Saúde

Pesquisadores da Unesp de Rio Preto estudam nova variante da Covid-19

Ao todo, 148 amostras foram analisadas, sendo 118 da variante P1 (identificada inicialmente no Amazonas), e B1.1.7 (no Reino Unido)

Um grupo de pesquisadores da Unesp de Rio Preto vem desenvolvendo estudos visando investigar a possibilidade de uma nova variante do vírus Sars-Cov2 relacionada à B.1.1.28, fato que preocupa a comunidade médica e as autoridades sanitárias do país, pois apresenta a mutação L452R presente na variante indiana. Todos os vírus modificam-se com o tempo como um subproduto natural, resultando no que a comunidade científica chama de novas cepas, variantes ou linhagens. Daí a importância da ampliação das pesquisas científicas sobre o novo coronavírus, e o esforço despendido por universidades e instituições públicas do país no enfrentamento científico da pandemia.

Desenvolvidos no Laboratório de Estudos Genômicos do Ibilce, sob coordenação da professora doutora Paula Rahal, os estudos integram o projeto de pesquisa Ômica.BR.MCTI Network vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Em comunicado técnico número 16 publicado no dia 04 de maio, assinado pela professora Cintia Bittar, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia da Unesp de São José do Rio Preto, e membro do projeto Corona-Ômica.BR, a nova linhagem tipificada pelo grupo apresenta a mutação L452R na proteína S do Sars-Cov2. Ao todo, 148 amostras foram analisadas, sendo 118 da variante P1 (identificada inicialmente no Amazonas), e B1.1.7 (no Reino Unido). A cientista destaca como fundamental as medidas para evitar a dispersão desta possível nova linhagem para outras cidades.

O Laboratório de Estudos Genômicos integra uma rede descentralizada de laboratórios, com a participação também do Instituto de Biotecnologia (IBTEC), do Instituto de Biociências do Câmpus da Unesp de Botucatu, do Laboratório de Pesquisa em Virologia da Faculdade de Medicina de Rio Preto - (FAMERP), e da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos em Pirassununga (FZEA-USP). Também participa da rede de pesquisa a cientista biológica Marilia de Freitas Calmon, pesquisadora do Departamento de Biologia do Ibilce.

Cabe ao grupo captar e realizar o sequenciamento genômico de amostras de Sars-Cov2, mas, ainda, não é possível concluir se a nova linhagem da família dos Coronavírus detectada está em alta proporção. "A gente teria que fazer novos estudos para saber quando ela começou e se está aumentando ou não entre a população. A gente identificou que é uma variante nova. O que ela representa saberemos só ao longo do tempo. Pode ser que não cresça ou domine. A gente não sabe. Por isso, a importância da vacinação o mais rápido possível", enfatiza a professora Paula Rahal.

Região de Araraquara

"A sequência de genoma completo de duas amostras coletadas em 24/03/2021 e 05/04/2021 na cidade de Porto Ferreira – SP, classificadas como B.1.1.28 pelo Pango lineages, apresentou a mutação L452R na proteína S. Devido à importância desta mutação, relacionada ao escape de anticorpos neutralizantes, estando a mesma presente nas variantes B.1.617 (Indiana), B.1.427 e B.1.429 (ambas da Califórnia)", diz trecho do comunicado nº16.

Com a intenção de rastrear a frequência dessa variante no interior de São Paulo, foram realizados também alguns estudos de 64 amostras da região Araraquara, onde foram encontradas a mutação L452R, além de outras sete amostras com essa mesma variação do vírus, sendo seis de Porto Ferreira-SP e uma do município de Descalvado-SP.

"É importante destacar que a sequência mais antiga desta possível nova linhagem é de fevereiro de 2021, sugerindo um surgimento recente. Observa-se também a circulação em regiões que apresentam predomínio da linhagem P.1", diz outro trecho da nota técnica.

A pesquisa de rastreamento do novo coronavírus é financiada pela Rede Vírus do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

Por Da Redação em 07/05/2021 15:16