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Política

Não é pelo aumento de R$ 0,20 na tarifa

Usuários do transporte público de Rio Preto reclamam de superlotação, falta de cobertura em pontos de ônibus, sinal de wi-fi ruim e sujeira no terminal rodoviário Raphael Ferrari

Com uma média diária de 90 mil passageiros em dias úteis, o sistema de transporte coletivo de Rio Preto é alvo de críticas por quem depende de ônibus. Falta de assentos adequados e de cobertura em pontos e mini-terminais – alguns entregues recentemente já foram alvos de vândalos –, linhas e terminal superlotados, alto preço da tarifa, e estrutura precária da rodoviária são as principais reclamações relatadas à Gazeta de Rio Preto. O serviço é prestado pelas empresas Circular Santa Luzia e Expresso Itamaraty, que detém o contrato de concessão junto a Prefeitura de Rio Preto.

Ao longo da semana, a equipe de reportagem percorreu por várias linhas, além do terminal central, para detectar os principais problemas encontrados por quem utiliza o serviço público. A maioria dos entrevistados afirmam que falta muito para que o transporte público coletivo seja um atrativo para as pessoas deixaram os veículos em casa para utilizar o transporte coletivo.

“Além de o preço ser caro, falta qualidade em relação aos pontos de ônibus que na maioria das vezes não tem cobertura”, afirma a dona de casa Nadir Moreti, de 51 anos. O pintor João Gomes, 43, diz que o novo valor até seria justo se tivesse melhorarias nos ônibus, como por exemplo, ar-condicionado.

Desde o dia 6 deste mês os usuários pagam R$ 0,20 mais caro pela passagem. O prefeito Edinho Araújo (MDB) anunciou reajuste 6,4% no preço da tarifa. Com isso a passagem saltou de R$ 3 para R$ 3,20 para quem utiliza o cartão, e de R$ 3,10 para R$ 3,30 para quem paga em dinheiro. A boa notícia é que houve redução no valor da tarifa para estudantes, que cai de R$1,30 para R$ 1. Para este ano o governo reservou no orçamento municipal cerca de R$ 16 milhões para subsidiar o valor da tarifa aos usuários. Caso a Prefeitura não bancasse parte da passagem, a mesma custaria ao usuário R$ 3,88.

Edinho defendeu o aumento justificando que se trata de correção anual prevista em contrato de concessão, assinado em 2010, que prevê que todo início de ano seja concedido o reajuste as empresas de transporte. “Você tem o contrato e em cada ano você tem que revisar os custos. Temos os insumos específicos da área e em estudo técnico e no contrato firmado temos de honrar”, diz.

Ar-condicionado

Sobre as críticas em relação a falta de ar-condicionado a Prefeitura garante que a partir do primeiro semestre deste ano, 36 veículos contarão com sistema de ar-condicionado, o que representa 15% da frota atual de 250 ônibus.

Os veículos com ar-condicionado terão cores diferenciadas para facilitar a identificação. A definição de quais linhas receberão ônibus com o ar-condicionado não foi revelada, mas segundo Edinho, vai se basear nas linhas de maior movimento.

“A Secretaria de Trânsito vai determinar quais linhas existem maior fluxo. Vamos privilegiar neste primeiro momento estes ônibus”, diz o prefeito.

Questionada pela Gazeta sobre quando todos os veículos contarão com o serviço a Prefeitura informou, por meio de nota, que “por contrato, as empresas precisam oferecer veículos com, no máximo 10 anos de uso, e 5 anos de uso na média total da frota. Isso faz com que as empresas sejam obrigadas adquirir ônibus novos todos os anos e as mesmas já informaram que os novos veículos serão adquiridos sempre com o aparelho de ar-condicionado. Portanto, o total anual de ônibus novos dependerá da idade da frota”, consta na nota.

Sem estrutura

Além de ter o preço reajustado recentemente, usuários relataram problemas no terminal rodoviário. “Isso aqui está uma sujeira. Banheiros e chão sujos. É vergonhoso para uma cidade como Rio Preto manter a rodoviária nestas condições”, diz a cozinheira Angela Brandão, de 36 anos.

