Política

Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 4 de dezembro

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política regional

Troca de cadeiras
O prefeito reeleito Edinho Araújo, MDB, faz nova mudança de cadeiras entre os secretários que ocupam esse cargo nessa legislatura. O atual secretário da Administração, Roberto Thiesi, assume o lugar de Adilson Vedroni, na Procuradoria Geral do Município. Vedroni, por sua vez, assume a Secretaria de Administração. O jornalista Mário Soler reassume a secretaria de Comunicação Social. Ele se afastou para pensar e roteirizar a campanha do prefeito. Martinho Ravazzi reassume a Secretaria da Fazenda, cargo que ocupou no governo Liberato Caboclo. E para a Empresa Municipal de Construção Popular, Empro, entra Ângelo Bevilacqua, que deixa a Fazenda.

De volta

A indicação do vice-prefeito Orlando Bolçone, DEM, para a Secretaria de Planejamento da Prefeitura, encerra um ciclo que começou em 1983. Ele diz que no primeiro governo do Mané a cidade esgotava um ciclo de crescimento e desenvolvimento iniciado por Alberto Andaló e seu Plano de Urbanização preparado pelo renomado arquiteto e engenheiro brasileiro Heitor José Eiras Garcia. Segundo o arquiteto no final da década de 1950, Rio Preto não passaria dos 350 mil habitantes.

Os cinco ciclos

Antes de Andaló, tivemos o ciclo do café, a chegada da estrada de ferro e a BR 153. Ela conectou Rio Preto diretamente a nove estados e aos outros 27 através das rodovias estaduais que a cortam. Começa em Marabá, Pará, e termina em Aceguá, RS, divisa com o Uruguai. Em cada um desses momentos, Rio Preto teve um intenso ciclo econômico e forte expansão econômica e populacional. A BR 153 se chama Transbrasiliana no estado de São Paulo.

O 4º

Rio Preto havia acabado de vencer um grande projeto dirigido para cidades de porte médio no Brasil junto ao Banco Mundial (Programa Cidades de Porte Médio). Bolçone afirmava à época que o prêmio, de milhões de Cruzeiros à Fundo Perdido (que não precisa ser devolvido) ia iniciar um novo ciclo de desenvolvimento. O plano exigia que cada novo bairro contivesse um míni-distrito industrial. Hoje são três grandes distritos e quase duas dezenas de míni-distritos industriais e perto de 500 mil habitantes. Em 1983 tínhamos em torno de 220 mil habitantes e éramos menores que Bauru e Piracicaba. Ficaram no retrovisor.

 O 5º

O retorno de Bolçone ao Planejamento tem várias leituras. A primeira é meramente administrativa. Embora muitos digam que não, ele é considerado o pai de dezenas de técnicos extremamente bem preparados que teria formado durante suas várias passagens pela Secretaria. Sua volta marca, portanto, o início de um novo ciclo de crescimento. É o que ele planeja a partir do Parque Tecnológico. Agora, com um olhar para a qualificação de nossa mão de obra e de nossos empresários.

Cosmopolita

O objetivo é usar o Parque Tecnológico para atrair empresas de alta tecnologia, fomentar pesquisas entre elas e as universidades locais e criar toda uma cadeia produtiva sustentável a partir de Rio Preto. Essa cadeia vai usar uma mão de obra extremamente preparada. Trabalhadores qualificados, melhores salários, qualidade de vida e Rio Preto pode por um pé no primeiro mundo. Não se enganem. Serão outros 40 anos. A meninada agradece.

Itamar Borges vem aí?

Tem o viés político da nomeação. Ela pode resolver dois problemas. Alavancar a eleição de Orlando Bolçone a deputado estadual daqui dois anos e liberar o prefeito para apoiar outro nome para a própria sucessão em 2024. Está longe para falar sobre isso? Para leigos. O xadrez está sendo jogado. E começou antes da eleição deste ano. Ou alguém aqui se esquece que o deputado estadual, Itamar Borges, MDB, mudou seu domicílio eleitoral para Rio Preto? Não foi para fazer graça. Itamar é discreto, joga muito bem, trabalha muito e em silêncio. A desculpa que mudou para Rio Preto porque precisa ampliar a base de eleitores para se reeleger não cola.

A cria

No domingo da eleição, dia 15 de novembro, às 17h, Itamar Borges foi visto no apartamento de Edinho Araújo. Os dois conversavam na sacada do apartamento. Se o candidato do MDB em 2024 for Borges (o grupo tem a maioria dos votos para tomar essa decisão) podemos ter Santa Fé do Sul governando Rio Preto bem mais que 16 anos. Aliás, o grande sonho de Itamar. A grande pergunta é: cadê a classe política rio-pretense? Itamar segue os mesmos passos de Edinho: prefeito de Santa Fé, deputado estadual, se muda e se elege prefeito de Rio Preto. Edinho tira o pé, Itamar põe. Portanto, se tiver alguém no MDB que tem pretensão, é bom começar a costurar. 

Sonho meu

O planejador Orlando Bolçone deseja ser prefeito de Rio Preto desde a adolescência. Entrou para a juventude emedebista quando o ex-deputado federal Pedro Alves de Almeida, MDB, presidia o partido na cidade no último governo de Adail Vetorasso, Arena. Adail saiu antes, em 1980, quando se desincompatibilizou para ser deputado federal. Roberto Lopes de Souza, que era o vice, ocupou no cargo. Estávamos no regime militar. Embora tivesse o apoio do ex-prefeito Manoel Antunes, em 1988 Bolçone perdeu a convenção interna para Toninho Figueiredo, que foi eleito e assumiu em 1999.

