Política

Câmara retrocede à Idade Média e impede criação de Conselho de Diversidade Sexual

Os vereadores bolsonaristas e conservadores impediram a criação de um Conselho Municipal enquanto já aprovaram dezenas de outros sem conotações ideológicas

Em pleno século 21, a cidade teve sua noite de Idade Média na sessão da Câmara de ontem, terça-feira (30). Eles votaram contra a criação do Conselho Municipal dos Direitos de Diversidade Sexual e de Gênero em São José do Rio Preto. Rejeitaram a criação por 12 dos 17 votos (Veja abaixo a lista do vereadores que votaram contra). A proposta foi do prefeito Edinho Araújo, MDB.

Os argumentos foram os mais reacionários e preconceituosos que a Casa ouviu nos últimos tempos. Todos concordaram que as pessoas com uma orientação sexual desse grupo social são decentes, normais, um grande grupo na sociedade, mas que já têm os seus direitos garantidos na Constituição Federal.

João Paulo questionou então porque criaram uma dezena de Conselhos. Entre eles o do Idoso, da Criança e Adolescente, do Meio Ambiente, da Mulher, do Fundeb, etc. Todos já estão contemplados na Constituição de 1988, assim como quem tem outras orientações sexuais. E mais: o projeto é do prefeito e quem votou contra é a favor de Edinho. Na verdade, a sua base na Câmara. Muita gente tanta entender quais foram às motivações.

João Paulo Rillo, Psol, e o vereador Renato Pupo, PSDB, ficaram abismados com o que ouviram. Houve vereador que disse que as pessoas LGBTG+ são iguais a nós, nos tratam em hospitais, fazem e servem nossa comida, nos prestam socorro e são decentes como as outras, mas votou contra. No caso, foi o vereador Robson Ricci, Republicanos.

Na verdade, foi um show de horrores, preconceito e reacionarismo.

João Paulo Rillo radicalizou, chamou todos de “canalhas” e disse que sentia ânsia de vômito. Renato Pupo revelou que ficou com os “batimentos cardíacos alterados” após ouvir tanta afirmação equivocada. E avisou que eles cometeram o maior erro da vida deles. Esse é um grupo organizado, imenso, e não dispensa uma boa briga.   

Portanto, o único grupo da sociedade local sem um Conselho Municipal passa a ser o LGBTQIA+. Os vereadores referendaram a posição dos evangélicos e do próprio presidente Jair Bolsonaro, que não gosta de “maricas”. Na verdade, foi uma posição ideológica dos 12. Os vereadores que votaram contra são o extrato social rio-pretense, segundo João Paulo. A Câmara, para ele, reflete o que a classe média conservadora local pensa.

O Conselho seria para discutir seus problemas e buscar soluções, propor políticas públicas. Nesse caso, um deles é justamente a perseguição e morte por causa da orientação sexual. Nesse caso, foi uma das noites mais sombrias que tivemos na Câmara nos últimos anos. Assim como quase duas dezenas de Conselhos Municipais que existem em Rio Preto.  

Os vereadores que votaram contra devem viver num outro mundo. O Conselho não seria deliberativo. Portanto, só teria o poder de “propor” ações ao prefeito. E ele acataria se quisesse.

A Câmara, as vezes, mostra o quanto ela está distante do homem comum, da realidade na qual está inserida.

Vereadores que votaram contra:

Jorge Menezes (PSD)
Francisco Júnior (DEM)
Cabo Júlio (PSD)
Jean Charles Seberto (MDB)
Karina Carolina (Republicanos)
Odélio Chaves (PP)
Paulo Pauléra (PP)
Robson Ricci (Republicanos)
Rossini Diniz (PL)
Celso Luiz Peixão (MDB)
Bruno Moura (PSDB)
Anderson Branco (PL)

Por Rubens Celso Cri em 31/03/2021 00:35