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Política

Edinho nega reeleição e afirma que 2019 foi para ‘colher frutos’

Prefeito de Rio Preto afirma que está focado no administrativo e não quer pensar nas eleições de outubro do ano que vem para não ter uma ‘visão imediatista’

Para o prefeito Edinho Araújo, MDB, 2019 foi o ano em que a administração começou a colher os frutos dos projetos e investimentos que começaram em 2017. À Gazeta de Rio Preto ele fala dos avanços administrativos, dos problemas que precisam ser resolvidos e da eleição do ano que vem. Confira:

Gazeta de Rio Preto – Prefeito, qual o balanço de 2019?

Edinho Araújo – O ano de 2018 e, especial­mente, 2017, foram os primeiros anos. Anos de plantar, organizar a casa. E readequar projetos. O ano de 2019 especificamente já de colheita. Portanto, dois anos de muita organização e anos onde as obras começam a ser colocadas à dis­posição da população, como o caso da mobili­dade urbana. Viaduto que acessa a Domingos Falavina, Mirassolância, as alças que acessam a Ernani, mudou o sistema viário desta região. O anel viário, nós temos três etapas licitadas. A saúde melhorou consideravelmente. As condi­ções de trabalho nos postos de saúde. As esco­las, melhorando, reformando, inaugurando es­colas. A BR-153 avançou muito nesses últimos anos. Praticamente a BR hoje tem mais de 70% dela concluída e no ano que vem nós estaremos concluindo, vai mudar a paisagem da cidade, vai mudar o ir e vir das pessoas, somando-se ao anel viário. BR 153, anel viário e 15 ou 16 ou­tras intervenções que estamos realizando, com a abertura de ruas e de avenidas, e de rotatória, o sistema viário de Rio Preto ficará muito melhor. O Instituto Federal vai abrir possibilidade de novos cursos. O terminal urbano, ônibus com ar-condicionado, Wi-fi, a cidade padronizada, limpa, organizada, as ações na área cultural também, são muitas, estabelecendo a parceria com o Sesc desde 2017. A reforma da Casa de Cultura Dinorath do Valle, o Centro, o comple­xo Swfit é hoje um grande centro de eventos. Portanto, eu diria que Rio Preto vive um mo­mento extremamente positivo.

Gazeta de Rio Preto - Rio Preto deixa de ser uma cidade do interior?

Edinho Araújo - Acho que ela mantém. E aí está sua virtude. Ela mantém características de uma cidade interiorana, mas é aberta. Recep­ciona a todos, é líder, é capital de uma região do Estado, do país. Rios, ferroviárias, rodovias importantes, e os seus serviços, economia di­versificada. Acho que Rio Preto tem um parque industrial considerável, indústria sem poluição, os serviços são de excelência, principalmente os prestados pela saúde pública, os hospitais e as clinicas são de ponta, as faculdades, muitas delas lá na dianteira. O poder público não pode ficar distanciado desta realidade.

Gazeta de Rio Preto - A Prefeitura tem o or­çamento gessado. Como investir?

Edinho Araújo - O poder público municipal investe na infraestrutura em parceria com o go­verno do Estado, com o governo Federal, através de emendas parlamentares, isto contribui para que a iniciativa privada venha investir. Prepara a cidade em termos de saneamento básico para mais 100, 150 mil habitantes. Isso também dá segurança. Tudo isso somado faz com que o in­vestidor vê São José do Rio Preto com um olhar diferente. Uma cidade limpa impressiona posi­tivamente. E esse potencial que tem de institui­ções e de serviços. Não só em função daqueles que aqui moram, que querem a casa própria, e nós estamos investindo muito nisso, vamos en­tregar até o final do ano mais de 4 mil casas.A construção civil é uma geradora de empregos, de renda. O poder público levando a infraestru­tura, qualificando a mão-de-obra, e a iniciativa privada, que é a geradora de emprego, fazendo os investimentos em serviços. Hoje o comércio gera muitos serviços, a saúde privada gera mui­to empregos. E sem perder de vista a tecnologia. As indústrias de ponta. Para tanto estamos con­solidando a cada dia nosso parque tecnológico gerido pelas lideranças do comércio, da acade­mia, das universidades. Um governo aberto, de­mocrático, que cumpre o programa de governo.

Gazeta de Rio Preto - O senhor entregou o CEME e fez ações pontuais. Um laboratório para exames, para tomografias. Não são obras vistosas, mas impactam muita gente.

