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Endometriose pode ter relação com risco cardiovascular elevado; entenda

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel

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Nos últimos dias, acompanhamos o caso da cantora Anitta, que foi internada e submetida a tratamento cirúrgico em decorrência de endometriose, um quadro que afeta cerca de 10% das mulheres em idade fértil, na faixa etária de 25 a 35 anos.

O endométrio é um tecido que reveste internamente o útero. A menstruação consiste na eliminação periódica de fragmentos oriundos do endométrio, quando este se descola do útero, como resultado de variações hormonais fisiológicas.

A endometriose consiste no crescimento do endométrio para fora do útero, podendo atingir diversos órgãos, como os ovários, trompas e intestino, causando sintomas desconfortáveis, como cólicas, dor durante o ato sexual e hemorragias.

Alguns estudos têm demonstrado que existe relação entre a endometriose e fatores genéticos, sendo estes responsáveis por uma intensa inflamação que atinge o corpo todo, favorecendo o acúmulo de gordura no interior dos vasos sanguíneos e aumentando a probabilidade de eventos cardiovasculares.

As mulheres com endometriose parecem ter maior tendência de apresentar níveis elevados do colesterol LDL (conhecido como colesterol ruim) e níveis reduzidos do HDL (conhecido como colesterol bom).

O processo inflamatório de origem genética também é responsável pelo acúmulo de radicais livres, os quais agem como detritos tóxicos frequentemente identificados nas placas de gorduras que causam diversas tromboses pelo corpo.

Em outras palavras, esta carga genética inflamatória pode induzir diferentes agravos para uma mulher em idade fértil, como a endometriose e, quase que simultaneamente, uma acentuação do risco cardiovascular.

Não bastasse este cenário inflamatório, as mulheres podem enfrentar complicações cardiovasculares decorrentes do tratamento utilizado na endometriose. Em geral, considerando que a endometriose representa um crescimento anormal do endométrio com extensão para os ovários e trompas, muitas vezes a melhor opção terapêutica é a remoção do útero, ovários e trompas.

Após a remoção destes órgãos, esta mulher, ainda jovem e em idade fértil, acaba enfrentando uma menopausa precoce, ou seja, mudanças hormonais intensas como a redução da produção natural de estrogênio e progesterona.

Como consequência direta desta redução hormonal, ocorre maior exposição desta mulher ao acúmulo de gorduras dentro dos vasos sanguíneos e maior risco de eventos cardiovasculares como o infarto do coração.

Assim, a correlação entre endometriose e risco cardiovascular acentuado existe e exige que medidas preventivas sejam adotadas precocemente, que o acompanhamento desta mulher seja feito por uma equipe multidisciplinar e que as decisões terapêuticas sejam muito ponderadas em virtude das possíveis complicações cardiovasculares.

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago. 

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