Cultura

‘Eu aqui, você aí e o novo possível’ discute as mudanças no fazer teatral

Bate-papo entre Jorge Vermelho e Georgette Fadel faz parte da programação do Projeto Território Cênico e acontece hoje, a partir das 20 horas

O ator e diretor Jorge Vermelho convida a atriz e diretora Georgette Fadel para um bate papo sobre os pensamentos que nos cercam em tempos de mudanças radicais no fazer criativo e mudança de paradigma nas relações entre arte, vida e espiritualidade. O encontro, marcado para essa quinta-feira, dia 6, acontece a partir das 20h e será transmitido por meio do YouTube da Cia Cênica, com retransmissão no Facebook da companhia. 

A redação do Gazeta de Rio Preto conversou com Vermelho e Fadel sobre o assunto e traz, de forma sintetizada, suas visões. 

Ator e diretor artístico da Companhia Azul Celeste, desde 1989, Jorge Vermelho diz que “ainda não estamos preparados para algo que se apresenta tão novo. O dito “normal” não se enquadra ao modo de fazer do teatro, pois é uma arte que busca romper com as instâncias do comum e do regramento estipulado na sociedade”.

Curador e coordenador executivo do Festival Internacional de Teatro (FIT) e do Janeiro Brasileiro da Comédia (JBC), Vermelho acredita que não teremos um novo normal. “Teremos um outro tempo. Um tempo que refletiremos sobre o tempo e a falta dele. Sobre o que queremos para nossa vida”.

Acredita ainda que “estamos tendo este tempo para refletir sobre o próprio tempo. Depois, a decisão será de cada um, se quer continuar vivendo como estava ou en-xerga outras formas de ser e estar.

Sobre o teatro, Vermelho é categórico, “teatro filmado não é teatro, até que me convençam do contrário. É audiovisual. O Teatro precisa da cumplicidade presencial, artista e público reunidos para um encontro, onde cada um tem a consciência da presença do outro naquele espaço e naquele momento irrecuperável”.

Prêmio Shell 2007 de Melhor Atriz por “Gota d’água, um breviário”, Georgete Fadel diz que responder sobre o novo normal é muito difícil. “Estamos dentro da pergunta, vivendo a pergunta, vivendo a definição desse novo normal e a pergunta é muita dura”.

Sem saber o que isso significa ou o que vai acontecer, Fadel completa dizendo que a pandemia desperta o mais trágico pra quem trabalha com a presença, “que é a impossibilidade do encontro, de estar no mesmo ambiente, do tocar”. Fadel ainda acredita que tudo que vai surgir durante e pós pandemia “vai estar cheio de sensibilidade, de novos enigmas, dilemas, desafios, lutas” e cada vez mais forte, pois “como quer que ele se expresse, vai estar cheio de necessidade de ação”.
A atividade é estivada a estudantes das artes cênicas, artistas e aos amantes do teatro. Para participar, basta acessar o Youtube da Cia Cênica, por meio deste link.

Por Da Redação em 06/08/2020 17:31