Política
Denúncia de secretária no Conselho de Ética acusa vereador de falar em “milícia”
Representação chegou na Câmara no dia 30 de janeiro e áudio atribuído a Sandra Reis sobre “milícia da força” ganhou as redes sociais dias depois

A secretária de Desenvolvimento Social de Rio Preto, Sandra Reis, protocolou no último dia 30 de janeiro uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal contra o vereador João Paulo Rillo (PT). Entre as acusações, ela afirma ter sido alvo de ataques pessoais, tratamento hostil, acusações públicas e violência política de gênero.
Um dos pontos centrais da denúncia é uma declaração feita por Rillo em entrevista à TV Câmara, na qual o vereador se referiu à secretária como “miliciana”. Segundo a representação, a fala teria extrapolado os limites do debate político e atingido sua honra pessoal e funcional.
Na entrevista, o vereador afirmou que existe uma “milícia digital” em Rio Preto que atua nas redes sociais para atacar parlamentares da oposição e defender a atual administração municipal. A declaração, segundo Rillo, fazia referência a grupos organizados que operariam de forma coordenada no ambiente virtual.
Dias após a formalização da denúncia, no entanto, um áudio atribuído à própria secretária viralizou nas redes sociais, após ter sido enviado em um grupo de WhatsApp de servidores públicos e apoiadores do governo do prefeito Fábio Candido (PL), reacendendo a polêmica. Na gravação, divulgada em 5 de fevereiro, Sandra convoca militantes digitais a atuarem de forma organizada nas redes sociais em defesa do governo e utiliza a expressão “milícia da força”.
No áudio, a secretária afirma que, após reunião com o prefeito, seria necessário intensificar a atuação de apoiadores diante do que chamou de “ondas” e “invenções da oposição”, com comentários e compartilhamentos favoráveis à gestão municipal, discurso semelhante ao descrito por Rillo ao falar da existência de uma milícia digital na cidade.
Denúncia no Conselho de Ética
Na representação encaminhada ao Conselho de Ética, Sandra Reis relata episódios ocorridos ao longo de 2025 e no início de 2026, durante sessões da Câmara, audiências públicas e programas exibidos pela TV Câmara. Segundo ela, o vereador teria elevado o tom de voz, interrompido falas, distorcido declarações e feito acusações que extrapolariam o embate político.
Entre os casos citados está uma audiência pública realizada em 22 de setembro de 2025, presidida por João Paulo Rillo, na qual a secretária afirma ter sido tratada de forma agressiva e hostil. O episódio foi registrado em boletim de ocorrência, com descrição de conduta considerada machista e misógina, com possível enquadramento como violência política contra a mulher. A secretária também afirma que, em dezembro do mesmo ano, foi chamada de “fascista” durante sessão legislativa.
A denúncia menciona ainda novos episódios em audiências públicas no distrito de Engenheiro Schmitt, manifestações em redes sociais e o programa exibido pela TV Câmara em 27 de janeiro de 2026. Neste último, Sandra sustenta que o vereador, além de ter feito declarações de caráter intimidatório, insinuando a existência de denúncias contra sua pasta e mencionando suposta “milícia digital”, ainda teria falado em “compra de jornalistas”.
No pedido, a secretária argumenta que as condutas seriam reiteradas e direcionadas, em sua maioria, a mulheres em cargos públicos, em afronta ao Código de Ética e Decoro Parlamentar, ao Regimento Interno da Câmara e à Lei Orgânica do Município. Ela também afirma que a imunidade parlamentar não pode ser utilizada para justificar ofensas pessoais ou práticas de assédio institucional.
Ao final, Sandra Reis solicita a abertura de procedimento disciplinar para apuração dos fatos, com aplicação de sanções que podem variar de advertência e suspensão do mandato até a cassação, em caso de reconhecimento de gravidade qualificada.
Repercussão política
A divulgação do áudio ocorreu em meio a um cenário de desgaste político do Executivo municipal, intensificado pelo aumento de até 20% no IPTU e pela revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), que geraram críticas de moradores e questionamentos da oposição. Também há contestação sobre os gastos previstos para o Carnaval de 2026, estimados em cerca de R$ 6 milhões.
Após a repercussão, Sandra Reis confirmou a autoria do áudio e afirmou que o termo “milícia” é utilizado na área de marketing para se referir a grupos organizados em defesa de uma causa. Segundo ela, a fala teve o objetivo de mobilizar apoiadores em defesa do governo e das políticas públicas da área social. A Prefeitura de Rio Preto e a Secretaria de Desenvolvimento Social não se manifestaram oficialmente sobre o caso.
O Conselho de Ética da Câmara é presidido pelo vereador Professor Tadeu (União Brasil) e tem como membros Celso Peixão (MDB), Marcelo Renato (Novo), Bruno Marinho (PRD) e Bruno Moura (Podemos). Os suplentes são Alex de Carvalho (PSB), Rossini Diniz (MDB), Felipe Alcalá (PL) e Jonathan Santos (Republicanos).



