Cultura

José Luiz Rey lança “A Seiva da Mandrágora”, ficção extraída da nossa realidade

Rey é um jornalista que teve o privilégio de testemunhar quase meio século da história da cidade e da região

O jornalista, escritor e publicitário, José Luiz Rey, acaba de lançar pela Kindle Unlimited o romance “A Seiva da Mandrágora: Crônica de uma conspiração caipira”. A obra vem em formato de eBook  e está sendo comercializada pela Amazon do Brasil . O eBook, considerado o melhor trabalho de Rey, é prefaciado por seu contemporâneo e atual Secretário de Comunicação, jornalista Mário Soler. 

Rey é parte da história do jornalismo rio-pretense na segunda metade do século 20. Durante 30 anos ele foi a grande referência do jornalismo político em Rio Preto. Redator e editor-chefe do jornal o Diário da Região, editor da TV Globo Noroeste Paulista e, por décadas, a voz de maior credibilidade do rádio local (Independência AM). Como editor-chefe do Diário, foi responsável por um dos momentos mais importantes da história do jornalismo na cidade. A transição do jornal impresso a chumbo, Preto e Branco (PB), para off set, colorido. 

Rey testemunhou o processo político e as relações de poder, do compadrio e do patrimonialismo da elite política da província por mais de 40 anos. Dizem que “só não viu boi voar”’. Embora frise que a obra é uma ficção, a história é resultado da sua relação com a crônica diária das personagens comuns e dos caciques políticos da cidade e região. Uma fotografia da formação da nossa história caipira que, muitas vezes, beira ao delírio.

Segundo Soler, o eBook traduz as relações e é o espelho do nosso universo. Classifica o livro como o melhor escrito de Rey. O leitor, afirma, não conseguirá desgrudar da tela ou do aplicativo até chegar ao ponto final da história. Esta é uma ótima oportunidade para quem viveu o dia-a-dia do trabalho diário de José Luiz Rey nas redações de jornais, rádios e TVs para reencontrar o grande jornalista, cronista e escritor e, ao mesmo tempo, para as novas gerações descobrirem a realidade que moldou o povo e a cidade que somos hoje.      

Trecho da “Selva de Mandrágora”

‘”Enquanto caminha entre sua casa e a repartição pública onde trabalha, Francisco Caçabriga reflete sobre a própria vida – da infância pobre e revoltada até uma fase adulta igualmente pobre assinalada por poucos amigos, reuniões tediosas ao redor de mesas de boteco e provocações medíocres que derivam do fato dele não conseguir ter filhos. Os mais de 30 anos vividos assim, numa pequena cidade de vocação rural, ensejam relembranças de tráfico de influência, compadrio eleitoreiro e corrupção. As memórias revisitam o dia em que, ainda na infância, o menino é levado pela mãe a uma velha benzedeira, que o compara a uma planta muito formosa, porém perigosamente venenosa, diagnosticando-o como portador de “doença de alma”.

Quando chega à repartição, recebe a notícia terrível, que desencadeia uma decisão radical. O pano de fundo desse cenário é a repressão política dos anos 1960 no Brasil, cujo teatro de operações, mesmo distante, também afeta esse microcosmo. O leitor então encontra um personagem que se debate entre justificativas morais e pretextos de conveniência que o aconselham ou desaconselham em relação a um único objetivo. É um confronto interno acompanhado ao largo por um delegado de Polícia inexperiente, que também navega entre certezas e desconfianças, incertezas e falsas convicções, até que nessa gangorra de sensações, o universo da cidade de Vale Verde aproxima-se de uma nova tragédia”.

O nome

Mandrágora é o nome de uma planta de origem asiática que os árabes chamam de “maça do diabo’ por causa de seus frutos tóxicos. Também é o nome de uma importante comédia renascentista que satiriza e critica a corrupção da sociedade italiana daquele período, escrita por Nicolau Maquiavel. 

Serviço

“A Seiva da Mandrágora: Crônica de uma conspiração caipira”

Para ter acesso ao livro clique aqui

 

Por Rubens Celso Cri em 12/07/2020 14:10