Política

Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 08 de janeiro

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política

Pneu furado

A Circular Santa Luzia pode estar armando uma bomba relógio no transporte coletivo. Terminou dia 31 de dezembro o prazo das medidas que autorizavam redução de jornada e de salário em função da pandemia de coronavírus. O governo federal bancou parte da redução. Essa complementação salarial terminou. Uma Lei de 1965 autoriza, a partir de 1º de janeiro, redução de 25% nos salários sem redução de jornada de trabalho e sem compensação salarial pelo governo, nos próximos três meses. Num primeiro contato, o Sindicato dos Motoristas é contra a proposta. A empresa começou, então, a abordar motoristas e cobradores individualmente. Passou a anotar quem concorda, e aqueles que não topam.

Contra a Lei

Na quarta-feira os motoristas da empresa fizeram uma assembleia reduzida no Terminal para discutir o assunto com o pessoal do Sindicato. Embora discorde, o Sindicato teria admitido que é uma Lei Federal e a decisão da empresa não fere a legislação. Mas discorda da forma como a questão vem sendo abordada. Em ofício fixado no Terminal informa que não existe acordo individual e que outra Lei de 1965 determina acordo coletivo e jamais individuais. A empresa estaria pressionando os funcionários de forma indevida.

Braços cruzados

Motoristas e cobradores não entendem a postura da empresa. Mesmo sem aumento no preço da passagem para os usuários, a Prefeitura concedeu um aumento de 2,84% na tarifa técnica. Ele saltou de R$ 4,10 para R$ 4,22. Foi a porcentagem solicitada. A diferença entre o valor pago pelo usuário e o da tarifa técnica é bancado pela Prefeitura com subsídio. Para as passagens compradas antecipadamente através do Vale transporte o valor é de R$ 3,30. A diferença para a nova tarifa técnica é de R$ 0,92. Quase um real por pessoa. Para as passagens pagas na catraca, a R$ 3,50, a diferença paga com dinheiro público é de R$ 0,72. Em tempos normais, são 70 mil usuários dia. Alguns motoristas começam a falar em paralisação do transporte público.

Na Lei

Se a empresa cumprir a lei, em caso de greve poderá demitir e admitir novos colaboradores. Num país onde quase 15 milhões de pessoas estão desempregadas, e com a crise econômica se aprofundando, ela não terá dificuldade. Se ficar o bicho pega, se correr ele come.

Fechando a porteira

No final da tarde de ontem, o prefeito Edinho Araújo informou a nova composição da GCM – Guarda Civil Municipal: Vitor de Carvalho Cornachioni (Diretor), Alexandre Montenegro (Coordenador operacional), Carlos Marcelo Nogueira do Prado (Corregedoria) e Fabiano Sanches (Ouvidoria).

Luz

Após a nomeação de Luiz Guilherme Garcia Diretor de Finanças da Câmara, braço direito do vereador Jorge Menezes, ficou claro como Pedro Roberto conseguiu ser eleito presidente. Para ficar com o cargo, o vereador Jorge Menezes votou em Pedro contra a orientação de seu partido, o PSD. Pedro fez o que todos fazem, mas sempre condenou: toma lá, dá cá. Um voto, um cargo. De preferência de primeiro escalão. Guilherme é advogado e opera na vida pública há 16 anos.

Claro como água

No final desta quinta-feira, dia 7, Pedro Roberto anunciou também Luciana Machado diretora Legislativa, indicada pelo PSDB, Ailton Ângelo Bertoni, o Ito, diretor Jurídico, pelo Psol.

O escolhido

O novo diretor geral também está definido. A assessoria de novo presidente diz que só será anunciado depois da checagem da documentação.

Esquerda Unida

O novo diretor Jurídico, advogado Ailton Bertoni, indicado por João Paulo Rillo, do Psol, é vice-presidente do diretório municipal do PT.  No país, dizem que o Psol é um puxadinho do PT. Em Rio Preto, a situação parece inversa. Carlos Henrique, presidente do PT, disse que foi comunicado por Bertoni, e que o partido não vai se posicionar porque é uma questão profissional.  Uma união tardia. Esperava-se que os 2 partidos estivessem juntos na eleição municipal.

Dá para o gasto

Diretores de Finança, Jurídico e Legislativo são cargos comissionados (indicados) referência C2. Salários de R$ 7.077,00 e gratificações fixas de R$ 2.477,00. Vencimento bruto de R$ 9.555,00 ao mês. Com décimo terceiro, quase R$ 130 mil ao ano. Em dois, R$ 230 mil. Os dados são do Portal da Transparência.

Independência

Para a felicidade geral da nação, o diretor de Comunicação Social não entra no troca-troca. Lei determina que ele é necessariamente um funcionário de carreira. Até o dia 31 de dezembro foi o jornalista Alexandre Gama, prêmio Esso de Jornalismo. Imprimiu um padrão de qualidade à TV Câmara. Foi indicado por Fábio Marcondes, oposição a Pedro Roberto. Alexandre Gama é técnico. Temos outros jornalistas com a mesma qualidade no quadro de funcionários. Gama e eles entendem do riscado. Pedro pode propor que os próximos diretores sejam funcionários de carreiras. Colocaria um ponto final nesse jeitinho esquisito de fazer política.

Quem dará o rumo

A vitória de Pedro Roberto foi vista por muitos analistas como uma derrota do prefeito Edinho Araújo. Na verdade, essa conclusão é precipitada. Mesmo no controle da máquina, só saberemos na retomada das sessões ordinárias qual grupo vai dar o tom. Nas sessões, os vereadores que se alinharam a Pedro Roberto devem se dividir. Jean Charles, por exemplo, é Edinho desde criancinha. Funcionou como um líder informal do Executivo nos últimos 4 anos e é um fiel escudeiro do prefeito. O voto dele muda a correlação de forças. A presidência é importante. Mas quem define e dita o rumo da cidade são os votos no plenário durante as sessões.

