Confira os bastidores da política desta quinta-feira, dia 16 de junho

O jornalista Rubens Celso Cri traz na coluna Giro Político as principais notícias da política

É a eleição

Os embates ligados à eleição de outubro estão chegando forte as sessões na Câmara. Moção de repúdio do vereador Cabo Júlio (PSD) contra decisão do Juiz José Eduardo Cordeiro Rocha da 14ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo que impede a instalação de uma escola cívico militar na E. E. Prof. Noêmia Bueno do Valle, aqui em Rio Preto, virou debate eleitoral. Donizete acusou a Apeoesp (Sindicato dos Professores), autora a ação, de promover baderna e não ensino nas aulas, e o desmonte das escolas no Estado. É dela a ação que impede a abertura da escola. Na sentença, o juiz diz que a escola não pode ser instalada por ter viés político bolsonarista.

Dominadas

No vídeo, alunos zoam professores em sala de aula e um deles bate e a passa a mão nas partes íntimas de uma professora meia dúzia de vezes. Impotente, ela não se atreve a ir para cima do aluno. Algumas escolas, estão dominadas pelo medo. Além das brigas incontroláveis, dentro e do lado de fora, protagonizadas por alunos, temos o poder de grupos violentos que dominam os bairros onde estão instaladas. Em contrapartida, em um outro vídeo Cabo Júlio mostra o comportamento dos alunos nas escolas cívico militares, que se são educados, e pergunta qual o motivo do juiz para fazer a opção pela narrativa da Apeoesp. A Apeoesp, no estado, é presidida pela deputada estadual Bebel, do Psol.

Vítimas

João Paulo Rillo, presidente do diretório estadual do Psol, preferiu não falar do comportamento dos alunos em sala de aula, mas defendeu a Apeoesp afirmando que ela é a representação da categoria há mais de 30 anos e que não pode ser confundida com esses acontecimentos. Os professores ligados à Apeoesp seriam as vítimas do estado, que abandonou as escolas públicas. Cabo Júlio disse que não quis generalizar, apenas mostrar a falta de disciplina que ocorre em algumas escolas. E que seria incentivado pela Apeoesp. E disse que o juiz, com certeza, tem os filhos matriculados em escolas particulares.

Sem prova

A treta cresceu mesmo quando entrou em discussão e votação moção de repúdio de João Paulo Rillo contra 2 policiais rodoviários federais que provocaram a morte de uma pessoa numa espécie de Câmara de Gás, no bagageiro de uma viatura, no Nordeste. Os votos dos tenente-coronel Jean Charles Serbeto (MDB) e Odélio Chaves (PP) foram pela abstenção. Eles alegaram que não se pode permitir a violência policial, mas que esse caso ainda está sob investigação e, portanto, o assassinato não está provado. Rillo subiu nas tamancas e foi para cima de Odélio, afirmando que a postura dele é de quem “não tem vergonha na cara”. O grupo “do deixa disso” disse à Rillo que Odélio tem o direito de votar como bem entende. O bate-boca só terminou quando a presidente da sessão, Karina Caroline (Republicanos), mandou desligar os microfones.

Deus na parada

O interessante nessa história é que tanto Jean como Odélio são os dois vereadores que mais usam o nome de Deus nas sessões. Como a cena macabra na Câmara de Gás e o assassinato estão sendo vistos pelo país inteiro, os dois cristãos conservadores não tiveram coragem de votar contra a moção. Vai contra os princípios que os seus eleitores defendem. Apenas fizeram de conta que não viram o que todo o país viu.  E se abstiveram. Em nome de Deus, claro.

Ave César

O primeiro suplente do PSDB César Gelsi assumiu como vereador na sessão da última terça-feira (14) na vaga aberta com a licença do vereador titular Rento Pupo (PSDB), que sai de licença não remunerada por 30 dias. Pupo diz que deixa o posto para seu suplente porque existe um compromisso em fazer um revezamento e abrir espaço para quem o ajudou a se eleger. Aproveita e coloca a casa em ordem para o início da campanha eleitoral. Pupo é candidato a deputado estadual pelo PSDB.

Sombra

O médico César Gelsi foi vereador em 4 mandatos. Ficou na suplência em outras duas eleições. Em uma delas, não chegou por 17 votos. Naquela eleição, dizem que foi atrapalhado pelo deputado estadual Vaz de Lima. Ele insistiu em ter uma anti-chapa para vereador. O único puxador de votos foi Gelsi. Corria nos bastidores que Vaz não queria nenhuma liderança despontando no PSDB local que lhe fizesse sombra. O médico pagou o pato indo para uma cruzada sozinho.

Finos

Na sua reestreia, Gelsi também trombou o vereador rebelde Bruno Moura (PSDB). Com uma ironia fina, fora de seu figurino, Moura disse que Gelsi “estava à altura do PSDB”. Uma crítica sutil, mas Gelsi entendeu. Foi na Tribuna e de lá disparou elogios ainda mais irônicos. Aplaudiu Moura e seu trabalho social e disse que nunca compareceu nas suas atividades, mas um dia vai. Bruno Moura ficou em segundo lugar entre os tucanos e Gelsi em terceiro. O PSDB elegeu dois vereadores. Mesmo com o processo interno para expulsar Bruno Moura e retirar o seu mandato, Gelsi, que seria o beneficiário direto, nunca moveu uma palha para provocar ou acelerar a expulsão.

Gol de letra

Bruno Moura arrematou sua tarde esplendorosa ao ir na Tribuna e parabenizar seu arco rival no PSDB, João Dória, pelo anúncio de que agora em diante, vai se dedicar à vida privada. Moura acredita que essa foi a ação mais importante que o ex-governador fez na vida pública. O processo contra Moura continua. Inimigos como Marco Vinholi (presidente estadual) e Carlão Pignatari, presidente da Assembleia, anunciaram a expulsão do vereador rio-pretense. O que nunca foi efetivado. Em política, no entanto, tudo muda em milésimos de segundo.  

Pré do PDT

O ex-prefeito de Santana do Parnaíba e pré-candidato do PDT ao governo do Estado, Elvis Cézar, visitou o presidente da Câmara Pedro Roberto Gomes (Patriota) na terça-feira durante a sessão. Acompanhado do presidente da executiva municipal Abner Tofanelli, Elvis quase passa batido. Além de dizer que Ciro Gomes não é a terceira via, mas sim a primeira, revelou que o pré-candidato à presidência pelo PDT viria a Rio Preto na mesma data, mas precisou cancelar a visita.

Zero a zero

Os números não foram divulgados, mas circulam informações que o transporte coletivo urbano voltou a receber o mesmo número de usuários ao dia que usavam esse meio de transporte antes da pandemia. Eram 70 mil pessoas que passavam pelas catracas nas duas empresas em Rio Preto de segunda à sexta em 2019. Durante a pandemia, teve dia que apenas 20 mil usaram o serviço. Além de outros dados, o Executivo alegou que não podia fazer uma nova concorrência para renovar o contrato porque o número de passageiros estava tão baixo que nenhuma empresa ia se inscrever. O secretário municipal de Trânsito, Amaury Hernandes, chegou a levantar a hipótese de que nunca as empresas voltariam a transportar tantas pessoas.

Por Rubens Celso Cri em 16/06/2022 00:00