Política

Boletim Eleições 2020: as principais notícias da política regional

O jornalista Rubens Celso Cri conta os bastidores da política em Rio Preto

Hora do povo

Termina hoje o prazo para que os partidos políticos inscrevam seus candidatos à eleição de 2020. Às 19 horas terminam as inscrições e, ao mesmo tempo, está autorizada o início da campanha política oficial.

Receita

O prefeito Edinho Araújo, MDB, pode ser chamado o mago das eleições. Afinal de contas, ele não perde nenhuma desde 1976 quando foi eleito prefeito de Santa Fé do Sul pela primeira vez. São 44 anos consecutivos vencendo eleições. Pode chegar a 48 anos...

O líder máximo

Se ele vencer a eleição em Rio Preto este ano, vai ficar no poder, com uma interrupção de no máximo dois anos, 48 anos consecutivos e no voto. Rio Preto tem 168 anos de fundação. Edinho já é o cacique político que mais tempo liderou o processo político: dia 31 de dezembro deste ano ele completa 12 anos à frente da Prefeitura. Antes, apenas o ex-prefeito Manoel Antunes ficou 10 anos.

No grito e na bala

A estabilidade política só chegou a Rio Preto com a Constituição de 1946. Entre 1894 e 1946 foi um banzé n’oeste. Chegamos a ter três prefeitos em um único ano. A legislação anterior e a ditadura de Getúlio Vargas a partir de 1934 ajudaram a formar o circo.

Ônus e bônus

Capaz de engolir sapos do tamanho de planetas inteiros com um sorriso no rosto e sem alterar ou diminuir um decibel no tom da voz, Edinho faz tudo isso porque sabe que é assim que se faz esse jogo e se sobrevive tanto tempo num pântano onde só habitam peçonhas. Uns dizem que é inteligência emocional. Outros, vocação.

Regras do jogo

Embora não vá admitir isso nunca, o grande segredo do Edinho é trabalhar com as regras do jogo. Ele começa a vencer as eleições bem antes que elas comecem. Para ficar em dois exemplos próximos. Na campanha de 2016 ele tirou o ex-prefeito Manoel Antunes da parada cooptando seu partido para uma coligação. Deixou o “português” sem a legenda. Mané tinha algo em torno de 8% das intenções de voto. Se tivesse ficado no jogo provavelmente teríamos 2º turno e a eleição, talvez, outro resultado. Ele sabe quais cartas têm que tirar do jogo.

Regra

Em 2020 ele fez a mesma coisa. Foi até mais ousado. Tirou um dos candidatos que poderiam levar a eleição para o segundo turno, Orlando Bolçone, DEM, e o trouxe como vice, juntando o voto dos dois numa mesma chapa. Se você não pode com o inimigo, junte-se a ele. Outro candidato de potencial desconhecido que ele tirou da parada foi Renato Pupo, PSDB. Foi cooptado por cima e o partido dele acabou na coligação que apoia Edinho e o MDB. Nesse caso, foi para evitar surpresas.   

Escolheu

Resta, portanto, uma candidatura que tem tempo de Rádio e TV e um partido forte: a Coronel Helena, Republicanos. Edinho imagina que seja com ela que vai brigar. Será a grande opositora de Edinho? Vai peitar a máquina com seu guerreiro, mesmo pequeno e limitado grupo de militantes? Vai conseguir agregar as franjas das classes mais abonadas insatisfeitas com o prefeito por causa da quarentena?

Candidatos Internet

Candidatos como Paulo Bassan, PRTB, Carlos Alexandre, PCdoB, Carlos Arnaldo, PDT, Filipe Marchesoni, Novo, Marco Rillo, Rogério Vinicius, DC, terão que virar protagonista com as novas armas de marketing político: as redes sociais. Entretanto, uma parte do eleitorado não tem acesso a elas. Eles terão que encontrar um discurso muito forte para entrarem na fotografia como protagonistas por outras vias.

TV extrema

Tem dois partidos que tem tempo de televisão: o PT, da professora Celi Regina, que fez a segunda maior bancada de deputados federais, e o PSL, de Marcos Casale, que fez a maior bancada e elegeu Jair Bolsonaro. Registro: o tempo de Rádio e TV é proporcional à bancada de deputados na Câmara Federal.

Tudo ao Estado

O PT tem tempo de TV, mas está bastante queimado com o eleitor e se desestruturou na cidade. Principalmente em Rio Preto onde o presidente Jair Bolsonaro fez quase 70% dos votos no 2º turno em 2018 vendendo o PT como obra do demônio. Em Rio Preto, o Partido dos Trabalhadores tem apenas 13 candidatos a vereador. O Psol levou aqueles que sempre fazem mais voto como candidatos a vereador. 

