10 perguntas para ROBERTO ARDUIN

Carlo Briani
ROBERTO ARDUIN
A primeira experiência teatral do rio-pretense Roberto Arduin foi aqui na cidade, em 1967, quando montou um grupo teatral com grandes amigos da época. Desde então não parou mais! Em seu currículo constam dezenas de espetáculos, novelas, filmes e centenas de comerciais. Foi num destes comerciais, que experimentou a fama nacional interpretando o “Tio da Sukita”.
1. Qual foi sua primeira experiência no teatro? Como era a movimentação naquele tempo?
Comecei em Rio Preto no ano de 1967. Eu e um grupo de amigos formamos um grupo teatral e convidamos José Eduardo Vendramini, já experiente, para nos dirigir. A primeira peça se chamava “Ponto de Partida”, com ela, eu, Lelena Barbour, Marleninha, Fabinho Marques dos Santos e Pereirinha chegamos à final do Festival Estadual de Teatro, que aconteceu em Presidente Prudente. Naquele tempo, o movimento teatral era muito forte e efervescente.
2. Quem eram os rio-pretenses que dividiam a cena teatral com você, na naquele tempo?
Muitos nomes interessantes, alguns até hoje em atividade. Humberto Sinibaldi Neto, José Eduardo Vendramini, Dinorath do Vale, JC Serroni e tantos outros.
3. Quando deixou Rio Preto?
Em 1971 mudei para São Paulo para fazer cursinho. Prestei para arquitetura e passei em Santos. Lá, paralelo à faculdade, entrei em um grupo de teatro amador e permaneci nele durante os anos da faculdade.
4. Em que momento passou a viver apenas da profissão de ator?
Trabalhei uns cinco anos como arquiteto até que, em 1979, abandonei a carreira para me dedicar inteiramente a vida de ator. Fazia a peça “Aurora da Minha Vida”, um grande sucesso da época, com Paulo Betti e outros grandes atores. Resolvemos montar este espetáculo no Rio de Janeiro e naquele momento vi que não daria mais para conciliar com a arquitetura. No Rio, Aurora também foi sucesso com Marieta Severo, Pedro Paulo Rangel e um time da pesada.
“Na época eu gravava Chiquititas na Argentina e pouco acompanhei. Quando chegava ao Brasil as pessoas me paravam na rua como se eu fosse ator principal da novela das 9”
5. Mesmo com carreira longa, você ficou famoso como o “Tio da Sukita” por conta do grande sucesso no comercial do refrigerante. Foi inesperado?
Foi! Já tinha feito mais de 100 comerciais. Fui chamado para o teste de última hora e passei. Era para ser uma campanha pequena, de três meses. O cachê, baixo. De repente estourou e fizemos outros seis na mesma linha. Na época eu gravava Chiquititas na Argentina e pouco acompanhei. Quando chegava ao Brasil as pessoas me paravam na rua como se eu fosse ator principal da novela das 9.
6. O título de “Tio da Sukita” já te atrapalhou profissionalmente?
Financeiramente foi muito bom e a visibilidade me tornou nacionalmente conhecido. O que aconteceu foi que nos próximos cinco anos parei de ser chamado para fazer comerciais. Não tinha como apresentar outra marca. Depois deste longo período voltei a fazer normalmente.
7. Relembre uma boa história ocorrida com você bastidores da dramaturgia
Certa vez com a peça ‘Uma Relação Tão Delicada” estávamos em cena eu, Irene Ravache e Regina Braga, que tinha verdadeiro pavor de baratas. De repente a plateia começou com um burburinho e eu e Irene avistamos a barata andando no palco. Regina estava deitada no chão e não viu. Irene segurava um pano, deu alguns passos e embrulhou a barata no pano. O público reagiu fortemente a iniciativa dela. Na sequencia, Regina deitava no colo de Irene, que segurava o pano todo embrulhado. No final da peça ela quase morreu quando soube que a barata estava ao seu lado o tempo todo! Demos muita risada!
8. Como é sua relação com Rio Preto hoje em dia?
Tenho familiares e muitos amigos. Vou pouco, mas pelo menos uma vez ao ano. Em contrapartida, os rio-pretenses estão sempre aqui na capital e acabamos nos encontrando.
9. Qual a maior dificuldade da carreira de ator?
A continuidade do trabalho. Antes uma peça ficava três, quatro anos em cartaz. Hoje, mesmo com patrocínios, fica três, quatro meses. A questão é administrar. Em alguns momentos recusamos trabalhos, em outros ficamos sem nenhum.
10. Atualmente está focado em qual trabalho?
Acabei de finalizar o longa-metragem “O Caseiro”, filme de suspense do diretor Julio Santi. Um projeto que gostei muito e que deverá ser lançado em fevereiro. Tem um seriado que gravei no ano passado “O Homem da Sua Vida”, em breve estreia no canal HBO. Estou convidado para três peças que estão sendo viabilizadas. Também pretendo voltar com o espetáculo “Avental Todo Sujo de Ovo”, no Rio de Janeiro.