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A brutal diferença entre comandar e liderar

Artigo escrito por Diego Polachini, jornalista e Presidente do Republicanos

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Vitórias eleitorais expressivas costumam carregar duas forças opostas: legitimidade e expectativa. A primeira empodera. A segunda cobra.

Em São José do Rio Preto, a eleição de Coronel Fábio Cândido com uma votação histórica simbolizou um desejo claro da população por ordem, eficiência e uma nova forma de conduzir a cidade. Era o início de um ciclo que prometia firmeza sem improviso.

Mas toda liderança forte enfrenta um teste silencioso logo no começo do mandato: compreender que autoridade eleitoral não substitui construção política. E é justamente nesse ponto que a gestão atual parece encontrar sua maior dificuldade.

Decisões importantes têm surgido cercadas de tensão, relações institucionais mostram sinais de desgaste e cresce a percepção de que a prefeitura dialoga menos do que poderia. Não se trata de fragilidade — a firmeza foi parte essencial da escolha popular. O problema surge quando firmeza deixa de ser instrumento e passa a ser método único.

Governar uma cidade complexa exige mais do que comando. Exige escuta estratégica, capacidade de absorver críticas e habilidade para transformar divergência em convergência. Lideranças que confundem resistência política com afronta pessoal acabam reduzindo o próprio espaço de ação.

A política municipal não é um campo de obediência; é um território permanente de negociação.

Rio Preto tem uma característica histórica que nenhum governo consegue ignorar: é uma cidade plural, com setores econômicos, sociais e políticos acostumados a participar das decisões.

Quando o ambiente institucional se torna excessivamente rígido, a consequência não é estabilidade — é distanciamento. E distanciamento gera ruído, desgaste e perda de energia política.

Grandes mandatos não são definidos apenas pela coragem de decidir, mas pela inteligência de ajustar rotas. O capital político conquistado nas urnas não é um escudo contra críticas; é uma ferramenta para construir consensos mais amplos.

Líderes que entendem isso ampliam seu legado. Os que resistem a esse aprendizado costumam enfrentar isolamento precoce.

Ainda há tempo. O momento não exige recuo, mas evolução. Abrir diálogo não diminui autoridade — revela confiança. Ouvir o contraditório não enfraquece liderança — fortalece decisões. A cidade que confiou massivamente nas urnas não espera unanimidade, mas maturidade política.

Porque, no fim, governar não é provar infalibilidade todos os dias. É saber quando transformar força em ponte. E pontes — não muros — são o que constroem os ciclos que permanecem.

Diego Polachini, jornalista e Presidente do Republicanos.

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