A praça do Jorge

Como votarão Cabo Júlio e Jorge Menezes, do PSD? No dia da eleição de Pedro Roberto, ao votar, Jorge Menezes disse que votava contra o candidato do prefeito porque foi abandonado pela administração. Se tiver seus pleitos atendidos, muda tudo. Ele “briga” pela reforma da praça esportiva da Cecap. E se ela for feita? Por isso, antecipar vereditos é um equívoco. Só saberemos quem tem a força na Casa quando as sessões e as votações forem retomadas. Até lá, é só chute. Na verdade, apenas Paulo Pauléra perdeu a eleição e Pedro venceu.

Em casa

O próprio Pedro Roberto é filiado a um partido da base do prefeito. Foi e tem sido muito bem tratado por Edinho. Ele retribuiu com votos nos últimos 4 anos. Só votou contra, em matérias de apelo popular. Isenções de impostos, benefícios a trabalhadores e funcionários públicos, regulamentação de motoristas por aplicativo, etc. Projetos fundamentais para o executivo sempre tiveram seus votos a favor. O exemplo mais próximo é o do Plano Diretor votado em dezembro. O ex-vereador Marco Rillo, que foi oposição a Edinho, externou a este jornalista, numa sessão, sua decepção com alguns votos dados por Pedro Roberto. Ele vai abandonar a base? Não.

Independente?

O vereador mais independente do grupo, Renato Pupo, após a vitória de Pedro Roberto, deixou claro que o grupo não é de oposição. Seu partido, PSDB, é da base ocupa a Secretaria da Habitação.

Passando o rodo

Além de Pedro Roberto, Renato Pupo e João Paulo Rillo, um outro ator político local também venceu. O jornalista Diego Polachini, presidente do diretório municipal do Republicanos. No entanto, dificilmente terá o que deseja: uma Câmara independente. A independência não depende do Pedro. Ele pode ouvir todo mundo, ser republicano, democrático ao privilegiar projeto de opositores na Ordem do Dia (relação do que é votado ou engavetado), etc. Mas ele tem apenas um voto. O grupo, no máximo 8. Se a maioria votar contra suas teses (ou de seu grupo), pode ficar isolado contra uma base que, com certeza, será reconstruída pelo Executivo. Por outro lado, o grupo “limpou” qualquer vestígio da administração anterior. 

E a burocracia?

E se as direções locais do PSD, PSDB e Patriotas, que fazem parte da base do prefeito, fecharem questão partidária? Quando um partido “fecha questão” em relação a um projeto que vai ser votado seus parlamentares são obrigados a seguir a orientação . Quem não obedece pode ser expulso e perder o mandato. Pedro Roberto, Renato Pupo, Cabo Júlio e Jorge Menezes são do Patriotas, PSDB e PSD. Todos têm assento no secretariado municipal. São da base do prefeito. Na última reunião do Patriotas, Pedro Roberto, perdeu uma votação por 8 a 1. Renato Pupo já sentiu o peso da mão invisível do diretório estadual do seu partido.

1ª, dia 26

O jogo começa dia 26 deste mês. Na primeira sessão, serão definidas as Comissões. Nela, veremos qual grupo vai assumir as mais importantes. A Comissão de Justiça e Redação é a vaca sagrada. Pode matar os projetos no ninho, antes que cheguem no plenário para votação. 

Vamos regredir?

Circula desde ontem pela manhã nas redes sociais um mapa do estado de São Paulo com as regiões que voltam para a fase 2, laranja. Nela, ficam proibidos de abrirem as portas bares, restaurantes (consumo no local), salões de beleza, barbearias, academias de esporte de todas as modalidades e qualquer atividade que gere aglomeração. Shoppings e comércio de rua poderão funcionar durante 4 horas com apenas 20% da capacidade. Na fase 2 praças de alimentação fecham. O mapa foi antecipado ontem pela manhã pela TV Globo e pela CNN Brasil. A definição será conhecida em coletiva no Palácio dos Bandeirantes as 12h45.

Vinholli deu o sinal

Em uma entrevista do secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marcos Vinholi, também na manhã de ontem, conflita com o que o mapa mostra. Ele informou que “podem” voltar para a fase laranja as regiões de São José do Rio Preto (Noroeste Paulista), Taubaté (Vale do Paraíba) e Registro (Vale do Ribeira). Mas o Mapa mostrado pelas emissoras indica que voltam para a laranja São José do Rio Preto, Taubaté e Barretos e não Registro. Segundo o que ele indica, Registro permanece na fase 3, amarela. Catanduva entra na roda. É a cidade de Marco Vinholli. 

Se faz de morto

Paulo Pauléra indicou os nomes dos 2 subprefeitos. Para Talhado foi nomeado o ex-diretor geral da Câmara na gestão de Pauléra, Ronaldo Adriano de Oliveira, e em Schmitt, Jeferson Vinicius Marascalqui. No entanto, Paulo Pauléra dorme com um olho fechado e o outro aberto. Com paciência de Jó, ele mira a cadeira onde já ocupou como secretário municipal. A Secretaria dos Serviços Gerais. O atual secretário é o dentista Ulisses Ramalho, presidente do diretório municipal do Patriotas.

 

 

Por Rubens Celso Cri em 08/01/2021 09:09