O grupo

Bolçone é do DEM, mas pode ser cabeça de chapa (o candidato) de uma coligação com o MDB e apoiada pelo prefeito. No entanto, até onde se sabe, as amarrações com o Bolçone são para 2022. Em Rio Preto, o DEM, sozinho, não tem estrutura. Claro que entre hoje e as definições para 2024 pode chegar um segundo sol e realinhar a vida pública local. Dizem que é o chacoalhar da rodovia que acomoda a carga.

E se...

Tem outros dois fatores que vão pesar no campo emedebista. E se Rodrigo Garcia vencer a eleição para o governo do Estado? O DEM vai abrir mão de ter candidato a prefeito na terra natal e reduto eleitoral do governador? E se o João “Vacina” Dória, PSDB, vencer a eleição presidencial? O PSDB vai deixar de ter candidato próprio em Rio Preto? Hoje, em Rio Preto, estão todos debaixo da asa do prefeito Edinho Araújo.

Começou

Edinho tem definidos para começar 2021, Zeca Moreira chefe de gabinete, Orlando Bolçone, Planejamento, Israel Cestari Júnior para a Secretaria Municipal de Obras e Desenvolvimento Urbano, Aldenis Borim, Saúde, e Nicanor Batista Júnior, Semae. Ao que tudo indica, as disputas e pressões pelas outras secretarias estão aceleradas. O calendário foi mudado e tudo tem que ser resolvido em menos de um mês.

De Trânsito

Um candidato a secretário é Fábio Marcondes, PL. Mas, afinal, por qual secretária Fábio faz pressão? Pela manhã, na Câmara, ele está cotado para ser Secretário de Trânsito. Segundo comenta-se, a queda do primeiro secretário de Trânsito, Marco Apostolo, teve a participação de Fábio Marcondes. Ele sempre negou. O Trânsito tem sob sua administração a Guarda Civil Municipal. Projeto para autorizar estacionamento nos corredores de ônibus é de Fábio Marcondes. Mas...

De Esporte

Um cacique que senta do lado direito do todo poderoso prefeito Edinho Araújo jura que Fábio Marcondes é o próximo Secretário Municipal de Esporte. Na verdade, tal cacique afirma que “a única coisa certa até aqui é que Fábio Marcondes é o novo secretário de Esporte”. A conferir.

O dia do Fico

Outra briga de foice está no prédio ao lado. Na Câmara Municipal todos dão como certo a manutenção de Paulo Pauléra, PP, na presidência. Ele poderá se candidatar novamente porque em 2021 começa uma nova legislatura. Começa do zero. Não é considerada pelo STF uma reeleição. A decisão nesse sentido saiu quando o então vereador e presidente Dorival Lemes presidia a Câmara nessa mesma circunstância. Manteve-se no cargo na nova legislatura.

Tem tempo

Na verdade, na Câmara, as coisas não estão pacificadas. Pedro Roberto, do Patriotas, articula sua candidatura. Jean Charles, MDB, Jorge Menezes, PSD, e Renato Pupo, PSDB, também. E tem o Fábio Marcondes. Se as suas articulações para ser secretário não derem certo, ele vai se voltar para a presidência da Câmara Municipal. Na rádio corredor, a preferência do prefeito é por Paulo Pauléra.

O trator do Branco

A Câmara, no entanto, não tem apenas o cargo de presidente. Tem toda a Mesa Diretora. Vice-presidente, secretário, etc... Até 31 de dezembro, a vice-presidente é a vereadora Karina Carolina, Republicanos. Mas, Anderson Branco já peitou todo mundo, incluindo a vereadora e outros vereadores e quer ser o vice-presidente a partir de janeiro. Karina quer se manter, mas não vai para uma guerra. E seu partido é o da Coronel Helena. Perdeu a eleição.

Eis a questão

Há uma expectativa para saber qual vai ser o papel do Republicanos no governo. Independência, situação ou oposição? Um militante do partido na Câmara não está satisfeito com Diego Polachini. Segundo ele foi Diego que “mandou” o pessoal do Republicanos entregar os cargos quando a Coronel foi oficializada candidata com o apoio de três partidos. Edinho teria dito a essas pessoas: “nós vencemos juntos para governar até o dia 31. Fiquem”.

Universal proibiu

Para engrossar o caldo, corre extraoficialmente entre os militantes do Republicanos que uma ordem expressa da Igreja Universal do Reino de Deus (e diretores da TV Record) proíbe expressamente um filiado do Republicanos de aceitar qualquer cargo no governo que vai começar. Dizem que não ter conversa.

O X da questão, no entanto, está na Câmara. O Republicanos terá dois votos. O prefeito poderá abrir mão deles? O que fazer para tê-los? O prefeito não pode perder a maioria de 2/3 (12 votos) na Câmara. Ah... O “X da questão” não é plágio do programa do jornalista Alexandre Gama na TV Câmara. É apenas o nome de um samba clássico do Cartola, da década de 60 do século passado.   

Pau de sebo

Um secretário que esteve na corda bamba é Ulisses Ramalho, dos Serviços Gerais, presidente do diretório do Patriotas em RP. Mas, a tempestade teria passado e ele se mantém no cargo.

Por Rubens Celso Cri em 04/12/2020 17:29