Economia

Donos de bares e restaurantes de RP ‘nadam contra a corrente’ para salvar negócio após reabertura

“Fechei um restaurante para diminuir as despesas fixas e optei pela casa com perfil mais noturno porque já sabia que seria mais difícil voltar com ela”, disse uma empresária da cidade

 

Desde que o setor de bares e restaurantes teve que fechar as portas para seguir as medidas de restrições sanitárias para evitar o contágio do novo coronavírus, a empresária Michelle Dias de Lalibera, sócia-proprietária do Fran´s Café, no bairro Redentora, em Rio Preto, tem enfrentado uma batalha pessoal e profissional para manter o negócio e garantir o sustento de sua equipe.

“É um prejuízo financeiro muito grande, pois o delivery não sustenta a operação. Tivemos que negociar com vários fornecedores e aluguel para nos mantermos abertos. Também tivemos perda de mercadoria com o prazo de validade de produtos vencendo”, disse.

“No momento (o movimento) ainda está bem fraco, pois estamos restritos, com apenas 25% de ocupação. As pessoas continuam receosas por sair, vir ao café, principalmente para o nosso maior público, que são executivos que vêm ao café para fazer uma reunião mais informal”, contou a empresária sobre o retorno das atividades.

Michelle ainda reforça sobre a necessidade de auxílio durante o período. “Precisamos de auxílio com taxas, contas de energia e água, folha de pagamento, entre outros.  Não recebemos nenhum apoio nesse período. Necessitamos de uma linha de crédito efetiva com juros baixos e sem consultas ao Serasa, pois muitos ficaram inadimplentes com as restrições das atividades, para termos fôlego e mantermos as portas abertas e os empregos que geramos”.

Bares e restaurantes voltaram a funcionar no Estado de São Paulo desde o último sábado, 24 de abril. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP), só na capital paulista cerca de 12 mil estabelecimentos deste tipo devem fechar as portas em definitivo devido à pandemia. Em todo o estado, a previsão é de que 50 mil bares e restaurantes deixem de existir.

“Delivery não paga as contas”

A empresária Laís Accorsi, proprietária do restaurante Barbecue, também disse que “delivery não paga as contas”. Ela, que tinha dois estabelecimentos na cidade, se viu obrigada a fechar um, o Blue Jasmim, na Redentora. “Fechei um restaurante bpara diminuir as despesas fixas e optei pela casa com perfil mais noturno, porque já sabia que seria mais difícil voltar com ela. E só fechei depois de suportar mais de seis meses de prejuízo, botando dinheiro”. Laís também falou que vê muita reportagem dizendo que restaurantes estão ganhando dinheiro na pandemia, mas “isso não se aplica a empresas com ponto físico em área nobre, estrutura grande e quadro de funcionários. Essa regra de 25 % de ocupação e funcionamento até 19 horas também não paga as contas. Os governantes deviam cuidar de vacinar as pessoas, informar sobre como evitar contaminação e deixar as pessoas trabalharem”.

Mona Husseini, sócia-proprietária do restaurante Terraço Ammici, inaugurado em dezembro do ano passado, no Quinta do Golfe, disse que o retorno superou as expectativas. “Reabrimos no sábado passado e o restaurante lotou em todos os períodos. No domingo foi a mesma coisa. De certa forma o nosso restaurante é muito privilegiado dentro desta pandemia e das restrições porque temos uma área enorme ao ar livre. Assim as pessoas se sentem mais seguras”. Em relação ao buffet Ammici Gastronomia, que já tem três anos, ela disse que a empresa sofre muito com a paralisação dos eventos.

Horário estendido para comércio e serviços

O Governador João Doria anunciou na quarta-feira (28) a prorrogação da fase de transição do Plano São Paulo para todo o estado por mais uma semana, até o dia 9 de maio. O Estado fixou horário estendido das 6h às 20h para atendimento presencial limitado a 25% de capacidade em comércios e serviços não essenciais.

O horário estendido das 6h às 20h vale a partir de amanhã (1) para estabelecimentos comerciais, galerias e shoppings. O mesmo expediente poderá ser seguido por serviços como restaurantes e similares, salões de beleza, barbearias, academias, clubes e espaços culturais como cinemas, teatros e museus. Até hoje (30), porém, continua a vigorar o horário atual das 11h às 19h.

A fase de transição mantém liberadas as celebrações individuais e coletivas em igrejas, templos e espaços religiosos, desde que seguidos rigorosamente todos os protocolos de higiene e distanciamento social. Parques estaduais e municipais também poderão ficar abertos, mas com horário das 6h às 18h.

Para evitar aglomerações, a capacidade máxima de ocupação nos estabelecimentos liberados está mantida em 25%. O toque de recolher continua nas 645 cidades do estado, das 20h às 5h, assim como a recomendação de teletrabalho para atividades administrativas não essenciais e escalonamento de horários para entrada e saída de trabalhadores do comércio, serviços e indústrias. (Com informações do Governo do Estado de SP).

 

 

 

Por Fabrício Santana em 30/04/2021 00:40