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Perito acusado de fraudar laudo é exonerado

Ex-servidor também atuou no caso do descarrilamento do trem, em 2013, em Rio Preto, no Jardim Conceição

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Divulgação/Governo de SP

O perito criminal William Luiz Cruz dos Santos, condenado por improbidade administrativa após acusação de fraudar um laudo pericial para favorecer um suspeito de assassinado, foi exonerado pelo Governo de São Paulo. A formalização, por meio de publicação no Diário Oficial do Estado, assinada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi na última sexta-feira (17).

William atuava no Instituto de Criminalista de São Paulo, subordinado à Secretaria de Segurança Pública (SSP). Segundo o Ministério Público (MP), ele e outro colega receberam R$ 3 mil para produzir um laudo balístico que confrontasse um relatório de perícia anterior em um caso de homicídio, registrado em 2011, na cidade de Nova Granada.

Na época, a investigação do caso apontou que o autor do crime havia matado o desempregado Ramiro Barbosa dos Santos, então desempregado de 29 anos, com três tiros na cabeça e dois no braço enquanto andava de bicicleta. A motivação seria vingança por causa do assalto na casa da mãe do acusado, de onde levaram um botijão de gás.

Durante as investigações, um irmão do suspeito procurou o perito para pedir ajuda. Para tentar inocentar o acusado, o familiar queria que o funcionário público fizesse um laudo pericial que se opusesse ao relatório feito pelo Instituto de Criminalística.

O perito e o colega teriam aceitado o serviço. Contudo, como eram servidores da Segurança Pública, forjaram a assinatura de um perito particular para validar o documento. A manobra só foi descoberta porque o perito que supostamente assinou o segundo laudo foi convocado pela Justiça para o júri popular e, na ocasião, revelou que não tinha conhecimento do material e que não tinha sido produzido por ele.

A Polícia Civil passou a investigar a defesa de acusado e descobriu o arranjo feito pelo irmão. Em agosto de 2017, William foi denunciado por improbidade administrativa. Em junho do ano seguinte, foi condenado à perda do cargo público por decisão da 1ª Vara da Fazenda Pública da capital.

O perito criminal interpôs uma série de recursos, até que o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em outubro de 2022. A decisão foi mantida pelos ministros.

William foi condenado a 11 anos de prisão em regime fechado por falsificação de documentos e enriquecimento ilícito, em sentença da Vara de Nova Granada. Na defesa, o perito confirmou ter sido procurado pelo irmão do acusado de assassinato, mas disse que se negou a produzir o laudo e só intermediou o pagamento do relatório, que foi feito por outro perito.

William também foi o perito responsável pelo laudo sobre o descarrilamento do trem que terminou na morte de oito pessoas, em 2013, no Jardim Conceição. Segundo o então servidor público, o acidente teria ocorrido devido a “uma combinação de fatores resultaram no colapso do solo, provocando o rebaixamento do lastro, dos dormentes e dos trilhos”.

A reportagem não conseguiu contato com o perito, que está foragido.

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