Política

Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 8 de outubro

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política

Mudando o alvo

Projeto da vereadora Claudia de Giuli, MDB, que determina duas sessões às terças-feiras, tinha um endereço certo. Prejudicar a atuação dos vereadores Robson Ricci, Republicanos, oposição, e Renato Pupo, PSDB, que se auto intitula independente. Depois da sessão de 29 de setembro, quando um grupo de munícipes foi à sessão e contestou os votos aos berros, ele passou a mirar também na eliminação total do povo nas galerias. Vereadores não querem ser policiados pelo povo. Um mal necessário apenas de 4 em 4 anos. 

Detalhes

Cláudia precisa explicar porque quem redigiu o projeto cometeu um erro de jardim da infância. Trocou o Artigo 233 do Regimento pelo 246. Mais ou menos água e óleo. Vereador não é obrigado a entender de Direito, mas a ler, ao menos uma vez em 4 anos, o Regimento Interno da Câmara. Quem não quer esse fardo, pode contratar até 4 assessores. Pauléra, por exemplo, tem um advogado no grupo. O projeto foi tão mal redigido, sem os “cuidados nos detalhes”, que ficou sendo discutido durante 3h32 e nada mais foi votado. Eram 8 votações. Tem assessor que ganha mais que vereador, que recebe R$ 6 mil ao mês. O que eles fazem o dia inteiro?

Leite Ninho e Mingau

O projeto determina duas sessões às terças-feiras. Uma das 9h às 13h, e a outra, das 14h às 18h. Renato Pupo chama as sessões de “Leite Ninho” e “Mingau”. Cláudia comprou a ideia do projeto (não saiu da cabeça dela) tão rápido que produziu um texto que ela mesma admite, foi mal redigido, provoca mais problemas do que as soluções que busca e terá que ser refeito. Um vereador que responder a chamada, nos primeiros 5 minutos da sessão, fica proibido de sair por 4h. Se for ao banheiro, perde 1/15 avos do salário (R$ 400).

Nas calças

Mesmo depois de muitas costuras com emendas, o texto final não ficou bom. Vereador que estiver em viagem pelo mandato ou com algum problema de saúde, devidamente atestado por um médico, poderá participar da sessão de forma online. Mas quem está no plenário não pode sair nem para ir ao banheiro. Se não houver concordância do plenário para a saidinha, corre o risco de ficar registrado em ata que o vereador saiu do plenário. Aí o desconto é obrigatório. Mesa diretora deve tentar resolver o problema, mas até lá tem vereador correndo o risco até de ficar sem salário porque a gente sabe que não fica sentadinho na sessão.

12 a 3

A maioria da Câmara está incomodada com a atuação de João Paulo Rillo, Psol, Renato Pupo, e Robson Ricci, Republicanos. Eles dizem que os três usam o Regimento para impedir votações. Eles são apenas 3 e o outro grupo chega a ter 12 a depender do assunto em discussão. Para vencer 3, os outros 12 têm que dominar o Regimento. Ou mudá-lo. O Regimento permite que a minoria faça manobras justamente para não ser esmagada pela maioria. Se as manobras fossem proibidas, a oposição não precisava ir à sessão. Mesmo manobrando para segurar votações, ela perde todas.

Seu Pedro, olha o livrinho

Pedro Roberto, Patriota, sabe. Permitir que munícipes impeçam vereadores de falar é antirregimental e tem remédio legal: esvaziar a galeria. Não precisa blá blá blá. Vão dizer que não é republicano. O que não é republicano é expectadores impedirem vereadores de falar e votar como bem entendem só porque discordam do voto. Pior ainda é o presidente parar a sessão e bater boca com expectadores na galeria. 

Moura, o silente

Após ser destituído dos cargos que pertencem ao PSDB, Bruno Moura, PSDB, perguntou ao presidente se ele podia falar. O vereador não perdeu o mandato e continua com as mesmas prerrogativas dos outros. Só não fala mais pelo PSDB. “Pensei que eu estava até proibido de falar”. O PSDB quer Moura fora após ele concordar com Júlio Donizete, PDS, que chamou Joao Doria, PSDB, de vagabundo e sem-vergonha. Moura deve gostar muito do filme Briga de Rua. Que, aliás, é muito bom.

Neguinho

Ao chamar a atenção da vereadora Cláudia de Giuli, que usou o termo “neguinho” na Tribuna, João Paulo Rillo disse que ela precisa cuidar das causas humanas também, além das causas dos animais. O contexto em que ela usou a expressão não foi racista. Mas, termos como “a coisa está preta”, “neguinho” ou “nuvens negras na cabeça” ficaram no século 20.

Machista

De Giuli foi à Tribuna para denunciar que João Paulo foi machista e desrespeitoso com uma mulher. Tomou um documento à força de uma advogada da Câmara. No dia, João pediu desculpas publicamente. No entanto na última sessão, De Giuli chamou João de machista e revelou uma coisa que João não disse: a funcionária chorou. Desta vez João fez o que tinha que fazer: “todo homem é machista. É estrutural. Eu sou. Todos nós precisamos ser reeducados”, admitiu.

Eleuses na fita

Eleuses Paiva, presidente municipal do PSD, ciceroneou Geraldo Alckmin e armou um encontro com prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças locais e regionais de 27 cidades. Alckmin deve anunciar em breve sua ida ao PSD e sua pré-candidatura ao governo do Estado.

Segundo tempo

A presença do ex-governador Alckmin em Rio Preto só acentua que a eleição de 2022 está sendo jogada faz tempo. A fusão do DEM e PSL vai aumentar a saia justa do prefeito Edinho Araújo, MDB. Homem de partido, ao menos publicamente vai apoiar a candidatura de Itamar Borges, da mesma legenda. Mas, o que ele vai fazer com Orlando Bolçone e Geninho Zuliani em um partido bolsonarista? 

Esperar o quê?

Tinha que ter uma pegadinha na história. João Doria anunciou a construção da terceira faixa na W. Luiz entre Cedral e Mirassol. Mas não saiu do papel. Agora sabemos por quê: ele vai licitar a concessão da rodovia novamente para incluir nas obrigações da vencedora, a construção do trecho. Até aí, tudo bem. Elas rastelam dinheiro o dia inteiro. O problema é que a obra vai ser paga com um leve aumento no preço do pedágio. A “gente somos” bobo mesmo. A “gente pagamos” tudo, não é? Pior será ouvir na campanha que foi ele quem fez.

Apertado de costura

O vereador Paulo Pauléra, PP, disse que o projeto que autoriza a prorrogação do contrato do transporte coletivo com as empresas Circular Santa Luzia e Itamarati tem que ser votado até o dia 26. A proposta é prorrogar por mais dez anos. Jean Charles Serbetto, MDB, e Odélio Chaves, ambos da base do prefeito, disseram que do jeito que está, não votam.

Sem o “velho”

E os vereadores rejeitaram convocação do secretário de Trânsito, Amaury Hernandes, a quem chamam de “Velho da Havan”, para explicações. Querem que ele vá em audiência na Comissão de Transporte, onde podem conversar por duas horas. Na sessão, não haveria tempo. A oposição contesta e diz que uma coisa não exclui a outra.

Vamos melar

A oposição anuncia que articula meios legais para barrar a prorrogação do contrato do transporte coletivo. A Comissão de Transporte marcou audiência com o secretário Amaury dia 13. A Câmara marcou outras 3 para ouvir a população. Uma na véspera da votação, dia 26. Esse é outro projeto que vai provocar novo tsunami na Câmara.

 

Por Rubens Celso Cri em 08/10/2021 00:15