Política

Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 14 de maio

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política

Não haverá cassação

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, vereador Paulo Pauléra, PP, disse a uma jornalista na manhã de ontem que o vereador João Paulo Rillo, Psol, não será cassado. Há esse temor. O Conselho analisa se o vereador quebrou o decoro parlamentar ao dizer que os vereadores são “canalhas”. Rillo sabe que essa ação do Conselho é preventiva. Um recado para “baixar a bola”. Mesmo recebendo uma sanção leve, numa próxima pode ser definitiva.

Não conhecem

Os desafetos e incomodados creem que Rillo vai sossegar o facho depois de um puxão de orelhas. Na verdade, o cuidado pode ser uma reação ao que rola nos bastidores e em conversas entre os vereadores. Rillo não é novo no negócio. É um verdadeiro terreno minado. Tem uma algibeira cheia de alfarrábios que afundam vários barcos estacionados na Silva Jardim. Novos e velhos. E tem uma língua que não respeita nem o próprio cérebro. Por ora, está calma. Se desandar, ninguém segura.

Vereadores ouvidos

Ontem, os três vereadores que denunciaram o caso ao Conselho foram ouvidos. Bruno Moura, PSDB, Odélio Chaves, PP, e Rossini Diniz, PL. O conteúdo dos depoimentos não foi divulgado. João Paulo tinha protocolado a sua defesa. Mesmo assim, vereadores que acusam e o acusado foram convocados para acrescentar alguma novidade.

O tiro

A Comissão vai marcar uma data para analisar a acusação, os argumentos da defesa e decidir o que propor. Caso configure quebra de decoro ela vai sugerir a punição. Desde advertência à cassação do mandato. Para isso, o relatório tem que ser aprovado no Plenário pelos 17 vereadores. 

Pegadinha

Logo após a sessão do dia 4 de maio, o presidente da Câmara, Pedro Roberto, afirmou a uma emissora de rádio que a partir desta semana haveria duas sessões semanais. “É um furo de reportagem”, garganteou. Mesmo dizendo que elas aconteceriam “se fosse necessário”, Pedro adiantou que seria o novo modelo. “Não esta semana. Mas, na semana que vem, uma sessão na terça normal e na quinta-feira”, disse. Ele não cumpriu a promessa e a semana teve apenas uma sessão. Um vereador adversário acha que “falta”. “Falta vontade”. Na verdade, falta clareza da importância política de Rio Preto e do tamanho dos problemas que ela enfrenta.

Vila de Rio Preto

Pedro Roberto disse ontem: “Não houve necessidade, temos agora uma nova situação que é a possibilidade de termos mais uma hora, por conta do Plano São Paulo que permite que possamos ter sessão até 20h30. Vamos avaliando. Se necessário faremos na quinta feira”, reforça. Antes de 1852, ano da Fundação, os historiadores dizem que a região era conhecida como “Vila de Rio Preto”. Em 1894 Pedro Amaral realizava uma sessão a cada 30 dias, no primeiro dia útil do mês. Em 1900 Rio Preto tinha 10 mil habitantes. Mil na Vila e 9 mil na zona rural. 

Passou da hora

Os vereadores pressionam pela sessão de quinta para “votar projetos que estão na fila” e os debates ocupam quase 2/3 da sessão. Pedro, acertadamente, diz que o Parlamento é o local dos debates e que eles vão continuar. É justamente para dobrar o tempo de debates, e para votar os projetos da fila, que a sessão de quinta é necessária. Ela é prevista no Regimento há 10 anos. “Este é o espaço de debate. Para você debater a cidade”, diz Pedro, lembrando que “questões importantes foram discutidas aqui”. Em colunas anteriores listei estados com capitais menores com três sessões por semana.

Censura

Pedro Roberto e os diretores da Câmara precisam definir regras claras, objetivas, democráticas e republicanas para as transmissões ao vivo da TV Câmara. Talvez, determinar a obrigação democrática no Regimento. Ontem, a TV Câmara foi proibida (ou não foi autorizada) de transmitir o depoimento dos vereadores no Conselho de Ética que investiga se João Paulo Rillo quebrou o decoro parlamentar. À tarde, a TV e a imprensa também foram proibidas de acompanhar o depoimento, mesmo depois que João Paulo exigiu. Por causa disso, o Conselho suspendeu o depoimento dele para estudar se autoriza a TV Câmara e a imprensa a acompanharem os trabalhos. Uma decisão como essa não pode ser de um Conselho ou Comissão. É da Mesa Diretora da Casa.

No escurinho

Ao mesmo tempo, a Câmara Federal transmite ao vivo horas a fio de CPIs, audiências públicas, discussões importantes em comissões e no seu Conselho de Ética. Isso acontece ainda no Senado e no Supremo Tribunal Federal. Pedro pode responder por que em Rio Preto os assuntos mais delicados não são compartilhados com os patrões dos vereadores, o povo? Se não fosse Pedro o presidente da Câmara, a oposição estaria dizendo que foi um ato de censura. Afinal, o que é que não pode ser dito e mostrado? E por quê? É o que o povão quer saber.

Fosso

Ontem o deputado estadual Arthur do Val, Patriota, popularmente conhecido por Mamãe Falei, e o vereador da capital, Rubinho Nunes, Patriota, estiveram na Câmara de Rio Preto em cerimônia organizada pelo vereador Bruno Moura, PSDB. O inusitado ficou para o encontro de Mamãe Falei e Ulisses Ramalho, secretário municipal dos Serviços Gerais. Ao se encontrarem, Mamãe Falei disse a Ulisses: “muito prazer”. O estranhamento é porque Ulisses Ramalho é vice-presidente estadual do Patriota, e o Mamãe Falei, deputado estadual no mesmo partido.

Locomotiva SP

Moura disse que os parlamentares estiveram em Rio Preto para alavancar o projeto Locomotiva SP. Os dois estão fazendo um tour pelo estado para saber das necessidades e oferecer projetos de lei que viabilizem a resolução dos problemas. Segundo Moura, os dois parlamentares fizeram contato para que o vereador os recebesse e organizasse uma coletiva de imprensa. O interessante é a presença de um vereador da cidade de São Paulo vir oferecer projetos para ajudar Rio Preto. Rubinho Nunes se esqueceu de dizer que em 2022 tem eleição e ele pode ser candidato a deputado. É só pré-campanha. O resto é papo furado. 

Faz “troca-troca”

O vereador Anderson Branco, PL, não citou nome. Mas, se referiu a um vereador que o partido é da base do prefeito e que vota contra os projetos do Executivo. Denunciou que o vereador tem cargos por indicação, mas é voto contra o governo. “Tem vereador que faz troca-troca (votos por cargos) e vota contra o prefeito”. Sugeriu que ele entregue os cargos e fique livre. Branco estava se referindo ao PSDB e ao tucano Renato Pupo.

Não curte

Pupo, na Tribuna, admitiu que a indireta foi para ele e disse que é da base, mas não é subserviente. “Sou independente”. Ser da base, disse, não significa assinar em baixo decisões e posições com as quais não concorda, diz. E arrematou: “Eu não gosto de troca-troca”. Doutor Renato, com o avanço civilizatório e os novos padrões morais, “troca-troca” é a bola da vez.

Por Rubens Celso Cri em 14/05/2021 01:03