Política
Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 14 de novembro
Jornalista Bia Menegildo traz as principais notícias do poder regional
Vendendo dinheiro
O novo Projeto de Lei do prefeito Fábio Candido (PL) que acabou de chegar na Câmara de Rio Preto já vem causando um alvoroço e inúmeras dúvidas. Em uma explicação bem simplista, a proposta de securitização da dívida pretende vender parte do montante da dívida ativa para que uma empresa privada faça as cobranças. Tudo isso, claro, com um desconto atrativo para quem quiser o trabalho de buscar o ressarcimento dos valores.
Iniciando as conversas
Nesta quarta-feira (12), uma reunião entre os secretários de Planejamento, Mauro Júnior, Fazenda, Nelson Guiotti, e Governo, Anderson Branco, buscou esclarecer alguns pontos com os vereadores da base do governo. Pela proposta, parte da verba irá para a RioPretoPrev e outra parte para o fundo garantidor de Parceria Público-Privadas (PPPs) e concessões. No entanto, o assunto é bem complexo.
Entre Liberato e Toninho
Ao ser questionado sobre o projeto, um antigo servidor comissionado da Prefeitura não economizou nas críticas. Além de afirmar que a Procuradoria-Geral do Município (PGM) tem perdido prazos de cobranças, fez uma comparação um tanto inusitada do vice-prefeito Fábio Marcondes (PL). “Muito se fala que o prefeito é pior que o Liberato Caboclo, mas muitos se esquecem que o vice está mais para Toninho Figueiredo”, afirmou.
Deságio
O ponto de maior preocupação é o chamado deságio que, na prática, significa um “desconto” para quem for cobrar as dívidas. “O prefeito quer abrir mão de um recurso ‘recebível’ entre R$ 1,5 e R$ 2 bilhões para receber algo em torno de R$ 1 bilhão, se considerar o deságio de 50%, por exemplo. Isso significa que ele vai deixar de receber cerca de 25% do orçamento de um ano da Prefeitura. Isso é muito dinheiro”, ressaltou.
Por outro lado
O ex-servidor da Prefeitura ainda fez uma última observação. “O maior devedor da Prefeitura de Rio Preto é uma instituição de ensino. Uma conta que fica em torno de R$ 600 milhões. No entanto, a empresa já mudou de nome para tentar fugir da dívida. Como fica, neste caso, se a financeira contratada não conseguir recuperar? R$ 600 milhões é mais que 25% de R$ 2 bilhões. Tem muito a ser explicado ainda”, concluiu.
Pelos bastidores
Já pelos bastidores a conversa tem outro rumo por causa do tamanho da dívida. Pelo que parece, foi dito na reunião que a Prefeitura já conseguiu R$ 300 milhões, antes mesmo do projeto ser analisado no Legislativo. Segundo dizem, a garantia deste “empréstimo” seria o montante da dívida, entre R$ 1,5 e R$ 2 bilhões. O pagamento previsto é de R$ 45 milhões no primeiro ano, ou seja, uma dívida que se estenderia para os próximos dez anos, no mínimo.
Troca de diretoria
Foi só trocar a diretoria do Albergue Noturno que a Prefeitura liberou uma emenda parlamentar, de autoria de Paulo Pauléra (Progressistas), para a entidade. O valor é de R$ 30 mil e chega logo depois que Marcelo Zola, ex-candidato a prefeito pelo Democracia Cristã (DC), deixou a presidência do Albergue. No lugar dele, assumiu o ex-juiz Paulo Romero. O novo grupo pega a entidade com as contas no azul.
Verbas
Antes de sair, Zola tinha realizado uma reunião com os diretores e tinha sido autorizado a venda de imóveis do Albergue. Ao todo, a entidade possui cinco imóveis avaliados em R$ 10,1 milhões, além de dois veículos para atendimento. Outros R$ 300 mil em emendas também estão para chegar: R$ 200 mil do deputado estadual Bruno Zambelli (PL) e R$ 100 mil do deputado estadual Valdomiro Lopes (PSB).
Perseguição
A troca da diretoria aconteceu no fim de outubro. A mudança de postura da Prefeitura com o Albergue veio acompanhada da informação de que a unidade receberá novo nome e continuará oferecendo pernoites, além de regularização de documentos, orientação profissional e inserção no mercado de trabalho. “Se isso não é perseguição política, não sei o que seria então”, disse um ex-membro da diretoria que preferiu não se identificar.
