Política

Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 20 de novembro

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política regional

Guerra aberta

Quem acha que a eleição terminou está enganado. Agora, começa a briga de foice por um pedaço do Poder. Isso significa uma Secretaria, uma empresa pública (Emcop, Emurb, Empro) ou cargos em Comissão para pessoas indicadas sem concurso público. O prefeito Edinho Araújo mostra há anos que tem jogo de cintura para tourear as investidas. Prometeu, nas primeiras horas, que não muda o seu secretariado no próximo governo. Uma promessa que, talvez, ele não consiga cumprir. 

Como se faz

Essa história começa quando o prefeito reúne 12 partidos em sua Coligação. Ora, político tem faro afinado (alguns, né?), e parte dos partidos da Coligação formada pelo MDB sabia que sozinha não elegeria nem um vereador. Então, não lança candidato, apoia quem o faro fino indica que vai ganhar e, após a vitória, cobra o seu naco. Se não tiver força para conseguir uma secretaria, ainda temos pouco mais de 300 cargos em Comissão (sem concurso, por indicação).

Pressão

Edinho, no entanto, não deve ter problemas com os partidos da Coligação que pouco ofereceram. Alguns segundos de tempo de Rádio e TV e nada mais. Cargos em Comissão estão valendo. Tem aqueles que elegeram vereadores e podem tentar colocar o prefeito na parede na Câmara votando contra projetos e programas do Executivo.

E agora...

Antes das convenções partidárias Edinho tinha na base, por exemplo, o Republicanos. Seu maior adversário na disputa municipal. O partido tinha apenas um voto, da vereadora Karina Caroline. Um voto, em algumas circunstâncias, faz toda a diferença. Existem projetos que precisam de metade mais um e outros que exigem 2/3 dos votos dos vereadores para serem aprovados. É quando um voto vale ouro.

... Diego Polachini

Talvez o prefeito volte a compor com o Republicanos que, na legislatura que vai começar, terá dois votos num universo de 17. Embora tenha sido o único adversário de fato na eleição, o Republicanos e sua direção local são extremamente pragmáticos. Dificilmente criarão problema para projetos importantes para a cidade. Se tiver conversa, ela vai ser muito dura e delicada. Pisando em ovos. 

Oposição?

No Republicanos não tem amadores. O voto que o partido tem nesta Legislatura (Karina Caroline) que está acabando lhe deu a Secretaria de Habitação e a Empresa Municipal de Construção Popular, Emcop. Só deixou o posto após definir candidatura própria. A partir de janeiro de 2021 serão dois votos. Claro que um acordo depende de outras variáveis.

Tem 2022

Uma delas é: qual será o comportamento do prefeito na eleição de 2022? Quando você vai fazer um acordo antes da eleição, os apoios futuros a candidatos a deputados entram na conta. Para obter os votos do Republicanos, provavelmente Edinho terá que apoiar, ou não atrapalhar, uma candidatura da Coronel Helena à deputada. A campanha dela para 2022 já está na rua. Melhor: na boca do povo.

Próximo round

No entanto, tem um problema difícil à frente: durante as negociações para atrair mais 11 partidos além do dele, pressupõe-se que Edinho tenha amarrado alguns compromissos para 2022. Só entre os partidos que o apoiaram teremos vários candidatos a deputados estaduais e federais. MDB e os outros partidos afirmam que os apoios foram programáticos. Não há compromissos futuros.

Balaio

Para conseguir o apoio do DEM e do PDSB a conversa foi “por cima”. Edinho deve caminhar com Rodrigo Garcia candidato ao governo paulista e João Dória à presidência da República. Qual o apoio da máquina municipal em 2022 amarrado ou comprometido com os candidatos locais desses partidos? E os candidatos dos outros nove? E o MDB?

Secretarias

Uma das pressões poderá vir do presidente da Câmara, Paulo Pauléra, PP. Seus correligionários, e até vereadores, acham que ele deve ser Secretário Municipal. Foi a voz e a cara da administração nos últimos anos, segurou todas as ondas, deu suporte a todos os projetos do prefeito e não o abandonou nem mesmo quando o deputado federal de seu partido, Fausto Pinato, disse que ia mudar o título para Rio Preto e disputar com Edinho.

