Saúde

Rio-pretense de 38 anos é reinfectada pela Covid-19

Mulher de 38 anos, pertencente ao grupo de risco, foi infectada pela Covid-19 pela primeira vez no início da pandemia no ano passado e, após se mudar para Campo Grande (MS), testou positivo novamente em dezembro. Ela segue em quarentena

Uma rio-pretense usou as redes sociais para alertar a população após ser positivada com Covid-19 pela segunda vez. A social media e customer marketing, Ludmila Braga, mudou-se para Campo Grande (MS) em setembro do ano passado e, em dezembro, foi diagnosticada novamente com a doença. Ela segue em quarentena em um ambiente isolado em um cômodo externo da casa onde agora vive com os pais, no bairro Coronel Antônio, da capital do Estado do Mato Grosso do Sul.  

Ludmila ainda morava em Rio Preto quando teve Covid-19 pela primeira vez, no dia 17 de março, início da pandemia.

“Eu fiquei muito mal, com todos os sintomas e perdi o olfato e paladar, sentia muita fadiga. Me lembro do secretário de Saúde falando que não tinha testes para todo mundo. Naquela época eles faziam teste só em quem estava ‘morrendo’, e eu era do SUS, não tinha 450 reais para pagar pelo exame. Fui na UBS do Anchieta três vezes e pedi pelo amor de Deus para ser testada, foi negado. Fui na UPA Jaguaré e também foi negado, mas me passaram todos os medicamentos e fiquei em quarentena. Também assinei uma notificação com o meu nome, CPF e de quem morava comigo também”, conta.

Em setembro do ano passado, a social media mudou-se para Campo Grande. Em dezembro, os sintomas retornaram mais fortes. Ela está no nono dia de contágio.

“Quando senti que o meu corpo estava diferente, eu já avisei no trabalho e me isolei. Eu já sabia porque conheço os sintomas. Fiz o exame de farmácia e deu negativo, não recomendo. Já o PCR deu positivo.  Nem o médico acreditou e disse que minha imunidade está baixa. Não temos uma explicação para isso. Ser reinfectada me assusta porque faz eu acreditar que esse vírus fica encubado. A impressão é de que esse vírus está cada vez mais agressivo”, afirma.

Ludmila é do grupo de risco porque tem bronquite asmática, o que dificulta ainda mais o tratamento da doença. Os pais, que vivem com ela, também são do grupo de risco.

“É uma dor no corpo muito forte, que faz a gente chorar e gritar. Eu sinto dor de cabeça, calafrios, cansaço, ânsia de vômito, febre, insônia, falta de paladar e olfato, além de muita crise de tosse por causa da bronquite. Minha vida é de casa para o trabalho, desconfio que fui reinfectada no trabalho ou no carro de aplicativo que peguei três vezes”, relata.

Abalada e muito debilitada, a rio-pretense faz um desabafo e alerta para a população que não acredita na gravidade da doença.

“A pandemia está aí, não foi embora. Quem não pensa em si, que ao menos pense nos seus e que falem que estão infectados. Fiquem em casa, se tem uma coisa que não vai acabar são os bares e as festas! Mas a Covid acabou com a vida de 200 mil pessoas, não são números, são pessoas. Eu sou grata a Deus de não fazer parte da estatística de óbitos, mas infelizmente faço parte da estatística da contaminação e da reinfecção”, ressaltou.

Reinfecção

O primeiro caso de reinfecção pelo novo coronavírus no Brasil foi confirmado pelo Ministério da Saúde em dezembro. A vítima é uma profissional da saúde, de 37 anos, residente de Natal (RN). Ela teve a doença em junho, se curou e foi diagnosticada novamente em outubro, num intervalo de 116 dias. 

Já o primeiro caso confirmado de reinfecção pela Covid-19 no Estado de São Paulo é de uma mulher tem 41 anos, moradora de Fernandópolis, na região de Rio Preto. A divulgação foi feita pela Secretaria de Estado de Saúde de SP no dia 16 de dezembro. Ela teve dois diagnósticos positivos em um intervalo de 145 dias.

Ela desenvolveu a doença em junho, com resultado positivo em exame laboratorial. Se curou, e teve nova detecção em novembro, 145 dias após o primeiro diagnóstico. O caso apresentou todos os critérios estabelecidos em nota técnica do Ministério da Saúde para confirmação de reinfecção.

Os dois exames foram analisados pelo laboratório regional do Lutz de São José do Rio Preto. O Laboratório Estratégico do Instituto Central, localizado na capital, fez o sequenciamento do genoma completo e identificou que se tratam de duas linhagens distintas do vírus, o que pode justificar a reinfecção.

Uma delas foi constatada exclusivamente no Brasil, e a outra já identificada tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Chile, conforme sequências comparadas com o banco de dados online e mundial GISAID (na Global Initiative on Sharing All Influenza Data) – Iniciativa Global de Compartilhamento de Todos os Dados sobre Influenza, na tradução.

Por Karol Granchi em 08/01/2021 17:24