Edinho Araújo - A área de saúde teve avanços consideráveis. A Prefeitura montou um sistema onde ela mesma realiza esses exames laborato­riais numa escala muito maior e por um preço menor. O Centro Médico de Especialidades, a avaliação de que temos é de total satisfação da população. O Centro de Reabilitação, onde fun­cionava o antigo ARE, também é outro equipa­mento que se incorporou, além das reformas que estamos fazendo. Ampliações das Unidades Básicas de Saúde. Nós entregamos o Pronto So­corro do Santo Antônio. Leitos, com ar-condi­cionado na recepção, prontuário digitalizado, automatizado. Você atender a uma população de 450 mil habitantes e somando aqueles que nos visitam, você tem na cidade mais de meio milhão de pessoas, onde os serviços tem que ser prestados. A cidade como um todo. A zelado­ria, as praças, as ruas, as avenidas, a ilumina­ção pública. Buscando parceiras. Com a Polícia Militar. A nossa Guarda sintonizada. O Samu recentemente o de Rio Preto foi premiado na­cionalmente. Serviço de pronto socorro, de ur­gência, de traumas. Meio ambiente. Tínhamos uma posição por volta de 30º lugar no Estado de São Paulo. Agora estamos em primeiro lugar. Município verde e azul. Isso mostra o quanto temos de preocupação com o desenvolvimen­to sustentável. Com os compromissos com a ONU. Estamos plantando uma floresta no an­tigo IPA com mais de 100 mil árvores. Vamos ter aqui uma floresta. Muito em breve. A floresta do Noroeste Paulista. Na estação ecológica que nós também instituímos desde quando eu era deputado.

Gazeta de Rio Preto - E o abastecimento? Os poços Bauru, o aquífero Guarani. A solução é água do rio Grande?

Edinho Araújo - Uma possibilidade de termos essa solução alternativa de produção de água. Você citou os poços Bauru, aproximadamente 400 (até 200 metros de profundidade). Nós esta­mos perfurando o décimo poço Guarani (a par­tir de mil metros de profundidade) e os técnicos todos na mesma direção, com uma ou outra di­vergência, de que é preciso ter um projeto cap­tando água no rio Grande. E nos estamos exe­cutando esse projeto para que possamos avaliar mais a frente, toda a sociedade, a necessidade de tentarmos botar em prática esse projeto para que a cidade possa ter a segurança do abastecimento regular de água.

Gazeta de Rio Preto - Teremos dinheiro para o projeto?

Edinho Araújo - Estamos a frente, com a per­missão da Agencia Nacional de Águas (ANA). Portanto em condição de fazer essa captação. Porque não tem água para todo mundo. Esta­mos licenciados para tanto. Por isso, o proje­to em execução. É colocar esse projeto de pé e viabilizá-lo, a necessidade de fazer uma grande equação financeira. O Semae é uma autarquia das mais saudáveis, está em sétimo lugar do país. Pela sua eficiência, capacidade de gestão. Agora, buscar água no rio Grande é um investimento maiúsculo, que nós precisamos debater muito com a sociedade. Como fizemos, quando procu­ramos equacionar o problema da água e quando montamos aquele comitê gestor que acompa­nhou toda a execução da Estação de Tratamento de Esgoto. Três módulos eram suficientes para tratar o esgoto de uma cidade com 450 mil habi­tantes. A água é outra equação. Hoje se nós for­mos botar em números atuais o quanto custaria os emissários e todos esses módulos nós vamos chegar num montante que como chegamos até aqui? Com financiamentos. A Prefeitura colabo­rou, a Prefeitura teve o start. E depois o próprio Semae bancando esses financiamentos. Porque Rio Preto foi uma das primeiras cidades do Bra­sil a ter o projeto de tratamento de esgoto e por isso saímos na frente e hoje temos essa situação consolidada.

Gazeta de Rio Preto - O Marco do Sanea­mento vai ajudar?

Edinho Araújo - O Marco do Saneamento é uma discussão oportuna. Tivemos como relator é o (deputado federal) Geninho Zuliane, que fez um belo trabalho. O que é fundamental é sempre você saber o quanto a população tem a capacida­de para pagar. Porque, todo o serviço é realizado e depois você tem os financiamentos. O que me parece é que hoje temos um capital externo que­rendo investir no Brasil. E esta será uma das pos­sibilidades. Porque nós temos ainda (no Brasil) milhões de pessoas que não tem esgoto tratado. E é preciso que haja uma política nessa direção porque isso é saúde. Na medida em que você investe em saneamento básico você diminui os gastos em saúde pública. Espero que o projeto possa trazer mais luzes e mais recursos para essa questão fundamental de saúde pública.

Gazeta de Rio Preto - Tirar os trens ou o trá­fego do Centro da cidade. A empresa Rumo vai pagar?

