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O FIT chegou!

Até o dia 15 de julho, Rio Preto respira cultura com apresentações de teatro em diversos pontos da cidade, ações formativas, performances e música boa

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O espetáculo “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”deu as boas-vindas ao FIT (Festival Internacional de Teatro) de Rio Preto, na noite de quinta-feira, no Anfiteatro Nelson Castro, às margens da Represa Municipal. A produção, que chegou aos palcos do Rio de Janeiro em junho, fez sua estreia no Estado de São Paulo, no festival rio-pretense. Este ano, o FIT contempla 23 espetáculos, sendo quatro produções internacionais, 16 nacionais e três montagens de Rio Preto.

Para prolongar o olhar sobre as obras apresentadas, são propostas 14 atividades formativas. Essas ações expandem-se para o Graneleiro, lugar de encontro nas noites do festival onde acontecem performances, shows e intervenções. O espetáculo Suassuna, da companhia carioca Barca dos Corações Partidos,homenageia o dramaturgo e poeta paraibano Ariano Suassuna (1927-2014), um dos principais nomes da cultura brasileira, que completaria 90 anos no dia 16 de junho de 2017.

Durante a encenação, o público foi guiado por um palhaço, que cumpre a função de mestre de cerimônias. A trupe de circo-teatro cruza o sertão rumo à fictícia Taperoá, cantando tragédias sertanejas, a luta entre famílias rivais, a dor, o amor e as tramas da vida.

A peça pode ser vista por toda a família e traz uma série de características de seu grande homenageado, Ariano Suassuna, defensor incansável da brasilidade e da valorização da cultura popular. “Ter uma obra com a direção de Vasconcelos abrindo o FIT é apostar em um início que reconhece o valor da cultura brasileira e com isso, faz uma brilhante homenagem ao mestre Suassuna. Esta produção foi uma ótima escolha para abrir a 17ª edição do Festival, no principal cartão postal da cidade, com a arena de teatro totalmente revitalizada”, afirma Pedro Ganga, secretário de Cultura da cidade e um dos coordenadores gerais do FIT.

O texto é de Braulio Tavares, direção do ator e diretor teatral de Luiz Carlos Vasconcelos, músicas de Chico César e canções de Beto Lemos, Alfredo Del Penho, Adren Alves e Renato Luciano, sempre seguindo o caminho da poesia popular. No elenco estãoAdrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano, Ricca Barros, Rebeca Jamir, Chris Mourão e Pedro Aune.

O ator e diretor Luiz Carlos Vasconcelos tem uma antiga relação com o Festival, com passagens memoráveis pela cidade. “Vasconcelos, que é paraibano, tem uma afetuosa relação com o festival de Rio Preto. Em anos em que o festival ainda era nominado Festival Nacional de Teatro Amador, Vasconcelos e o Teatro do Piolim, trouxeram a inesquecível montagem de Vau da Sarapalha, que arrebatou a plateia e depois seguiu carreira vitoriosa por todo o Brasil e Exterior. É um encenador que reconhece em sua função a importância da presença de elementos da brasilidade nas encenações”, disse um dos curadores e coordenadores executivos do FIT, Jorge Vermelho.

Vasconcelos é formado em Letras e fez cursos de teatro na Dinamarca. Apaixonado por circo e teatro, integrou a Intrépida Trupe e desde 1978, atua como Xuxu, opalhaço cidadão, depois de testar vários tipos circenses. Fundou também a Escola de Teatro e Circo Piolim. Tornou-se conhecido nacionalmente como encenador com o espetáculo ‘Vau da Sarapalha’, de Guimarães Rosa, acumulando prêmios e prestígio.

Sobre o festival

Realizado pela Prefeitura de Rio Preto e Sesc São Paulo, o FIT tem programação composta por 23 espetáculos internacionais e nacionais, distribuídos  em  50 apresentações, em 14 diferentes locais da cidade e arredores. Vinte companhias de teatro do Brasil e do mundo vão reunir em Rio Preto cerca de 117 artistas nos 10 dias de evento. Dos 23 espetáculos, quatro são internacionais, vindos de Portugal, Polônia, Colômbia e África do Sul. Do Brasil, são 19 produções distribuídas nas categorias adulto, para crianças e jovens, além de ruas e praças. Complementando a programação, 14 ações formativas e o Graneleiro, espaço noturno com atividades diversas, ampliam o Festival para além dos palcos.

Companhias de São Paulo (SP), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), Natal (RN), Curitiba (PR), Mossoró (RN) e Campo Grande (MS) mostram a diversidade da produção brasileira. Três produções são de Rio Preto: Crise de Gente, Cia. Hecatombe, Terra Abaixo, Rio Acima, Cia. Cênica e O Pequeno Príncipe – O Musical, do Grupo Lígia Aydar. “Realizamos durante todo o ano um importanteprograma destinado ao fortalecimento da área de teatro na cidade. O FIT possibilita uma oportunidade de expansão desta atuação do Sesc e permite à população mais acesso às artes cênicas, com estímulo de novos olhares para nossa realidade e estética contemporânea”, afirma Sebastiao Martins, gerente do Sesc Rio Preto, também coordenador geral do FIT. 

Graneleiro sedia o ‘bar’ do festival

A noite de abertura do FIT não acabou com a encenação do espetáculo Suassuna – O auto do reino do sol, continuou no Graneleiro, espaço da Swift que promete ser de encontros e novas experimentações nas noites do FIT deste ano. Artistas, plateia, produtores e técnicos, além do público em geral, são convidados ao encontro e trocas de experiências. Ambientado em um espaço com mais de 3.000 m² de área construída, o espaço, que serviu como silo entre as décadas de 1940 e 1960, empresta sua arquitetura de influência inglesa para as noites de celebração com uma programação especial com DJs, performances, intervenções e shows musicais.

A programação é voltada para maiores de 18 anos. A entrada é gratuita e é preciso retirar ingressos no local uma hora antes da abertura de cada noite. “O lugar de encontro é um corpo vibrante dentro do Festival. É para lá que o público e artistas levam suas impressões, ânsias e desejo pós peças. O espaço comum reverbera o clima do Festival e as atividades também possibilitam que as discussões sobre as artes continuem”, disse Graziela Nunes, uma das curadoras e coordenadoras executivas do FIT.

Para a noite de abertura do Festival, o espaço contou como DJ rio-pretense Basim comandando as picapes. Ele é campeão do DMC Brasil 2016. Nas carrapetas de Basim, uma seleção de música negra norte-americana dos anos 70, o soul/funk brasileiro da década de 80 e o hip hop universal. Luiz Carlos Vasconcelos, diretor do espetáculo Suassuna – O Auto do Reino do Sol fará outra participação nesta noite. Ele inaugura a programação intitulada Mic Aberto, o microfone aberto, que convida muitos dos artistas que estarão nos espetáculos da programação do Festival a se aventurar e fazer outro tipo de participação no FIT: ocupar o microfone com suas considerações sobre temas diversos, que vão da poesia à não concordância; do grito de alerta ao brado de repulsa.

Ainda na primeira noite do Graneleiro, Eliane Zacharias e Esdras Nunes apresentaramstandards do jazz e do soul, a partir da década de 1930, ponto áureo do ritmo, até os dias atuais. A noite prevê ainda na programação a instalação ‘O buraco é mais embaixo’ (The holeisfurtherdown). Nela, a atriz Luciana Ramin interpreta Lady Darling e mostra um recorte de músicas e imagens do universo tropical urbano sob a insurgência de cores e formas encontradas nos trópicos – e dos utópicos.

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