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Instituto Butantan inaugura fábrica de imunizantes

Além da produção nacional da vacina CoronaVac contra a covid-19, a nova fábrica será responsável por produzir vacinas contra a raiva, hepatite A e zika

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O Centro de Produção Multipropósito de Vacinas do Butantan (CPMV) vai colocar o Brasil em um novo patamar internacional no desenvolvimento de imunobiológicos, contribuindo para tornar o país autossuficiente e preparado para combater outras pandemias que surgirem. Isso porque a nova fábrica de imunizantes do Instituto é uma das mais inovadoras e modernas do Brasil, com capacidade de produção em cinco diferentes plataformas vacinais e certificação Nível de Biossegurança 3.

Com todos esses elementos unidos em uma mesma instalação, o Butantan passa a ter a capacidade de atender rapidamente às demandas de saúde pública do Brasil. “É um salto na frente, de uma autonomia que o Butantan vai dar para o Brasil de produzir IFA [Insumo Farmacêutico Ativo] em escala industrial”, resume o gerente de desenvolvimento industrial do Butantan, Adriano Ferreira. “O CMPV nos dá a garantia que conseguiremos reagir a qualquer pandemia muito mais rápido do que antes”, concluiu o diretor de infraestrutura, Rafael Lubianca.

Inicialmente, entre as vacinas que poderão ser fabricadas no CPMV estão as da raiva, da hepatite A, da zika e contra a covid-19. A capacidade de produção é de 100 milhões de doses por ano, sendo que a área construída é de 11 mil m².

Um projeto de longa data acelerado pela pandemia

A ideia de construir uma fábrica de vacinas que pudesse ser adaptada para a produção de diferentes imunizantes em um curto espaço de tempo, é antiga no Butantan. A pandemia de Covid-19 acelerou a concretização do plano. Era preciso construir rapidamente uma fábrica que pudesse responder às necessidades daquele momento. Mas como fazer isso em pouco tempo, quando estamos falando de uma instituição pública? Dois processos foram fundamentais para o sucesso da iniciativa.

O primeiro deles foi buscar doações junto a empresários e pessoas físicas e, com o apoio do governo do estado de São Paulo, estabelecer uma Parceria Público-Privada. Com esse objetivo, a organização Comunitas ficou responsável por coletar as contribuições financeiras e transformá-las em insumos e serviços para a construção da fábrica. Foram 75 empresas e pessoas físicas que, juntas, doaram R$ 189 milhões. 

Outra estratégia foi construir a fábrica no modelo de turn key. Por meio dele, todas as etapas de projeto, execução, instalação de equipamento e qualificação foram terceirizadas. Além disso, para dar mais agilidade, todas as etapas aconteceram em paralelo, com diferentes empresas de engenharia trabalhando ao mesmo tempo em tarefas distintas com um objetivo comum.

“O engenheiro liberou 10% do projeto. Ele continua fazendo o projeto, mas já temos pessoas em campo executando aquilo, pessoas em Suprimentos comprando material. É todo mundo trabalhando em conjunto. Você tem um ganho de prazo, consegue fazer mais rápido”, explica Adriano Ferreira. “Isso gera diversos desafios, mas traz uma velocidade muito grande. Fizemos o projeto e a obra no tempo que faríamos só o projeto”, ressalta Rafael Lubianca.

O CPMV começou a tomar forma em abril de 2020, com as discussões sobre o conceito da fábrica. A obra em si foi iniciada em novembro de 2020. Em dezembro de 2021, começou a etapa de instalação dos equipamentos, que vai até julho de 2022. Depois disso, começa a fase de certificação, qualificação e automação, que deve ser concluída em fevereiro de 2023.

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