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Semae expõe ao ministro como será a captação de água do rio Grande

A expectativa é que o projeto seja entregue ao Semae ainda neste ano; estão previstas duas estações (de captação e uma de tratamento), 54,6 quilômetros de aquedutos e água para 1 milhão de habitantes

O Semae – Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto de Rio Preto, fez uma exposição do projeto de captação da água do rio Grande ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, na última sexta-feira, dia 7 de agosto. Essa primeira fase, a elaboração do projeto, é feita com financiamento do governo federal pela empresa Estática Engenharia. Ao ministro foi repassado os detalhes que a empresa repassou ao Semae. 
 
Numa segunda etapa, assim que receber o projeto, fará uma apresentação. Prevista para o mês de março, a entrega foi adiada por causa da pandemia do coronavírus. Assim que a situação voltar ao normal a empresa fará a apresentação ao Semae e à imprensa. A primeira etapa do projeto executivo do Sistema Produtor Rio Grande já foi apresentada aos órgãos técnicos. Quando estiver em plena operação, o rio Grande poderá disponibilizar para São José do Rio Preto 3 m³ por segundo, o suficiente para abastecer uma população de mais de 1 milhão de habitantes.

Inicialmente, o projeto prevê a captação de água bruta no rio Grande a jusante (abaixo) da Usina de Hidroelétrica de Marimbondo, com a tomada de água por meio de um canal transversal à margem do rio. Estão previstas a construção de duas estações elevatórias. A primeira de baixa carga com bombas submersíveis. A segunda de alta carga, com bombas de eixo horizontal. A água será conduzida até a ETA Norte por uma adutora com diâmetro de 1,5 metro e 54,6 quilômetros de extensão conectada à estação elevatória de alta carga.

Também está prevista a construção de uma estação de tratamento de água tipo convencional em ciclo completo e a macro distribuição de água tratada a partir do reservatório pulmão da ETA Norte. Essa distribuição será feita por 46,4 quilômetros de adutoras e 75,4 quilômetros de ramais, num total de 121 quilômetros de extensão distribuídos pelo município de Rio Preto.

A obra tem um custo total estimado de R$ 846 milhões, sendo R$ 773 milhões na primeira etapa, quando serão produzidos 1.500 l/s e R$ 72 milhões na segunda etapa, quando sistema terá capacidade de produzir R$ 3.000 l/s. O Sistema Produtor Rio Grande será complementar a atual produção de água feita pelo Semae.

“A captação de água no rio Grande vai possibilitar que o Semae faça um uso mais racional do atual sistema que abastece a cidade. Os poços deficitários, aqueles que apresentam problemas e mesmo por questões estratégicas poderão deixar de produzir”, explicou Nicanor Batista, superintendente da autarquia municipal. Todo o planejamento feito pela Estática foi projetado para um período de 30 anos.

“O Semae é uma autarquia superavitária. Isso significa que podemos levantar um financiamento em bancos de fomento ou no BNDES, com juros subsidiados, pois temos condições de fazer os pagamentos das parcelas. Além disso, existem outros mecanismos que poderão ser utilizados para viabilizar o projeto, como verbas federais”, disse.

A empresa Estática Engenharia Ltda. venceu a licitação para a elaboração de estudos de concepção ambiental, projetos básicos e executivos de um novo sistema de captação, tratamento e adução de água para Rio Preto, denominado Sistema Produtor Rio Grande. 

Atualmente, o Semae produz 3.900.000 m³ por mês de água tratada, sendo 25% originários da ETA – Estação de Tratamento de Água; 50%, dos 360 poços do Aquífero Bauru (até duzentos metros de profundidade); e 25%, dos oito poços profundos do Aquífero Guarani (a partir de mil metros de profundidade). A quantidade é suficiente para abastecer os 450 mil moradores de Rio Preto, mais a população flutuante da cidade, que somados aproximam-se dos 500 mil habitantes.

O prefeito Edinho Araújo diz que o projeto vai ser bancado pelo caixa do Semae e empréstimos de linhas de crédito para a infraestrutura urbana de bancos públicos e pelo governo federal. Para sair do papel, ele terá que percorrer um longo caminho da burocracia nacional. Por outro lado, hoje é consenso entre os especialistas, que Rio Preto não tem outra alternativa para garantir que não falte água num futuro próximo.

Por Rubens Celso Cri em 09/08/2020 06:00