Redes Sociais

Política

Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 13 de fevereiro

Jornalista Bia Menegildo traz as principais notícias do poder regional

Publicado há

em

Disfuncional

Depois que o deputado estadual Valdomiro Lopes (PSB) usou as redes sociais para destilar críticas contra o prefeito Fábio Candido (PL), na semana passada, a relação de ambos ficou marcada por altos e baixos. É até difícil explicar tudo o que aconteceu, mas uma sequência cronológica dos fatos pode ajudar a elucidar bem as idas e vindas deste relacionamento que tem tudo de tóxico.

Começando do começo

Quem começou tudo foi o prefeito, ainda no ano passado, antes de sair de férias, ao escolher Ronaldo Oliveira, subprefeito de Talhado, para acumular a Secretaria de Serviços Gerais. A definição foi tratada a sete chaves e passou por cima do acordo que havia com Valdomiro, que deveria ter indicado o chefe da pasta, conforme firmado ainda na campanha para que o PSB apoiasse o PL. Desde então, a bola de neve só cresceu.

Críticas

Na primeira oportunidade, Valdomiro usou as redes sociais para criticar o aumento de 20% no IPTU e a nova Planta Genérica de Valores (PGV), que entrou em vigor em janeiro. O vídeo caiu como uma bomba no governo e gerou reações imediatas. Dois indicados pelo ex-prefeito foram demitidos. Com medo de ser a próxima, a secretária da Mulher, Pessoa com Deficiência e Igualdade Racial, Rosicler Quartieri, pediu desfiliação do PSB.

No Legislativo

A coisa também ficou feia na Câmara. Abner Tofanelli e Alex de Carvalho, ambos do PSB, usaram a tribuna para se posicionar contra o aumento do IPTU. Abner chegou a pedir “perdão” por ter concordado com o projeto do prefeito, sem pensar nas consequências. O vereador ainda falou sobre a traição do prefeito em relação a Secretaria de Serviços Gerais. Alex fez uma fala contundente de oposição, apesar de poucas palavras.

Caiu para cima

A desfiliação de Rosicler Quartieri do PSB foi vista como um aceno de fidelidade ao governo e ela acabou “promovida” ao ganhar a Secretaria de Educação. Ela agora passa a acumular as duas pastas. No entanto, quem conhece a professora de longa data, afirma que, apesar de estar em um governo de direita, ela sempre foi de esquerda e com posicionamentos firmes de ideologia progressista.

Acalmou

A solução para a treta entre Valdomiro e o prefeito veio com a nomeação de Mary Brito, anunciada no início da semana. Ex-secretária da Fazenda de Valdomiro, a economista volta para a Prefeitura para ser a número dois da pasta, em detrimento do também ex-secretário Martinho Ravazzi. Apesar disso, dizem que Valdomiro não abriu mão da pasta da Mulher e, de quebra, da Subprefeitura de Talhado, e ainda busca nomes para indicar.

Segunda sessão do ano

Com as movimentações, perderam forças diversas articulações que estariam sendo feitas na Câmara, já contando com Abner e Alex. Uma delas, seria a aprovação, em regime de urgência, do projeto que revoga a PGV, na sessão de ressaca do Carnaval. Fato é que na última sessão, tanto Alex quanto Abner ficaram calados e ainda votaram contra os pedidos de convocações dos secretários feitos por vereadores da oposição.

Último movimento

O último movimento do prefeito em relação à Secretaria de Serviços Gerais foi nesta quinta-feira (12), com a nomeação definitiva de Ronaldo de Oliveira na pasta. Com isso, Ronaldo deixa de acumular função na Subprefeitura de Talhado. Segundo a Prefeitura, “o cargo que será ocupado por outro nome, que será anunciado em breve pelo prefeito”. Já tem quem garanta que será um indicado de Valdomiro. Quem viver, verá!

