Política

Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 14 de janeiro

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política

O prefeito Bolçone

O vice Orlando Bolçone (DEM) assume o cargo de prefeito de Rio Preto nesta sexta-feira (14) e administra a cidade até o dia 31 de janeiro. O prefeito Edinho Araújo (MDB) sai de férias por 15 dias. Bolçone ocupa cargos de primeiro escalão no Executivo local desde a administração do ex-prefeito Manoel Antunes, em 1983. Elegeu-se deputado estadual e ocupou uma cadeira na Assembleia em dois mandatos. No primeiro, ficou suplente e assumiu após a cassação de um deputado estadual de Santos. No segundo, foi eleito. Ele não esconde que deseja que sua trajetória política termine ao concluir um mandato como prefeito eleito de Rio Preto. Daqui a dois anos pretende voltar à Assembleia, de onde pode conquistar força para conseguir o objetivo.

Percalços

O ex-deputado é economista, mestre em saúde e especialista em ordenamento urbano. Por isso, além de vice-prefeito, ocupa o posto de secretário de Planejamento pela quinta vez. Seu desejo, no entanto, deverá ser cheio de entraves. O primeiro deles, será obter a vaga para a disputa de deputado em 2024. Se a fusão entre o DEM e o PSL não se concretizar, o caminho fica fácil. Se DEM e PSL se fundirem, Bolçone terá dificuldade para conseguir a legenda. O PSL local abre mão da legenda para deputado federal, mas quer a vaga para a disputa estadual.

A história

Bolçone entrou no antigo MDB (depois PMDB, hoje MDB novamente) ainda durante a ditadura militar, pelas mãos do ex-deputado Octacílio Alves de Almeida. À época, presidiu o MDB Jovem. Ninguém sabe exatamente o que vem por aí. Para a felicidade de Lelé Arantes e Agostinho Brandt, ele entra para a história como mais um rio-pretense nascido em Palestina que é prefeito. Mesmo que por 15 dias. No período da ditadura Vargas, tivemos um prefeito que sentou na cadeira apenas um dia. E, ainda assim, é parte da nossa história. Se não ocupar o cargo como prefeito eleito, Bolçone dedicou, até aqui, 40 anos de sua vida à construção da cidade.

Bastidores

A Câmara Municipal sempre teve um articulador forte, que trabalha no escurinho do cinema. Na verdade, na maioria das vezes, foram dois que articularam. Hoje, esse homem é Paulo Pauléra (PP). Interlocutor privilegiado jura que existe uma segunda mão, invisível, por trás de articulações importantes, ao lado de Pauléra, e bastante decisivo em algumas votações. Ele se chama Fábio Marcondes (PL), vereador licenciado, que ocupa o cargo de secretário de Esporte e Lazer.

Distorção

Recesso parlamentar é apenas a suspensão das sessões ordinárias e solenes no Legislativo. Municipal, estadual ou federal. Tanto que o presidente da Câmara e o prefeito podem convocar a qualquer momento sessões extraordinárias no período. Significa que os vereadores não estão de férias. Só não temos sessão. A vida pública brasileira inverte a lógica sem constrangimento. O vereador Odélio Chaves (PP) expõe em seu Facebook a prova desse comportamento. Viajou para Campina Verde (MG) aparentemente para descansar e foi para a fazenda Campo Belo Gordura, onde nasceu e, segundo seu próprio relato, trabalhou como lavrador.

Mineirinho

A trajetória do vereador e de seus dois irmãos médicos, a partir da roça, é exemplo de persistência e inspiração para todos. Mas essa escapada não condiz com o compromisso que assumiu ao se eleger vereador. Nem com sua condição intelectual e cristã. Odélio, advogado, conhece de trás para frente o be-a-bá da função que ocupa. De outro lado, é preciso registrar que não foi ele quem inventou essa modalidade de férias. E nem é o único a exercê-la nesse recesso. O pai do vereador desperta admiração. Já acompanhou sessão para ver o filho. Obstinado, correto e dedicado à família, formou 2 médicos e um advogado, trabalhando no cabo da enxada.

 Moro

O bicho-papão da centro-direita ou terceira via na eleição presidencial brasileira, o ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) vem à Rio Preto dia 1º de fevereiro para se reunir com o Lide (grupo formado por lideranças empresariais), se apresentar e discutir suas propostas para a eleição deste ano. Ele é pré-candidato pelo Podemos. A informação veio à público num furo dado pela repórter Bia Menegildo, da CBN, durante o podcast “Disforme”, com quase 3h de duração, realizado dia 4 de dezembro do ano passado e que, devagar, chegou até redações de jornais e rádios da cidade. Com mais de 1,2 mil visualizações ainda em dezembro, a informação não era mais furo.  

