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Junho é o mês de conscientização sobre o lipedema

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel

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O mês de junho é dedicado aos cuidados e as orientações acerca do lipedema, uma doença que acomete predominantemente o sexo feminino e em muitos casos, de maneira errônea, é confundida com a obesidade ou com o linfedema. Por muito tempo, pouco se discutiu a respeito dos principais aspectos associados ao acometimento circulatório relacionado ao lipedema, fato que nos dias de hoje gera muita discussão em relação aos seus principais sintomas, métodos diagnósticos e opções terapêuticas.

O lipedema caracteriza-se por um processo inflamatório que acomete a célula gordurosa. Progressivamente, a resposta inflamatória presente no tecido celular subcutâneo promove o acúmulo de conteúdo gorduroso em determinadas regiões do corpo humano, em especial os braços, a região do quadril e os membros inferiores, causando uma desproporção corporal, que ao longo dos anos torna-se cada vez mais perceptível e evidente.

A inflamação corporal favorece a exacerbação do quadro clínico álgico e acelera o surgimento de hematomas nos membros. Além disso, a sensibilidade ao toque, como por exemplo a sensibilidade da pele ao tecido das roupas, constitui uma característica marcante do paciente com lipedema. O edema tecidual e a sobrecarga ao sistema venoso com aparecimento de veias varicosas representam sintomas que também podem ser observados durante a evolução do quadro clínico.

Não existe um exame capaz de diagnosticar o lipedema. A avaliação clínica com análise conjunta dos sintomas, do exame físico e da identificação da desproporção corporal são ferramentas fundamentais para a conclusão diagnóstica. Recomenda-se ainda a avaliação circulatória completa para todo paciente com diagnóstico sugestivo de lipedema. O excesso de tecido corporal aumenta o risco de eventos tromboembólicos, de insuficiência venosa crônica e de comprometimento arterial em decorrência de fenômenos ateroscleróticos.

É importante ressaltar que o lipedema não deve ser confundido com obesidade nem com linfedema. A obesidade caracteriza-se pelo índice de massa corpórea acima de 30 kg/m2, enquanto o linfedema é resultado do comprometimento dos vasos linfáticos, na maior parte das vezes causado por processos infecciosos ou por ressecção cirúrgica de canalículos linfáticos, como observado nas cirurgias oncológicas com esvaziamento ganglionar. Apesar disso, tanto a obesidade quanto o linfedema constituem importantes diagnósticos diferenciais com o lipedema.

A lipoaspiração não é o único tratamento para as pacientes que sofrem com o lipedema. O tratamento do lipedema exige disciplina e comprometimento. Os pilares para a redução da inflamação corporal são dieta anti-inflamatória, atividade física, fisioterapia, apoio psicológico em casos específicos e, quando a doença for avançada, lipoaspiração. Para mais informações, acesse o site www.drsthefanovascular.com.br.

Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel. Doutor em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, especialista nas áreas de Cirurgia Vascular, Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular e coordenador do curso de Medicina da União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago).

 

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