Política

Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 10 de setembro

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política

Fora do ninho

A permanência do vereador Bruno Moura no PSDB, partido pelo qual se elegeu, vai ficando cada dia mais difícil. Moura se comporta como se a vaga que ocupa tivesse sido conquistada apenas com os votos que ele recebeu. Se fosse assim, o mandato seria independente e propriedade do vereador. Mas, a vaga é fruto da soma dos votos dos outros candidatos do partido que foram derrotados. A soma total conquistou duas vagas. Portanto, a cadeira é do partido e não dele.

Faz de conta

Em poucos países existe a figura do “fechamento da questão”. Nos municípios, quem decide como votar é o diretório municipal em reuniões pontuais. Quem vota contra a posição do partido, perde o cargo segundos após o voto rebelde. No Brasil, a legislação existe. Mas raramente é aplicada. Com isso, vereadores, deputados estaduais e federais dão uma banana para a orientação e votam como querem. Se o PSDB quisesse, fecharia questão e enquadraria o vereador. Ficaria pianinho, até a janela que autoriza mudança de partido (março e abril do ano que vem).

O problema é lá

No entanto, não é Moura quem vota contra as posições do partido dentro de Rio Preto. Pertencente à base do prefeito e com um secretário, o PSDB deveria, a rigor, votar como vota Moura, sempre alinhado aos interesses do prefeito. O problema de Moura são as posições que confrontam o PSDB local (com Renato Pupo), estadual e nacional. Enquanto ele organiza e participa de atos e carreatas pró-Bolsonaro em Rio Preto, o PSDB nacional é oposição. E no estado, ele é Alckmin, que rachou com o governador e vai para o PSD, e concorda com o Cabo Júlio, que chamou Doria de “vagabundo”. “Assino embaixo”, disse na sessão.

Woodstock

Para a tranquilidade do vereador, a atual direção do PSDB local e o presidente Manoel Gonçalves são conciliatórios. É o tipo de pessoa que dá uma boiada para não entrar numa briga e duas para ficar bem longe. O PSDB saiu das mãos de um predador e caiu no colo de uma pessoa “paz e amor”. Em política, não existe “paz e amor”. Quando a janela para mudança de partido abrir, Moura vai para onde? PSD do Cabo Júlio? PP de Odélio Chaves? Ou Patriota, de Ulisses Ramalho, com quem tem estreitado laços nos últimos dias?

Sem convite

O neo bolsonarismo na Câmara de Rio Preto deixou de fora o até então mais expressivo defensor do presidente e suas posições. Anderson Branco, PL, alijado pelo trio de ferro, optou por ir na manifestação da Avenida Paulista. Odélio, Júlio e Moura ocuparam o espaço nas manifestações em Rio Preto.  

He-Man

Ulisses Ramalho trabalha intensamente para “bombar” o Patriota em Rio Peto. O mais novo filiado é Kawel Lotti, ex-candidato a prefeito pelo Podemos. Ulisses deseja, claro, que ele agregue votos na eleição de vereador. Administrador de empresa, Kawel tem um perfil mais burocrata.

O amor

Com esse perfil desde a eleição municipal, quem também não tem qualquer poder de influência no Patriota, é o presidente da Câmara, Pedro Roberto. Sua oposição ao prefeito o distanciou do Patriota. Sequer o voto do outro vereador para a presidência da Câmara ele teve. E enquanto o partido segue para a direita, Pedro ruma para a esquerda. O certo é que Ulisses não ama Pedro e Pedro não ama Ulisses. O resto é teatro.

Tapas e beijos

Após declarar voto em Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018, o prefeito Edinho Araújo, MDB, voltou ao ninho. Depois dos pronunciamentos do presidente Bolsonaro dia 7 de setembro, ele emitiu a seguinte nota: “A tradição do Poder Executivo é fazer mais e falar menos. O Brasil precisa de união e harmonia entre os Poderes para que possamos gerar emprego e pautar os temas prioritários para o crescimento econômico. A Constituição cidadã de 1988 é o livro que deve nortear os rumos da Nação. Reafirmo que se a democracia não é um regime político perfeito, não se tem ainda notícia de algo melhor”.

Na fotografia

O deputado federal Geninho Zuliani também se posicionou: “O discurso adotado pelo presidente teve tom eleitoreiro e populista, o que causa grande apreensão, visto que afronta a ordem constitucional e colide com os Poderes Legislativo e Judiciário. Como deputado, jurei manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil. Qualquer ofensa ou ataques antidemocráticos ao Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal ou Tribunal Superior Eleitoral não Na última in ser tolerados, em hipótese alguma”.

Quem é o pai?

O Vice-Governador Rodrigo Garcia, PSDB, anuncia nesta sexta-feira (10), em Rio Preto, repasse de recursos para o Hospital Municipal da Zona Norte (hospital Domingo Marcolino Braile). O dinheiro será para equipar a entidade e assim iniciar seu funcionamento. A liberação foi confirmada pelo governo estadual após intervenção de Pedro Roberto e Renato Pupo, dois opositores ao prefeito. Será que eles terão direito a um pronunciamento de dois minutos cada? Na inauguração da escola Eurides Garcia, Pedro representava o Legislativo e foi solenemente ignorado. Rodrigo Garcia e o Secretário Estadual do Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, PSDB, foram abordados para equipar o hospital pelos dois vereadores. A aposta é para saber quem será o coadjuvante desta vez? Depois, o vice faz um tour assinando convênios e entregando obras pelo Noroeste Paulista.

Mistério

A função de administrador da cidade centro da Região Metropolitana já rende trabalho ao prefeito Edinho Araújo. Na segunda-feira, 13, ele estará em Olímpia para receber o Ministro de Minas e Energia, almirante Bento Costa Leite de Albuquerque Júnior. A pergunta é: Por que Olímpia e não a Usina de Marimbondo que enfrenta problema com a crise hídrica? Na década de 80 do século passado o governador Paulo Maluf escarafunchou Olímpia em busca de petróleo. Achou água quente e a cidade se transformou na maior estância turística do país. O que Bento procura?

Por Rubens Celso Cri em 10/09/2021 00:06