Psol resiste à Federação

O presidente do diretório estadual do Psol, vereador rio-pretense João Paulo Rillo, afirma que o seu partido pode discutir a formação de uma Federação Partidária com o PT na cabeça de chapa para disputar a eleição presidencial deste ano, mas vê entraves que, por enquanto, são difíceis de superar. Para iniciar essa conversa, diz que é necessário que o Supremo Tribunal Federal (STF) regulamente a Lei aprovada pelo Congresso. O que deve acontecer em fevereiro. Caso o Tribunal mantenha a obrigação dos partidos permanecerem atrelados uns aos outros durante 4 anos, sem que possam disputar outras eleições, separadamente, e exija fidelidade em todo o período, fica praticamente impossível. O Psol tem candidato ao governo do estado, Guilherme Boulos, e não abre mão. O PT, igualmente, com Fernando Haddad. Lula já disse que não abre mão da disputa no estado de São Paulo. Só o STF muda isso. Ou não. João Paulo diz, no entanto, que com ou sem Federação, o Psol está com Lula para presidente.

Em ponta de faca

Em Rio Preto, João Paulo não vai abrir mão de continuar a dar murro em ponta de faca. E avisa que esse ano vai subir o tom contra o prefeito Edinho Araújo (MDB). Para ele, a administração não foca as ações de políticas mais amplas, que atendam à maioria da população. No que é amplamente contestado pela base do prefeito na Câmara. João Paulo foi deputado estadual duas vezes e vai disputar a eleição deste ano para tentar voltar para a Assembleia Legislativa. João é um dos dois opositores que Edinho tem entre os 17 vereadores.

O outro

O outro é Pedro Roberto (Patriota), presidente da Câmara. Eleito pela situação, se sentiu traído pela direção do partido, que o abandonou na eleição para a presidência. A partir daí, votou contra a administração em momentos decisivos. A prorrogação do contrato do transporte coletivo, o aumento do IPTU e o empréstimo de R$ 300 milhões. À época, a oposição ainda contava com Robson Ricci (Republicanos) e Renato Pupo (PSDB). O último, hoje, se comporta com independente.   

“É só isso. Não tem mais jeito. Acabou. Boa sorte”

Especula-se com força que o vereador Robson Ricci não faz mais oposição à atual administração. Na verdade, ele fazia “meia posição”. Uma no cravo, outra na ferradura. A história inclui ainda uma suposta briga de Ricci com o presidente do diretório local do Republicanos, o todo poderoso Diego Polachini. Ao tomar essa decisão, demitiu um assessor por telefone, indicado por Polachini. O rapaz, procurador do município de Nova Granada, se licenciou por 2 anos sem direito a salário e acabou desempregado. Ele era o homem de Ricci na CPI do Transporte. Se o cenário for realmente este, vai ter que aguentar a pressão do Republicanos junto à Record para se segurar no emprego de jornalista no canal do bispo.

Ômicron cavalar

A Câmara Municipal volta a realizar sessões ordinárias dia 25 de janeiro. Dia 17 o protocolo reabre para receber projetos, indicações e requerimentos dos vereadores. Ainda bem que a sessão será dia 25. Se fosse na próxima terça, talvez ela não pudesse ser realizada. Na quinta-feira (13) 37 funcionários estavam afastados com Covid, suspeita ou esperando resultado de exames.

Mascate eleitoral

Um dos grandes problemas de João Doria (PSDB) para levantar voo nas pesquisas eleitorais como pré-candidato à presidência é o seu próprio quintal. Ou seja: ele vai mal das pernas no estado que governa. Para sair forte, tem que reverter a rejeição dentro de casa. É nesse cenário que ele visitou Monte Aprazível e Macaubal nessa semana. Pesquisas encomendadas por partidos mostram que ele vai mal nas cidades de porte médio e muito mal nas pequenas cidades e vilas paulistas. A presença dele nas cidades de porte médio como Rio Preto ajuda, mas somadas as populações de todas as outras cidades, o bicho pega. São pouco mais de 600 municípios.     

Pista cheia

A disputa para deputado estadual em Rio Preto já congestionou a pista. A maior novidade deve ser o ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB). Quem vive o grande pequeno mundo da política local, diz que ele abandonou a ideia de buscar novamente uma vaga na Câmara Federal. Ele já sabe que vai enfrentar Itamar Borges (MDB), Coronel Helena (Republicanos), Renato Pupo, João Paulo Rillo, alguns que, por ora, apenas ciscam, e os importados que levam a representatividade local embora, como Janaína Pachoal (PSL). Na última eleição ela teve 22 mil votos em Rio Preto. Ela nem sabe nossa localização.

Por Rubens Celso Cri em 14/01/2022 00:30