“Falta espaço, já não comporta mais as pessoas. Nas linhas com mais procura não tem como acomodar todo mundo. Fica um aperto para aguardar a chegada do ônibus”, relata a estudante Gabriela Lima, de 21 anos.

Segundo a Prefeitura, a Emurb (Empresa Municipal de Urbanismo) tem feito “reparos constantes em banheiros, bebedouros e no piso para manter em nível aceitável de higiene e que iniciou a manutenção definitiva no elevador para por fim às constantes panes”.

A assessoria informa ainda que entende que reformas são importantes e que um “projeto está sendo elaborado, mas a execução só ocorrerá após a inauguração do Novo Terminal, para evitar que haja duas obras de grande porte em uma mesma região prejudicando o trânsito e veículos e pedestres”.

Outra crítica dos usuários refere-se à falta de mini-terminais em pontos periféricos da cidade, além de pontos de espera com cobertura e assentos adaptados. Estes investimentos constam no contrato de concessão assinado em 2010, com validade de 10 anos, mas que até agora não saíram do papel. “Tenho que esperar o ônibus em pé e no sol. O negócio é procurar uma sombra até o ônibus chegar”, diz o mecânico Sebastião Gonçalves, de 54 anos, morador da Vila Toninho.

Sobre essa reclamação o governo Edinho esclarece que o sistema de transporte coletivo já conta com mini-terminais na zona norte (avenida Mirassolândia) e nas avenidas Potirendaba e Bady Bassitt. No entanto, não informa os motivos de ainda não ter tirado do papel a exigência de novos mini-terminais em outras regiões da cidade.

Usuários relataram problemas de superlotação nos horários de pico, principalmente nas linhas da região norte e dos loteamentos afastados da região central. “Cedo e no final da tarde é um inferno. É muita gente. Tinham que colocar mais ônibus”, diz o pedreiro Sebastião Tavares, de 40 anos, morador do loteamento Carlos de Arnaldo.

Sobre as queixas de superlotação, a Ouvidoria do Transporte Coletivo informa que “mantém monitoramento constante do nível de ocupação dos ônibus e quando excessos são detectados determina a inclusão de novos horários na linha”. Informa ainda que o nível de ocupação tolerável previsto em contrato segue o estabelecido pela norma NBR 15.570. O monitoramento é feito com base no registro das catracas acrescido da média de 18% de gratuidade.

Wi-fi gratuito

Desde o começo de novembro do ano passado, todos os ônibus do transporte público rio-pretense oferecem wi-fi gratuito aos passageiros. Os aparelhos instalados nos veículos têm capacidade de 20 gigabytes (GB), o que possibilita o acesso de até 70 celulares ao mesmo tempo, com uma velocidade de 28.18 megabits. No entanto, alguns entrevistados relataram problemas para acessar o serviço. “Não consigo sinal. Já tentei e desisti. O sinal é fraco e não dá pra acessar nada”, diz Mauro da Fonseca, de 28 anos.

Sobre críticas em relação ao wi-fi, a Prefeitura informou que “não há, até o momento, nenhuma reclamação registrada na Ouvidoria sobre a qualidade do wi-fi. O que tem sido comum é o esclarecimento de dúvidas de usuários com dificuldades no procedimento para a conexão. Após a dúvida sanada, 100% dos usuários relataram ter conseguido se conectar”.

Inauguração do novo terminal urbano é adiada

Previsto para ser inaugurado no dia 16 de dezembro do ano passado, conforme revelou com exclusividade a Gazeta de Rio Preto, o novo terminal urbano na Praça Cívica deve ser entregue no primeiro semestre deste ano, segundo Edinho. A obra é executada pela Constroeste e teve contrato prorrogado por mais seis meses.  Essa extensão de contrato foi publicada no dia 4 deste mês. Inicialmente o terminal deveria ser entregue no final de 2016, último ano da gestão de Valdomiro Lopes (PSB).

Orçada em 2015 por R$ 47,7 milhões, após sofrer 10 aditivos contratuais, o valor da obra passa dos R$ 64 milhões.

 

Por Raphael Ferrari em 10/01/2019 às 23:59
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