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Esportes

Quem quer transparência não faz eleição no dia 31 de dezembro, afirma ex-conselheiro do Jacaré

José Eduardo Megid ao lado de Ulisses Jamil Cury Filho, Márcio Anísio Haddad e outros sócios se desligaram do clube na última semana; ação na Justiça pede nulidade de suposta eleição

O ano do centenário do Rio Preto Esporte Clube não podia ser pior. Após fraca campanha dentro de campo na disputa do Campeonato Paulista A-3 e de decretar o fim do premiado futebol feminino, a atual diretoria, comandada por José Eduardo Rodrigues e pelo então presidente do Conselho, Itamar Rubens Malvezzi, sofreu um duro golpe nos últimos dias. Dois dos principais nomes dentro da história de 100 anos do Jacaré se afastaram oficialmente do clube: Márcio Anísio Haddad, filho de Anísio Haddad, e Ulisses Jamil Cury Filho, herdeiro de Ulisses Jamil Cury, registraram em cartório que não fazem mais parte do Conselho Deliberativo do Rio Preto. Ao lado deles, também se afastaram os advogados Marco Feitosa, Wilson Luís Vollet, além de Reinaldo Lopes Corrêa e José Eduardo Megid.

E o que era para ser um ano de festa, de comemoração, acabou indo parar na Justiça. Tramita na Justiça da cidade ação (1024195-89.2019.8.26.0576) de vários sócios requerendo a anulação da suposta eleição do Conselho Deliberativo, do dia 31 de dezembro de 2018.  Os sócios alegam na ação que várias irregularidades foram cometidas e que uma nova eleição deveria ser realizada.  O novo conselho contém vários parentes de Rodrigues e de Malvezzi, além de funcionários do clube, subordinados aos dois e de amigos pessoais, que não possuem qualquer história com o Rio Preto EC. No dia 15 deste mês, o presidente da diretoria, José Eduardo Rodrigues, foi reeleito para mais um mandato, com os votos desse Conselho. Na ocasião, vários sócios não puderam entrar no clube, sendo barrados por seguranças.  “Tentamos conversar e dar a possibilidade para eles corrigirem o que fizeram.  Não deu certo. Então ingressamos com a ação pedindo a anulação. Edital de convocação publicado em jornal no dia 25 de dezembro e a eleição no dia 31 de dezembro.  Isso não cheira bem. Quem quer transparência não faz um negócio desse.  Sem falar que teve muita gente que não assinou, nem sabia que tinha eleição e faz parte. ”, afirma José Eduardo Megid. 

“Preferi sair para não ser conivente com a forma que a diretoria e o conselho vem conduzindo o Rio Preto Esporte Clube.  Vejo que estamos retrocedendo e jogando fora várias conquistas deste grupo. Manifestei meu descontentamento e tentei fazer um acordo para esta questão da assembleia e da exclusão de membros, mas não obtive êxito. Deveríamos já estar em outro momento, planejando o nosso clube para o futuro e fazendo ações para fazer um futebol de alto nível. Este é o ambiente que quero estar”, afirmou Márcio Haddad.

Outro conselheiro, Reinaldo Lopes Corrêa, afirmou que após participar de algumas reuniões, notou a atual administração muito fechada.  “Quem administra é somente o presidente da diretoria, com os irmãos na finança. Tentamos conversar, dialogar com eles, mas não teve jeito. Não me senti confortável em continuar. Ninguém sabia daquela eleição em dezembro 2018.  Espero que façam a melhor administração do Brasil, mas sem vender nada e sim buscar parceiros, patrocínio e recursos.  Do jeito que está, eles só expulsam pessoas. Ou se concorda com eles ou vira inimigo. Esse é o pensamento deles agora.  É preciso que a Justiça bloqueie as vendas de área do clube até se faça uma nova eleição, da maneira correta, com uma comissão acompanhando tudo isso, assim como ocorreu no passado”.

A reportagem procurou o presidente do Rio Preto EC e o presidente do Conselho, mas ambos não foram encontrados.

Por Henrique Fernandes em 01/07/2019 às 09:30
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