifundiários do café que haviam perdido o poder e a capacidade de gerar negócios milionários com a derrubada da Primeira República ou a República do Café com Leite. A elite financeira paulista financiou o movimento. Outros historiadores, no entanto, apontam que foi um levante popular por causa da frustração causada pelas promessas não cumpridas por Getúlio, embora tenha sido financiado por latifundiários, os homens mais ricos do país, à época. São Paulo era uma espécie de país paralelo dentro do território nacional e emitia títulos do tesouro. 

Para a Revolução, chegou a encomendar uma frota de aviões para criar uma Força Aérea local. A entrega de parte dos aviões foi interceptada por Getúlio e, por causa disso, a outra sequer saiu dos Estados Unidos. Os aviões foram pagos, mas não entregues. Após a Revolução o estado foi proibido de emitir os títulos públicos e gerar um tesouro paralelo ao do governo federal. O movimento, no entanto, trouxe inovação, pesquisa e indústria de transformação. Colocou São Paulo na vanguarda nacional. Um dos reflexos imediatos foi o nascimento da maior Universidade da América Latina, a Universidade de São Paulo, USP, fundada em 1934.

Por Rubens Celso Cri em 24/05/2020 16:00
Taflex 28/05/2020