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“A Coronavac é semelhante a vacina da gripe, ela evita a internação”, diz virologista da Famerp

Eficácia global dos estudos divulgados pelo Governo do Estado é de 50,38%, superior à exigida pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Dos 600 voluntários testados no estudo da fase 3 da Coronavac realizado em Rio Preto (e dos 9 mil testados no Brasil), nenhum deles apresentaram reações adversas graves ou precisaram de internação. A informação foi confirmada pelo virologista e professor da Famerp, Maurício Lacerda Nogueira, que coordena a pesquisa no município, durante coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (12), no Centro de Convenções da faculdade. A pesquisadora Eliane Favaro, que conduziu os estudos no Centro de Pesquisas da Vila Toninho, também participou do evento.

Aproximadamente 9 mil pessoas foram avaliadas no primeiro momento. “Nós temos uma vacina extremamente segura, cujo nenhum adverso grave ocorreu. Ninguém virou jacaré”, afirmou o virologista.

A pesquisa, realizada há cinco meses com 12,5 mil voluntários em 16 centros científicos no Brasil, atestou que o imunizante oferece ampla proteção contra o coronavírus. Na tarde de hoje, o Instituto Butantan e o Governo de São Paulo informaram que a vacina contra a Covid-19 teve 50,38% de eficácia global do estudo clínico realizado no país, número superior ao exigido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 50%.

O estudo também mostrou que a eficácia de proteção em pacientes com casos leves é de 78% e 100% contra os casos moderados e graves da doença.

“O estudo foi feito com profissionais de saúde expostos ao vírus, em uma grande quantidade de vírus. Não quero discutir se a vacina é melhor ou pior, o trabalho foi árduo. O Butantã tem dezenas, milhões de doses para vacinar a população nessa primeira etapa, para que a gente volte ao novo normal ou ao normal que a gente gostaria”, afirmou o virologista.

Nogueira ainda explicou que, se 10 pessoas tomarem a vacina e estiverem reunidas no mesmo ambiente e chegar uma pessoa contaminada pela Covid-19, apenas três pessoas terão os sintomas da doença. O restante não sentirá nada e nenhuma dessas pessoas precisarão ir ao hospital.

“A Coronavac transforma a Covid em uma gripezinha”, simplificou o pesquisador, que comparou o imunizante a vacina da gripe. “Essa vacina (Coronavac) é semelhante a vacina da gripe, ela evita a internação”, explicou.

O virologista disse ainda que os voluntários que receberam placebo durante os testes deverão ser vacinados com a Coronavac nos próximos dias, após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Vacinação

O virologista acredita que a população do grupo de risco deve ser vacinada até julho deste ano. Pessoas em geral deverão ser vacinadas apenas no segundo semestre. “Teremos um 2021 ainda de pandemia, mas os casos vão diminuir”, explicou.

Sobre a obrigatoriedade da vacina, o médico disse que não é contra pessoas que preferem não tomar o imunizante, mas defende medidas rigorosas de proteção.

“Eu sou uma pessoa filosoficamente liberal até o ponto em que sua vida coloca em risco a vida dos outros. Sou contra qualquer obrigatoriedade, mas sou a favor de limites. Se você não quer se vacinar, ótimo. Direito seu. Mas essa pessoa deveria ser proibida de entrar em shoppings, em ônibus, em escola. A pessoa pode ter a opção de não tomar a vacina, só que ela convive com pessoas que não tem a opção de não tomar a vacina porque tem doenças ou limitações e ela só fica protegida se nós formos realmente uma manada nesse aspecto. Vacinação não é um ato de saúde individual, é um ato de saúde comunitária, um ato de amor a população”, disse.

O estudo

O estudo verificou que a menor taxa foi registrada em casos de infecções muito leves, considerados score 2 e verificados em pacientes que receberam placebo. De uma amostragem de 9,2 mil participantes, 85 dos casos muito leves foram de pessoas que receberam vacina, e 167 em voluntários que tomaram placebo.

Já o resultado de eficácia dos casos leves, classificado como score 3, em pacientes que precisaram receber alguma assistência, foi de 77,96%, sendo que sete pessoas haviam recebido a vacina, e outras 31, placebo.

Para os casos moderados e graves que necessitaram de hospitalização, a eficácia foi de 100%. Nenhum paciente infectado que recebeu a vacina do Butantan precisou de internação. Entre os que tomaram placebo, houve sete pacientes que precisaram de internação.

Todo os voluntários são profissionais de saúde, com risco muito alto e contínuo de exposição ao coronavírus. Eles receberam duas doses da vacina, com intervalos de duas semanas entre cada aplicação. A pesquisa também demonstrou que o imunizante é extremamente seguro – nenhuma reação adversa grave foi registrada entre os participantes.

A vacina

A vacina é desenvolvida pelo Butantan há pouco mais de seis meses, em parceria internacional com a biofarmacêutica Sinovac Biotech, sediada em Pequim. O produto é baseado na inativação do vírus Sars-CoV-2 para induzir o sistema imunológico humano a reagir contra o agente causador da COVID-19. A tecnologia é similar à de outras vacinas amplamente produzidas pelo instituto de São Paulo.

Em novembro, a revista científica Lancet, uma das mais importantes no mundo, publicou os resultados de segurança da vacina do Butantan nas fases 1 e 2, realizados na China, com 744 voluntários. A publicação mostrou que o produto é seguro e capaz de produzir resposta imune em 97% dos casos em até 28 dias após a aplicação.

Doses

O Butantan já dispõe de 10,8 milhões de doses da vacina em solo brasileiro. No final de março, a carga total de imunizantes disponibilizados pelo instituto é estimada em 46 milhões de doses. O Plano Estadual de Imunização tem início previsto para o próximo dia 25.

O resumo do estudo clínico com os dados de eficácia para os diferentes tipos de casos do coronavírus está disponível para download em https://issuu.com/governosp/docs/apresenta__o_instituto_butantan__1_

Por Karol Granchi em 12/01/2021 18:13