Saúde

Como proteger o coração em um inverno quente?

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel

A quantidade de água e eletrólitos de nosso sangue tem direta influência no funcionamento saudável de nosso coração. Dessa forma, em situações de hemorragia e profusa desidratação, nas quais ocorre perda significativa deste conteúdo hídrico e eletrolítico, podem ocorrer alterações cardiovasculares como arritmias e até uma parada cardiorrespiratória.

Na época do verão, quando as temperaturas atingem níveis acima de 35 graus Celsius, o equilíbrio térmico do corpo humano depende essencialmente de dois fatores fisiológicos -reposição volêmica por meio de continua hidratação e períodos de aumento da transpiração.

Em países de clima tropical como o Brasil, nota-se que a temperatura pode atingir níveis acima de 40 graus Celsius, sobretudo em cidades praianas do Sudeste e do Nordeste. Nesse contexto de temperaturas criticamente mais elevadas, soma-se às variações de conteúdo hidroeletrolítico, a eventual ocorrência de um perigoso fenômeno bioquímico chamado desnaturação proteica.

Todos os órgãos e estruturas do corpo humano, e o coração se inclui de forma destacada, são constituídos de substratos proteicos, os quais formam um arcabouço de sustentação e também desempenham papel primordial para as reações químicas que se processam no circuito metabólico de cada órgão. Logo, o fenômeno de desnaturação proteica, que pode ser desencadeado pelas elevadas temperaturas, consiste num desarranjo estrutural e funcional dos referidos substratos, impactando, sobremaneira, na manutenção da saúde dos órgãos.

Diante da ocorrência de uma desidratação severa, sem a devida reposição, além do risco de desnaturação proteica, o coração humano pode, agudamente, apresentar graves modificações, começando por arritmias e culminando com parada cardíaca e morte.

De certa forma, conhecemos como se comporta o verão no Brasil, quais são os meses mais críticos e as cidades mais quentes, o que permite elaborar uma estratégia preventiva para minimizar estes efeitos deletérios do calor excessivo.

As principais medidas para prevenir complicações cardiovasculares decorrentes do calor excessivo são:

- Ingerir no mínimo 2-3 litros de água ao dia;

- Usar roupas leves e de cor clara no dia a dia, principalmente para atividades esportivas;

- Utilizar bebidas isotônicas para complementar a reposição eletrolítica;

- Pessoas que transpiram em excesso (como indivíduos com hiperdrose) devem repor as perdas em quantidades proporcionais e muitas vezes até maiores do que a média;

- Reduzir o consumo de produtos ricos em cafeína ou qualquer estimulante metabólico

- Praticar atividades ao ar livre em horários de sol não escaldante -entre 8h e10h e após às 17h.

As complicações cardiovasculares podem incluir infarto do miocárdio e derrame cerebral. Assim, consultas periódicas e preventivas com um cardiologista são fundamentais para orientar quais atividades físicas, em qual ritmo e intensidade e com qual frequência as mesmas podem ser realizadas nos meses de verão e, sobretudo, nas cidades de temperaturas mais criticamente elevadas.

 

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago. www.drgabrielcardio.com.br.

Por Dr. Edmo Atique Gabriel . em 17/09/2020 07:00