Esquentou
O clima esquentou nos bastidores da sessão de terça-feira (11) com a presença do deputado federal e presidente do PL Rio Preto, Luiz Carlos Motta. A treta aconteceu fora de plenário, com o vereador Alexandre Montenegro (PL) dando aquela chamada no parlamentar. Montenegro tenta sair do partido por via judicial. A Justiça Eleitoral, no entanto, negou liminar para o vereador deixar a legenda e continuar com o mandato.

Mudanças de lado
Montenegro virou oposição declarada do prefeito Fábio Candido e isso desagradou ao partido. A treta toda foi por causa de um questionamento sobre quem teria mudado de lado. Enquanto o deputado acusava o vereador de ter ido para oposição, Montenegro questionava sobre o posicionamento de Motta no projeto que prevê o fim da escala 6×1. “Isso não é coisa da direita. Quem mudou de lado aqui?”, disse o vereador.
Na paz
Apesar do momento de bate-boca bem acalorado, não teve momentos de tensão a ponto de gerar preocupação sobre a possibilidade de agressões. Montenegro manteve as mãos nos bolsos da calça, em clara postura de que só queria bater boca mesmo, e Motta até inflou o peito para falar com o vereador, mas a turma do “deixa disso” apareceu e colocou um para cada lado. Por fim, a gritaria ficou por conta da distância física entre ambos.
Emendas de bancada
A sessão também foi marcada pela presença de moradores de bairros rurais recém-regularizados da Região Norte. Eles cobravam a promessa de campanha do prefeito de levar asfalto até lá. Na tribuna, Jean Dornelas (MDB) aproveitou o momento para falar que os deputados federais têm a obrigação de mandar emendas de bancada para resolver o problema. Parecia até uma campanha eleitoral, sem divulgar o nome do candidato.
O criador e as criaturas
Outra crítica de Dornelas durante foi a quantidade de cargos que o prefeito está criando. Para se ter uma ideia do volume, são dois cargos de assessores, um em São Paulo e outro em Brasília, mais cargos de oito sub-prefeitos com assessores, totalizando mais de 40 cargos para extinguir a Secretaria de Serviços Gerais, além de quatro que acabaram de chegar para turbinar a Secretaria de Planejamento. “O criador de cargos”, ironizou.
Retaliações
No entanto, o que chamou mesmo a atenção foi a fala de Professor Tadeu (União Brasil). No meio do debate sobre quem mandou ou deixou de mandar verba para a cidade, o vereador disse que sofreu retaliações após ter passado no gabinete do deputado estadual Danilo Campetti (Republicanos). A fala de Tadeu deixou claro que a recente aproximação de Campetti e Fábio Candido é só para inglês ver, na frente dos holofotes.
A selfie da discórdia
Outro assunto comentado na sessão foi a selfie dos vereadores Felipe Alcalá (PL) e Dr. Tedeschi (PL) com o deputado estadual Itamar Borges (MDB), o inimigo declarado do prefeito. O caso foi durante a festa de 70 anos da Ultra-X, no sábado (8). Evento que contou com a presença do secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva. Na foto, divulgada nas redes sociais, aparece ainda o prefeito de Urupês, Beto Cacciari (PL).

Subiu no muro
A nomeação de Pauléra para a Secretaria de Serviços Gerais não deve sair. Valdomiro Lopes não teria aprovado o nome do vereador para a pasta, que ficou com o PSB em troca de apoio no segundo turno das eleições. Uma nova minirreforma de secretariado está chegando. Ainda não se sabe quando, mas a cada dia aumenta o número de secretários que estão na corda bamba. Está até rolando um bolão sobre quem sai e quem fica.
-
Cidades1 dia“Ninguém põe a cara com nóis”: áudio revela bastidores de execução
-
Cidades1 diaAdolescente morre baleado durante sessão de tatuagem em Mirassol
-
Cidades5 horasHomem morre após confronto com o Baep na zona norte de Rio Preto
-
Cidades1 diaMulher de 54 anos tem traumatismo craniano após acidente em Rio Preto
