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Janeiro Roxo reforça alerta para diagnóstico precoce da hanseníase

Secretaria Municipal de Saúde intensificou, ao longo do mês, ações educativas e de orientação à população em Rio Preto

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Reprodução/ imagem ilustrativa/ Freepik

Doença antiga e ainda cercada por preconceitos, a hanseníase segue como um desafio relevante para a saúde pública no Brasil, que ocupa a segunda posição mundial em número de novos casos. Diante desse cenário, a campanha Janeiro Roxo ganha destaque como estratégia de conscientização, incentivo ao diagnóstico precoce e enfrentamento da desinformação.

Em Rio Preto, a Secretaria Municipal de Saúde intensificou, ao longo do mês, ações educativas e de orientação à população. A iniciativa envolve todas as unidades de Atenção Primária e serviços especializados, com foco na identificação precoce de sinais da doença e na redução do estigma que ainda afasta pacientes do tratamento.

De acordo com a psicóloga Renata Barbosa, do Ambulatório de Tuberculose e Hanseníase do Complexo de Doenças Crônicas Transmissíveis, a hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e historicamente ficou associada ao termo “lepra”, fator que contribui para o preconceito. A transmissão ocorre por vias respiratórias, em situações de contato íntimo e prolongado, geralmente no ambiente familiar, e os sintomas podem demorar anos para se manifestar.

A doença pode comprometer nervos, pele, mucosas e outros tecidos do corpo. Entre os principais sinais de alerta estão manchas na pele com perda de sensibilidade ao calor, frio ou dor, formigamentos, dores, sensação de fisgadas, redução de pelos nas áreas afetadas e coriza persistente. Em casos mais avançados, podem surgir nódulos dolorosos e diminuição de força muscular.

O diagnóstico é clínico, realizado por profissionais capacitados da rede pública. Não há exame específico para a confirmação, que se baseia na avaliação de sinais como espessamento de nervos e alterações cutâneas. Após a confirmação, o tratamento é iniciado imediatamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de forma gratuita. A hanseníase tem cura, e o tratamento pode durar de seis meses a um ano, com uso regular de medicamentos e doses supervisionadas.

Além do acompanhamento do paciente, pessoas que mantêm convívio próximo também são monitoradas pelos serviços de saúde. Para a especialista, o cuidado vai além do tratamento médico.

“O enfrentamento do preconceito também faz parte do processo. A hanseníase não é transmitida por toque, beijo, compartilhamento de objetos ou convívio social”, ressalta.

Como parte da campanha, a Secretaria de Saúde realiza ações educativas e aplica inquéritos de suspeição para facilitar o acesso de possíveis pacientes ao diagnóstico. A estratégia aposta na informação como principal ferramenta para reduzir o impacto da doença e interromper a cadeia de transmissão.

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