Cultura

Embora a data tenha sido esquecida, Rio Preto completa hoje 126 anos como município

O distrito se desmembrou de Jaboticabal dia 19 de julho de 1894, o maior responsável foi o Coronel Pedro Amaral, um negro filho de português com uma escrava e educado por padres em Araraquara

Rio Preto completa neste domingo, dia 19, 126 anos de emancipação política. No dia 19 de julho de 1894 o presidente da Província do estado de São Paulo, Bernardino de Campos, assinou a Lei que desmembrou o território de São José do Rio Preto de Jaboticabal e transformou o distrito em município. Fundado em 1852, a discussão foi acelerada após a chegada de Pedro Amaral, dez anos antes.

Com a ajuda e a supervisão de vereadores de Jaboticabal, no mesmo ano foi realizada a primeira eleição para a Câmara e ela foi empossada. Foram eleitos seis vereadores. Entre eles, Pedro Amaral. O fundador, João Bernardino de Seixas Ribeiro não foi eleito. Ficou em sétimo lugar. Foram duas seções eleitorais. Uma na catedral e outra na casa de Pedro Amaral. Menos de 500 eleitores votaram.

Portanto, a Câmara Municipal também completa, no final do ano, 126 anos de história. A legislação daquele período contemplava a Câmara como maior instância política do município. Ela definia e operava o orçamento. Não havia prefeito, apenas Intendente, e ele era escolhido pelo presidente da Câmara entre os vereadores eleitos. Pedro Amaral escolheu Luiz Francisco da Silva, que ficou no cargo menos de um ano.

O município era imenso. Ia da região de Santa Adélia até a barranca do rio Paraná, hoje Rubinéia, e do rio Grande ao rio Tietê, incluindo o Salto de Avanhadava, que desapareceu para dar lugar à Usina. Nos anos subsequentes os povoados espalhados na região foram se transformando em Vilas e se emancipando. Ao se transformar em município foram criados seis grandes distritos. Entre eles Ibirá e Tanabi.

Em 1894, segundo historiadores, Rio Preto teria até 15 mil almas e 120 fogos (casas). Mas apenas 12 quadras e mil almas na zona urbana. O primeiro “cacique” político era um negro. Pedro Amaral era filho de um português e uma escrava. Teve uma sólida formação educacional porque foi criado por padres em Araraquara. Em Rio Preto, era um grande comerciante. Sua loja de Secos e Molhados era na atual esquina da Bernardino com a rua Pedro Amaral, no lado oposto da atual rodoviária.

O prefeito Edinho Araújo, MDB, é o político que mais tempo governou Rio Preto. Completa em dezembro 12 anos alternados à frente da Prefeitura. Antes o recorde era do ex-prefeito Manoel Antunes, que ficou dez anos no poder. 

O vereador Paulo Pauléra, PP, também é o terceiro político a presidir a Câmara por dois períodos. Ele disse hoje que se “sente orgulhoso” porque ao sair da cidade descobre “o quanto ela é referência nas páreas médica, estudantil e comercial”. Pauléra veio de São Carlos, há 40 anos, viu a cidade crescer a partir da chegada da estrada de ferro, em 1912 e se tornar um dos maiores entroncamentos rodoferroviários do país.

Por Rubens Celso Cri em 19/07/2020 14:23