Tudo à iniciativa privada

A incógnita é o PSL, de Marco Casale. Uma liderança que desponta a partir dos protestos de rua contra os governos petistas e assumiu a direção partidária após Bolsonaro deixar o partido. Recebeu um apoio de peso e que era considerado o verdadeiro adversário de Edinho: Valdomiro Lopes. Preferiu transferir seus votos à Casale a entrar na briga.

Uma pedra

Embora discreto e contido entre as quatro paredes do partido, o problema é conter o “já ganhou no 1º turno” por parte dos militantes do MDB. Eleição, no entanto, não dá para cravar nada. Mais complicado ainda quando você tem um candidato aparentemente mais forte que os outros. De repente, surge um antagonista à altura e surpreende no meio do caminho. Ou acontece um fato fora do roteiro.

O imponderável

Em 1982 o prefeito eleito era Wilson Romano Calil. Não tinha para ninguém. Há 15 dias da eleição um de seus grupos que pregavam cartazes na noite encontra e troca tapas com os cabos eleitorais de José Eduardo Rodrigues. Os dois deram a eleição para o Manoel Antunes, àquela altura quase derrotado. 

Nova estrela?

Por outro lado, é difícil você encontrar entre os políticos da cidade quem acredite em um novo Bolsonaro de alparcatas aqui pelo sertão. No entanto, nada é impossível. Pelo contrário. 

João Paulo e a floresta

Seja lá quem for o prefeito eleito, pode escrever um nome que vai fazer oposição ferrenha: João Paulo Rillo, Psol. A não ser que o eleito prefeito seja o seu pai, Marco Rillo. Em vídeo que corre solto nas redes sociais, João Paulo detona Edinho e João Doria por causa da proposta de venda da Floresta Noroeste Paulista, no IPA.

Aos amigos

João Paulo diz com todas as letras que não dúvida que o incêndio no local tenha sido proposital, provocado para facilitar a venda da área para setores imobiliários de Rio Preto que querem transformar o lugar em dezenas condomínios de luxo. João:  “é a força da grana que ergue e destrói coisas belas”.

Só certinhos

Dizem que a burocracia partidária, a hierarquia rígida e as vezes violenta, transformaram os partidos de esquerda em espaços difíceis para a convivência. Mas, quem conhece a máquina de moer carne do Partido Novo, de direita, fica espantado. Foram avaliados pelo diretório estadual 17 candidatos a vereador em Rio Preto. Apenas sete foram autorizados a concorrer. Um desistiu.

PT Tur

Depois de uma pesquisa, o PT de Rio Preto chegou à conclusão que deve começar a campanha falando de turismo. O partido diz que o estudo mostra que é o segmento que mais cresce no mundo e que Rio Preto não se volta para o assunto. Segundo o PT, o turismo pode recuperar a economia local em 2021.

O bacalhau

É grande a expectativa para saber como se deu o ajuntamento MDB, DEM e PSDB. Política é a arte da troca. O sonho de Orlando Bolçone é voltar a ser deputado estadual. Outro que sonha com uma cadeira na Assembleia é Renato Pupo. Se Edinho vencer a eleição quem ele vai apoiar em 2022? Para ter esses dois grupos Edinho deve ter prometido alguma coisa. Em política ninguém da nada a ninguém. Faz troca.

E o caviar

Qual foi o acordo para 2024? Se for reeleito, Edinho não poderá concorrer a uma terceira eleição seguida. Vai apoiar quem? Bolçone? Pupo? Ou vem aí, finalmente, Rodrigo Garcia? Ele já ensaiou várias vezes entrar nessa briga. Embora Garcia já sonhe com voos mais altos como se acomodar na principal cadeira do Palácio dos Bandeirantes. Não se espantem. As amarrações para 2024 são feitas nos acordos de 2020. E se Rodrigo Garcia fez um acordo com Dória, foi em 2018.

A força do PMDB em 1982

Se Edinho apoiar Bolçone em 2024 e ele for eleito continua no poder em Rio Preto o grupo que venceu a eleição em 1982, apenas revezando os nomes desse grupão desde então. Em 1982 o então PMDB venceu a eleição municipal (Manoel Antunes), de deputado estadual (Dalla Pria, Aloysio e Edinho Araújo), deputado federal (Octacílio Alves de Almeida) e o governador Franco Montoro. Também em 1982, fora do grupo, foi eleito deputado federal Adail Vetorazzo.

Fora d’água

Fora do grupo, nesse intervalo de tempo os dois únicos políticos que pisaram na Prefeitura desde então foram Liberato Caboclo, PDT, e Valdomiro Lopes da Silva Júnior, PSB. E o Edinho que em 1999 saiu do MDB, arrumou uma barriga de aluguel no PPS e foi eleito. Edinho sempre foi MDB. Ele se candidatou em 1972 a prefeito pela Arena de Santa Fé porque o PMDB de lá, na época, tinha dono.

Por Rubens Celso Cri em 26/09/2020 14:40