Edinho Araújo - O Estado de São Paulo e o governo federal, muito menos o município, nin­guém tem condições de bancar um investimen­to dessa monta. Que é o contorno ferroviário. Eu participei de todo esse processo. Quando a empresa Rumo postulou junto ao executivo, fez os projetos, e para que isto fosse aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a propos­ta do governo de prorrogar por mais 30 anos a concessão da malha paulista ficou estabele­cido que a Rumo teria que fazer investimentos nos primeiros cinco anos. Com a prorrogação, ela trás para o momento presente esses inves­timentos necessários e eu acompanho isso há muitos anos e tive na defesa, nas audiências públicas, no próprio Tribunal de Contas da União. Acompanhei a votação histórica, que vai abrir muito o mercado ferroviário de carga no Brasil. Nós vamos ter esses investimentos aqui. E serão os maiores que a Rumo vai fazer, que será o contorno ferroviário de São José do Rio Preto. Para que nós possamos utilizar, e essa é minha proposta também concomitante de que essa malha permaneça para que a gente possa estudar a viabilidade de um VLT ou outro meio de transporte que utilize esse trajeto fazendo uma comunicação com o rodoviário urbano, e também ter uma comunicação entre Mirassol e Cedral, já nos preparando para a região Metro­politana.

Gazeta de Rio Preto - Esse VLT será um ato concreto para a instalação da região metropo­litana?

Edinho Araújo - Eu acho que é muito impor­tante. Nós temos já rodovias que nos ligam. Esse sistema viário e está comunicação por linha fér­rea. Temos o sistema rodoviário funcionando, mas acho que isso facilitaria e muito essa nossa integração regional. Porque mora se aqui, tra­balha se lá. E vice e versa. Eu acho que as cida­des tem que atender as demandas e as necessi­dades das pessoas. E na medida em que você tira as pessoas da rodovia onde perde tempo, onde há o problema da segurança, e você tem outra opção, que eu não sei que será o VLT ou outro veículo. Essa modernidade toda que nós estamos vivenciando, pode ser que tenha outro meio mais econômico. O importante é que nós venhamos utilizar esse leito é que está aí hoje com a linha férrea.

Gazeta de Rio Preto - Cento e trinta e três escolas, 41 mil alunos, 137 mil refeições dia, quase dois mil professores. Porque a rede de Educação inchou tanto? Crise ou a Universa­lização?

Edinho Araújo - Você toca num assunto que é da mais alta importância. Nós temos em Rio Preto um aumento considerável. De 2017 para agora nós tivemos um aumento de 37 mil para 41 mil crianças. Uma criança hoje na escola ou na creche no ensino fundamental custa por volta de R$ 9,5 mil, ano. Se a família tem duas crianças, R$ 18, 19 mil, é a contribuição do mu­nicípio. É importante destacar isso que muitas vezes as pessoas não sabem onde que é aplicado o recurso, o imposto que eu pago, é na criança do trabalhador, é no remédio, na consulta, nos exames que são feitos. Isso tem que voltar. Tem o custo da máquina, mas tem que voltar em benefício da população. Eu acho que esse au­mento é a somatória de tudo o que você coloca. Tem o viés da crise econômica. O outro é o bom serviço prestado pela educação municipal e crescimento demográfico. Então, você tem tudo isso e dá esse resultado que é ter que reforçar o número de professores, de funcionários, de sa­las de aula. E de vagas nas creches. Um trabalho que é de todo dia. Satisfazer a necessidade da população.

Gazeta de Rio Preto - Quando o senhor vai admitir que é candidato à reeleição? Qual é o problema? É natural. O rio caminha para o mar.

Edinho Araújo - Eu concordo com você que quem está no mandato hoje, e tendo o instituto da reeleição, e podendo ser candidato sem ne­nhum impedimento, é natural que as pessoas possam imaginar essa candidatura colocada. Agora, eu tenho um programa de governo a cumprir. Eu estou cumprindo três quartos de meu mandato que a população me outorgou em outubro de 2016. Eu tenho muita coisa para fazer ainda. Tem que ter foco. Eu sempre tra­balhei com prioridades na minha vida. Portan­to, meu foco é o administrativo. Não posso ter cabeça de candidato. Porque sinto que eu não estraria fazendo o correto. O prefeito tem que ter uma visão principalmente a médio e longo prazo. Tem que ter uma visão global da cidade. E o candidato muitas vezes pode ter uma visão imediatista. E, conveniências de momento, e que eu não tenho esse direito. Por isso eu não coloco na minha pauta essa decisão. Não coloco porque estou focado no administrativo. Isto, eu acho que minha avaliação faz bem para a cida­de. Faz bem para a cidade cumprir o programa de governo.

Por Rubens Celso Cri em 26/12/2019 23:59
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