Política

Lideranças LGBTQIA+ protocolam petição pública contra Anderson Branco

Abaixo-assinado tem objetivo de pressionar a Comissão de Ética da Câmara e o Ministério Público para que tomem medidas severas sobre publicação homofóbica feita pelo vereador Anderson Branco (PL) nas redes sociais

A coordenadora municipal da Aliança Nacional LGBTQIA+, Gabriela Carolina, junto a Defensora dos Direitos Humanos, de Políticas Públicas e Práticas Educacionais Antirracista, Feminista e LGBTQIA+, Lila Santiago, com o apoio de movimentos de esquerda e sociedade civil, protocolaram nesta quinta-feira (22) uma petição pública pedindo que a Câmara de Rio Preto e o Ministério Público punam politicamente e criminalmente o vereador Anderson Branco (PL) por LGBTIfobia.

O abaixo-assinado, que pode ser votado pelo link http://chng.it/NDpWXSDR, contabilizou, até às 17h52 de hoje, 629 assinaturas. O documento, que se trata de uma representação por crime de ódio (homotransfobia) e quebra de decoro parlamentar movida contra o vereador do PL, foi protocolado também por meio de conselhos municipais e lideranças de esquerda e, pede também, a destituição de Branco da cadeira de presidência da Comissão de Direitos Humanos.

“É inadmissível esse tipo de postura vindo de uma pessoa que trabalha para o povo, que é presidente da Comissão dos Direitos Humanos dessa cidade. É inadmissível todo esse posicionamento LGBTQIA+fóbico, racista, esse tipo de posição que separa, que segrega, que influenciou a não criação do Conselho Municipal da Diversidade e que já vem se espalhando durante alguns anos, porém esse foi o limite na qual ele acabou tocando na parte religiosa ferindo tantos outros grupos e a população em geral”, disse a representante e conselheira LGBTQIA+, Gaia do Brasil.

Entenda o caso

Na noite da última terça-feira (20) o vereador do PL publicou uma foto em seu perfil do Instragram (@andersonbrancosilva) que mostra uma garra preta (simbolizando o demônio) e com as cores que representam a comunidade LGBTQIA+ tentando agarrar uma família, mas é impedida por uma mão humana. A imagem também leva a frase “Na minha família não”. A publicação rendeu uma enxurrada de críticas de indignação nas redes sociais.

O caso virou alvo do Ministério Público, que recebeu uma representação de crime de ódio (homotransfobia) encaminhada pelo presidente e coordenador da Comissão de Defesa da Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Rio Preto, Eder Serafim de Araújo. Para a Comissão, o vereador realizou ataques às famílias LGBTQIA+ no sentido que esse formato de família é nocivo para a sociedade, incitando o ódio e a violência contra as famílias homotransafetivas, além de incitar a violência contra a comunidade.

Ainda na quarta-feira, o vereador Renato Pupo (PSDB) enviou ao presidente da Câmara um requerimento de moção de repúdio contra Anderson Branco. A moção deverá ser votada na próxima sessão, dia 27.

Outro lado

Em nota, o vereador Anderson Branco pediu desculpas a toda comunidade LGBTQIA+ e disse que vai levar o acontecimento como experiência e oportunidade de reflexão para que situações semelhantes não sejam repetidas no futuro. Branco também pediu desculpas a comunidade negra e esclareceu que em nenhum momento teve a intenção de associar a população negra com qualquer conotação negativa.

Por Karol Granchi em 22/07/2021 17:53