Experiência

No meio de tudo isso pode até ter passado despercebido para alguns o fato de Maíra Moraes ter deixado a Secretaria de Educação. Foram exatamente 80 dias no posto antes de abandonar o barco para iniciar “novos projetos”. Há quem diga que ela saiu depois da reunião em que o prefeito enquadrou os secretários por apoio aos indicados por ele nas eleições de outubro. Também tem quem defenda que ela vai ficar mais pelos bastidores.

Voltando ao assunto

João Paulo Rillo (PT) chamou a atenção para as justificativas apresentadas pelo secretário da Cultura, Robson Vicente, e pelo chefe de Gabinete, Rodrigo Carmona, para não compareceram na audiência pública promovida pelas comissões de Cultura e Cidadania da Câmara. Os vereadores queriam questionar ambos sobre a origem da verba de R$ 6 milhões para promover o Carnaval sertanejo e a falta de aval do Conselho de Cultura.

Não colou

Tanto Vicente quanto Carmona sustentaram que não havia fundamento legal para as convocações e citaram o projeto aprovado no dia anterior pela Casa. Segundo Rillo, a alegação é infundada, uma vez que o texto foi aprovado em plenário na terça-feira (3), a audiência foi na quarta-feira (4) e a lei foi publicada só na quinta-feira (5), com a especificação de que passaria a valer a partir da data de publicação.

De olho na grana

O prefeito mudou o nome da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Negócios de Turismo por meio de decreto. A pasta passou a se chamar Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo. Até aí nada de muito diferente, se não fosse pela justificativa da mudança. “Para fins de articulação federativa e acesso a recursos estaduais e federais”, consta no decreto. Em outubro, vai chover críticas ao Governo Federal.

Caducou

O requerimento de pedido de abertura de CPI para investigar páginas nas redes sociais que divulgaram um suposto caso extraconjugal de um vereador perdeu a validade sem adesão. O pedido, de Dr. Tedeschi (PL), teve apenas a assinatura dele. Alguns dizem que uma CPI de um vereador da base, em meio às polêmicas do governo, serviria apenas para desviar o foco das críticas ao prefeito pelo aumento do IPTU. A base podia ter assinado.

MP na causa

Mesmo com o entrave causado pela volta triunfal de Valdomiro ao governo, o destino da nova PGV ainda é incerto. O caso foi parar no Ministério Público por meio do vereador Jean Dornelas (MDB), que pede medidas judiciais e a suspensão imediata da legislação. O emedebista apontou erros técnicos graves na PGV elaborada pela Fipe, além de violação ao princípio da isonomia tributária, a partir da revisão de apenas 14 mil imóveis.

Matemática de novo

A divulgação do resultado da revisão pontual da PGV, feita pela Fipe, gerou uma grande confusão por causa dos números apresentados. Enquanto a Prefeitura e os vereadores da base se contentaram com a notícia de que 50% dos bairros passaram por revisão, fizeram questão de esquecer que o número de imóveis revisados foi de cerca de 5%, de um total de mais de 260 mil. De forma resumida, nem todos os imóveis de um bairro teve revisão.

Fogo

Bruno Moura (Podemos) perdeu a paciência com Rillo durante a última sessão, antes da votação do projeto que tentava proibir o repasse de emendas para entidades ligadas a vereador. Em um discurso recheado de indignação, Moura falou sobre Rillo ditar as regras na Câmara e chegou a proferir palavrões desnecessariamente. Moura até que teria razão se não fosse pelo pequeno detalhe de que existe um Regimento Interno na Casa.

Resposta

Em determinado momento da treta, Moura disse que exigia o dobro do tempo que Rillo usa na Casa. Rillo não perdeu a pose e retrucou à altura. O petista foi à tribuna e falou que a família e os assessores dele estão sendo ameaçados. Rillo não deu nomes, mas deixou claro que são ameaças graves e que “teme pela vida” daqueles que estão próximos a ele. No discurso, o petista deu a entender que existem acusações graves contra Moura.

AS MAIS LIDAS