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Artistas do Núcleo 2 ficam 12 horas em cena no espetáculo “Ensaios para Ninguém – Espermatozoides”

Apresentação gratuita une teatro, música, dança e outras linguagens para falar do homem deste século, na Praça Dom José Marcondes, sábado, dia 14, das 9 às 21h

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Três forasteiros chegam pela manhã à praça central de uma cidade e montam acampamento. Nômades colecionadores de homens, por onde passam, captam histórias, retratos, sentimentos e coisas físicas que se regeneram. São como espermatozoides tentando chegar ao útero.

Esse é o fio condutor de “Espermatozoides”, do Agrupamento Núcleo 2, espetáculo de artes integradas que ocupará o Centro de Rio Preto por 12 horas ininterruptas neste sábado (dia 14). 

Para assistir à “jornada”, não é preciso comprar, tampouco reservar ingresso. Basta passar, entre às 9 e às 21 horas, pela Praça Dom José Marcondes, onde o espetáculo irá transcorrer. Em suas 12 horas de duração, uma série de ações se desenrola, envolvendo teatro, dança, artes visuais, instalações, palestra e performances.

“Todas as ações desencadeadas pelos forasteiros lançam um olhar para o homem deste século, marcado pelo excesso de informações, o trabalho compulsivo e o culto fervoroso à imagem que temos de nós mesmos”, explica Jef Telles, diretor do Núcleo 2, responsável pela concepção e direção do espetáculo, cuja dramaturgia foi construída de forma coletiva.

Quem dá vida à obra são os atores Cássio Henrique e Alison Bernardes, o músico André Fernandes, o artista plástico Paulo Fuscaldo e o bailarino Vinícius Francês. Além de atuar, Fernandes toca um tema instrumental e interpreta uma canção composta para o trabalho, que tem letra coletiva. Já Fuscaldo leva sua arte para o chão da praça, desenhando ao vivo com cal e água, usando um pulverizador, e giz.

Segundo Telles, do momento em que os forasteiros chegam à praça, à hora que a deixam, “tudo é cena, tudo é arte”. Pela proposta do espetáculo, até as necessidades fisiológicas dos artistas são transformadas em ações performáticas. Um exemplo é o almoço da equipe, em formato de intervenção.

“O que desenvolvemos é um trabalho em cima da estrutura de 12 horas como um todo, com margens para improvisos, por se tratar de um espaço aberto, com público fluente”, assinala o diretor.

Dentro da montagem, entretanto, há cenas específicas que demandam um cuidado maior. Um exemplo é a dança que será executada na chuva, prevista para as 18 horas, com coreografia de Vinícius Francês e participação de bailarinas convidadas.

O processo de investigação de “Espermatozoides” contou com a colaboração do ator e diretor André Capuano, responsável pela concepção e direção de “Corpo_Cidade”, realizado nas ruas dos bairros paulistanos Bom Retiro e República. Agora, Capuano volta a Rio Preto para participar da apresentação de 12 horas, e também do ensaio que antecede o espetáculo, sexta-feira (dia 13), das 14 às 20 horas, na praça. Ele atuará como convidado coringa, podendo apenas assistir, propor ações ou mesmo atuar. “Corpo_Cidade dialoga muito com o que estamos fazendo”, pontua Telles.

Breu

“Espermatozoides” marca a estreia do Agrupamento Núcleo 2 na programação do Breu, do Sesc Rio Preto, festival de artes que discute questões urbanas e a relação do homem com a cidade, realizado de outubro a dezembro.

O grupo participa do evento com uma nova série do projeto “Ensaios para Ninguém”, por meio do qual transforma a cidade em sala de ensaio. Ao todo, serão cinco espetáculos, que a partir de um olhar para a cidade convidam o público a refletir sobre o agora. “Vamos falar de como vemos o homem deste século: quem somos, o que estamos fazendo e para onde estamos indo”, revela Jef Telles.

Nos próximos quatro encontros, todos gratuitos, sempre aos domingos, o público será limitado a 40 pessoas e o espectador atuará como figurante.

Dia 22 de novembro, em “A Construção do Agora”, o Núcleo 2 conduz o público em uma visita a uma galeria de arte contemporânea. O espetáculo “Depois” será apresentado no dia 29, ocasião em que o Agrupamento simula o que poderia ser o fim da humanidade.

Em dezembro, o projeto retoma no dia 6, com “Terra de Ninguém”. O público é convidado a conhecer um local pós-apocalíptico, onde cientistas tentam descobrir o que aconteceu com a humanidade. Na apresentação, o Núcleo 2 irá trabalhar com a tecnologia dos QR Codes.

O projeto encerra dia 13, com “Galeria de Noz”, no Bar da Matinha. Dentro do espírito de celebração da vida, ou da morte, será produzida uma grande videoinstalação, com o conteúdo dos quatro ensaios anteriores, envolvendo música e performance.

A cada encontro do “Ensaios para Ninguém”, o grupo trabalha na construção de uma dramaturgia/roteiro de uma obra teatral/audiovisual que será a síntese do projeto, intitulada “Cemitério de Ninguém”. A primeira série do projeto foi realizada entre maio e agosto, com seis encontros em diferentes pontos da cidade. Um trecho da linha férrea, o Asilo de Schmitt, uma igreja em construção, a Cidade das Crianças, a estação de trem e escombros de uma antiga casa noturna foram ocupados.

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