Problema do PP

O problema de Pauléra é justamente o seu suplente. Mateus Barbosa, filho do ex-vereador Gilberto Barbosa. Gilberto é adversário de Edinho. Nunca o poupou ou escondeu as suas críticas. O Mateus também. 

Salto com Cabo

Tem mais pressão na Câmara. Vem do PSD e dos esportistas. Esportistas (e não esportistas) que não aguentam mais tantas denúncias de problemas e má gestão na Secretaria de Esportes. Querem resolver dois problemas numa cajadada só. Indicar o recém-eleito Cabo Júlio, que é do ramo, para o Esporte. Ele faz o juramento, assume o mandato e pede licença. Deixaria a Câmara e abriria espaço para a primeira suplente: Márcia Caldas, que não foi reeleita. Edinho não pode contar com o voto do outro vereador desse partido, Jorge Menezes, PSD.

Ligar a luz

O ex-pré-candidato a prefeito de Rio Preto, vereador Renato Pupo, PSDB, cumprimentou o prefeito Edinho Araújo pela vitória eleitoral. Pupo era o candidato do PSDB. Foi sacado aos 47 do segundo tempo e a direção estadual do PSDB fechou com a coligação que lançou Edinho. O vereador é um entusiasta da transparência na vida pública. Pode vir a público explicar o que aconteceu. O motivo de sua renúncia à candidatura de prefeito pelo PSDB é um enigma na vida pública local e uma página suprimida da história da cidade.

Engolindo sapos

Sabe-se também que existe um burburinho que Renato Pupo pode ser secretário.  Se isso acontecer, a renúncia de Pupo à pré-candidatura a prefeito pelo PSDB estará explicada. Na verdade, tanto Edinho quanto Pupo não são “correligionários” ou “amigos”, digamos. No entanto, o suplente de Renato é o médico César Gelsi que assumiria a vaga. Quando esteve na Câmara, sempre foi leal a Edinho. Há confiança no voto prometido por Gelsi.

Gelsi volta?

Se estivéssemos num período normal, César Gelsi teria voltado para a Câmara sem grandes dificuldades. Podia ser até mais bem votado que Renato Pupo. O problema do médico foram as abstenções. Mais de 100 mil. Grande parte, de pessoas idosas, com comorbidade. Justamente o eleitor que Gelsi visitava diariamente como médico da família na região norte. Ele já teve quase 5 mil votos gastando apenas sola de sapato de casa em casa falando com ex-pacientes. É a terceira vez que ele bate na trave. Numa delas, por uma dúzia de votos.   

Eu presido

Outra questão importante é a eleição para a presidência da Câmara. Embora exista um movimento para que o nome escolhido seja o do vereador Fábio Marcondes, PL, o jogo de xadrez ali vai longe. Caso Pauléra não junte garrafas para ser secretário ele vai tentar se manter na presidência da Câmara. Não será reeleição porque é uma nova legislatura. Ele pode concorrer novamente ao cargo. Ele e Fábio são amigos. Quando têm muitos famintos e apenas um pão a foice come solta na reunião dos doutores. 

Adversário sem carinho

Fábio Marcondes tem a oposição (mesmo velada) da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto, Acirp. A entidade que tem a maior força política da cidade. Há cem anos.

Super Ramalho

Quem se manteve bonito na foto foi o secretário Ulisses Ramalho, dos Serviços Gerais. Na eleição passada ele retirou a legenda do ex-prefeito Manoel Antunes e elegeu um vereador: Pedro Roberto. Em 2020, elegeu dois. Deverá continuar a zelar pela cidade.

A andorinha

Falando sério: a esquerda é quem realmente faz oposição e elegeu um vereador. João Paulo Rillo, Psol. Terá que arregimentar os independentes para conseguir fazer oposição real na Câmara. Caso contrário, serão apenas discursos. Quais seriam os independentes?

 

Por Rubens Celso Cri em 20/11/2020 17:09