Política

'O Estado não gera riqueza, ele toma de quem produz', diz Filipe Marchesoni

Candidato do Partido Novo encerrou a série de entrevistas promovida pelo jornal Gazeta de Rio Preto

Filipe Marchesoni, candidato do Partido Novo, encerrou a série de dez entrevistas com os candidatos a prefeito de Rio Preto realizada pela Gazeta de Rio Preto. A série foi mediada pela jornalista Vivi San Martino.

Marchesoni deu um panorama de suas propostas para governar Rio Preto e disse que a prioridade é cuidar da saúde, educação e segurança. Também vai diminuir de 22 para 11 as secretarias municipais, reduzir drasticamente os apadrinhados, priorizar o pagamento de escolas particulares para alunos de escola e creches públicas e até mesmo vender 50% do Semae.

O candidato do Novo diz que um dos motivos da ineficiência da máquina pública em Rio Preto é que ela é grande, cara, burocrática, além de realizar serviços que não são da vocação pública. Ele falou em criar a Casa do Empreendedor para que a documentação para fomento de negócios e empreendedorismo em Rio Preto saia no mesmo dia e não em seis meses, como são muitos dos alvarás. A Casa também será uma espécie de escola para o empreendedorismo.

Filipe afirma que vai diminuir o número de secretarias de 22 para 11 e praticamente acabar com os cargos em comissão (apadrinhados indicados). Disse que vai promover uma redução de impostos. Hoje empresas da cidade se mudam para as vizinhas porque os impostos municipais são menores. “Precisamos de isonomia de impostos”, disse. O fomento ao empreendedor será outra marca, afirma. Para ele, o empreendedor tem que ser respeitado. Citou a atual reforma do Calçadão, em plena pandemia, na “boca do gol”. Ou seja, da eleição. “Uma reforma como essa deve ser discutida com os interessados que sabem quais os horários ela vai atrapalhar e quais não”, explicou.

O candidato do Partido Novo condena a forma como a Prefeitura administrou a pandemia. “Fui totalmente contra fechar o comércio. É insano”, entende. Filipe afirma que testaria 100% dos rio-pretenses e separaria os doentes para tratamento. Teria feito uma parceria com a rede hospitalar privada para evitar a falta de leitos, aparelhos, remédios e equipamentos. Para ele, permitir apenas a abertura de empresas de serviços essenciais é errado. “O que é essencial?”, pergunta. E responde que uma floricultura, para o seu proprietário, é essencial.

Um dos assuntos discutidos foi o financiamento de campanha. O Partido Novo devolveu R$ 36 milhões à Saúde para enfrentamento à pandemia. Era a parte referente a ele para a campanha eleitoral. Explicou que para ser candidato no Novo tem que passar por várias provas, testes, treinamento e aulas. Em Rio Preto três candidatos se inscreveram. Ele disse que ficou 90 dias envolvido com o processo.

No Estado, 65 cidades onde tem o Novo tentaram ter candidatos. Mas, as executivas estadual e nacional barraram quase a metade. O mesmo processo serve para os vereadores. Dos 26 pretendentes, apenas seis conseguiram ser candidatos. Por isso, ele crê que o Novo seja totalmente diferente do ponto de vista dos valores. Depois de todo o processo, ele ainda teve que fazer um curso no Instituto BR Brasil sobre administração pública. Sem dinheiro público, o Novo faz campanha de arrecadação e cobra R$ 31 de cada filiado ao mês.

Uma das propostas mais polêmicas de Filipe é sobre educação. Ele diz que a escola pública custa bem mais cara que a escola privada. Propõe que os pais tenham a opção de receber um voucher para colocar os filhos nas escolas privadas. Vai ser mais barato, garante. Segundo ele, o professor da escola pública ganha até quatro vezes menos que os da rede particular. Lembrou que o Brasil, nos exames internacionais, sempre fica entre os últimos por causa da escola pública. Se fossem apenas as escolas particulares, afirma, o Brasil estaria entre os 10 primeiros em educação no planeta. Ele também acredita que o sistema de Saúde pode funcionar da mesma forma. E faz uma provocação: "Se perguntarem para você se quer levar um parente para um hospital público ou privado o que você vai responder?”.

Pelo programa extremamente liberal, Filipe explica que não é o caso nem de privatizar a educação ou a saúde. Apenas colocar a Prefeitura para coordenar todas as ações.

Em determinado momento, Filipe disse que o Estado não gera riquezas, mas toma do indivíduo. Diminuir o peso do Estado é o caminho, explica. 

O Novo acredita que irá ao segundo turno. Filipe disse que apenas agora as pessoas estão tomando conhecimento das proposta. Sua vice, Aglaê Antunes, filha do ex-prefeito Manoel Antunes, não é candidata à vice por causa disso. Ela passou pelo mesmo sistema interno. Por outro lado, ele diz que ela ajuda a levar as propostas do Novo para regiões onde o candidato não é conhecido. "Não é porque ela é filha do ex-prefeito Manoel Antunes", diz. 

Sobre os fatos que e repetem em Rio Preto, ele faz o mesmo discurso. Diz que pegou fogo no Ipa por causa da estiagem regular, anual, e ninguém se mexeu porque ninguém sabe de quem é o Instituto. "De quem é o Ipa?", pergunta. Se tivesse uma escritura com o nome do proprietário, ele teria ido socorrer. Quando o fogo chegou nos condomínios próximos apareceram aviões tanques, caminhões pipas. Diz que isso aconteceu porque quem é dono cuida. Portanto, para Filipe, o problema das queimadas é de gerenciamento do local.

A posição do candidato não é muito diferente quando o problema é racionamento ou volta às aulas. Diz que os custos do desassoreamento, com a troca da rede de tubulação velha que deixa desaparecer muita água tratada e outras necessidades, como comprar ou trazer água de outro local, serão resolvidos com 50% da venda do Semae. Embora dona, ela não teria o direito de aumentar tarifa sem autorização da parte municipal. E disse que, se ele fosse o prefeito, teria feito testes em todas as crianças e as aulas teriam continuado.

Ele também disse que a favela da Vila Itália é simples de resolver. Lotear, vender os lotes aos ocupantes e fazer as melhorias. A parte da terra invadida e que não é pública será negociada com o proprietário.

O diretório municipal do Partido Novo acredita que vá para o segundo turno. Disse que as atuais pesquisas apenas retratam o que está acontecendo naquele momento e algumas foram feitas antes do início do horário eleitoral e da campanha começar. Caso vá para o segundo turno, acha que todos os partidos que não estão com o prefeito estarão com ele. Mas ressalva que nem todos que vão ficar de fora têm o mesmo perfil e talvez seja complicado. Lembra que chegar ao 2º turno não é difícil, que as campanhas mudaram com as redes sociais e relembra do governador de Minas, Zema, do Novo, que não aparecia nas pesquisas, surpreendeu e venceu a eleição. 

Para essa fase da campanha ele anunciou a vinda de três deputados federais do Novo para fazer campanha para ele.

Veja a sabatina completa clicando aqui.

Por Rubens Celso Cri em 21/10/2020 15:28