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Saúde

Impacto da obesidade na doença venosa

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel

 A obesidade constitui uma das principais doenças do mundo moderno, com elevada prevalência em países desenvolvidos e industrializados. Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de obesidade no Brasil passou de 11,8% para 19,8% nos últimos cinco anos, atingindo aproximadamente 20% da população brasileira.

            A epidemia da obesidade representa um problema de saúde pública e está presente desde a infância até a velhice. Vida sedentária, hábitos alimentares inadequados, sobrecarga no trabalho, má qualidade do sono e estresse diário contribuem para o aumento de peso populacional e mantêm ativo o círculo vicioso entre a obesidade e os seus fatores de risco.

            Como já comprovado por estudos populacionais brasileiros e no exterior, o excesso de peso está intimamente associado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, aumentando as chances de um indivíduo apresentar infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e má circulação nos membros inferiores.

            A obesidade representa uma doença de tamanha complexidade, que não deve ser encarada como um problema isolado, mas sim, como um importante componente da síndrome metabólica, cujas características principais são: aumento nos índices glicêmicos e pressóricos, redução nas taxas de HDL-colesterol (“colesterol bom”), hipertrigliceridemia e obesidade abdominal e visceral.

            Além de prejudicar o sistema arterial, acelerando o depósito de placas de ateroma na parede das artérias, o sobrepeso e a obesidade também demonstram relevantes efeitos sobre o sistema venoso, com comprometimento da função valvular das veias superficiais e profundas.

 A insuficiência venosa em pacientes obesos é consequência da mobilidade limitada e do prejuízo funcional da musculatura da panturrilha, responsável pelo retorno do sangue venoso em direção ao coração. A doença venosa avançada, exteriorizada por eczemas, úlceras, exsudações e hiperpigmentações cutâneas são mais frequentes em obesos. Além disso, os fenômenos tromboembólicos, tais como, trombose venosa profunda e embolia pulmonar apresentam maior incidência na população obesa.

A mudança no estilo de vida, com adoção de dietas equilibradas e pobres em açúcares e gorduras, associado a queima dos estoques de gordura visceral com exercícios físicos aeróbicos é de extrema importância na prevenção e no combate a obesidade. O check-up vascular com ultrassom Doppler arterial e venoso é fundamental para diagnóstico precoce das alterações provocadas pela obesidade no sistema circulatório. Procure seu cirurgião vascular!

 

Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel. Doutor em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, especialista nas áreas de Cirurgia Vascular, Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular e coordenador do curso de Medicina da União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago). 

Por Da Redação em 14/02/2020 09:44
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