Menos de 48 horas depois de autorizar uma ofensiva militar dos Estados Unidos em território venezuelano, o presidente Donald Trump voltou a adotar um tom agressivo ao comentar a política externa do país. Em declarações feitas a jornalistas durante voo no Air Force One, na noite de domingo (4/1)), o republicano indicou que outras nações da América Latina poderiam se tornar alvo de ações semelhantes.
Entre os países citados está a Colômbia, governada por Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país. Trump afirmou que a situação colombiana seria comparável à da Venezuela e acusou Petro de ter ligação com o tráfico de drogas. Ao ser questionado se isso poderia resultar em uma operação direta contra o governo colombiano, respondeu que a possibilidade lhe parecia adequada.
A fala ocorre em meio a um movimento diplomático regional. A Colômbia foi uma das signatárias de um documento conjunto, ao lado de Brasil, Uruguai, Chile e México, no qual governos latino-americanos manifestaram preocupação com qualquer tentativa de controle externo sobre recursos naturais e estratégicos da Venezuela.
O presidente norte-americano também direcionou críticas ao México, cobrando ações mais rígidas contra o narcotráfico. Segundo ele, houve inclusive a oferta de envio de tropas dos Estados Unidos ao país vizinho, proposta que não teria avançado por receios do governo mexicano, liderado pela presidenta Claudia Sheinbaum.
Ao comentar sobre Cuba, Trump afirmou não considerar necessária uma intervenção militar. Na avaliação dele, o regime cubano entraria em colapso sem a necessidade de uso da força.
No mesmo dia, o republicano voltou a mencionar o desejo de incorporar a Groenlândia aos Estados Unidos. A ilha, que é um território semiautônomo da Dinamarca, é vista por Trump como estratégica tanto do ponto de vista militar quanto econômico, em razão de sua localização no Ártico e da presença de recursos naturais. Ele criticou a atuação do governo dinamarquês na região e disse que a Groenlândia seria essencial para a segurança nacional americana.
As declarações ocorrem após a operação militar norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, em Caracas, no último sábado. A ação, batizada de “Resolução Absoluta”, levou tropas dos EUA à capital venezuelana e terminou com a transferência do casal para os Estados Unidos, onde ambos devem responder a acusações relacionadas ao narcotráfico. Segundo informações da imprensa internacional, dezenas de civis e militares morreram durante a ofensiva.
Apesar de justificar a operação com base em acusações criminais contra Maduro, Trump reconheceu que o interesse dos Estados Unidos também envolve as reservas de petróleo da Venezuela. Após a prisão do presidente, o Tribunal Supremo venezuelano determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma o comando do país de forma interina.